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A Mentira Branca Por Walter T. Rea 1982. Extraído
e Traduzido de The
Ellen White Web Site
(http://www.ellenwhite.org/)
Introdução Desde a primeira vez que ouvi falar dela, no princípio de minha adolescência, converti-me em devoto de Ellen G. White e de seus escritos. Aprendi a escrever à máquina copiando porções de seu livro Mensagens Aos Jovens. Na escola superior e na universidade com freqüência ia de alojamento em alojamento no dormitório, reunindo citações de Ellen White dos outros estudantes para usá-las em minha preparação para converter-me em ministro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foi por aqueles dias que concebi a idéia de preparar um comentário Adventista compilando, dos escritos de Ellen White, todas as declarações pertencentes a cada livro da Bíblia, cada doutrina, e cada personagem bíblico. No começo de minha vida ministerial (que se iniciou na parte central da Califórnia, em fins da década de 1940), compilei dois tomos de biografias bíblicas do Antigo Testamento e do Novo Testamento, incorporando em cada artigo as citações pertinentes encontradas na obras de Ellen White. Algumas pessoas proeminentes da igreja me estimularam neste projeto, e pensaram que o Ellen G. White Estate poderia publicar estas coleções para que fossem usadas no clube de livros que a igreja dirigia nesses dias. Depois de muito tempo e muito intercâmbio de correspondência, finalmente me dei conta de que tinha sido ingênuo e que o White Estate não tinha a menor intenção de colaborar desta maneira com ninguém que parecesse estar invadindo seu terreno. De maneira bem clara, fizeram-me saber que eles possuíam essa "franquia celestial" e que olhariam com maus olhos a qualquer um que pisasse em seu território. 1. No entanto, e de maneira independente, publiquei dois tomos de biografias bíblicas, e um terceiro tomo sobre Daniel e o Apocalipse, todos baseados nas obras de Ellen White. Cedo estes livros se venderam na maioria das livrarias Adventistas, e foram usados em muitas escolas e universidades de Norte América. O pessoal do White Estate não se sentiu muito feliz com tudo isto, e chamaram o departamento de minha união regional e dos presidentes de conferências locais sobre o tema. Depois de algum tira e afrouxa, todos estiveram de acordo em que os livros podiam ser vendidos se eu mantivesse um perfil baixo, porquanto de todos os modos eles não criam que meus livros seriam aceitos em grande escala. No entanto, em anos subseqüentes, venderam-se dezenas de milhares. Enquanto trabalhava em meu projetado tomo quatro (as citações de Ellen White sobre doutrinas bíblicas), por casualidade tropecei com algo interessante em Orlando, Flórida, onde eu era pastor da Kress Memorial Church, chamada assim em honra dos doutores Daniel H. e Lauretta E. Kress, renomados pioneiros da obra médica Adventista. A família Kress me presenteou com um antigo livro de Ellen White, Sketches From The Life of Paul, publicado em 1883, mas que nunca foi reimpresso. Quando um dia mostrei este livro a um membro da igreja, disse-me que o problema do livro era que se parecia demasiado a outro que não tinha sido escrito por Ellen White, e que nunca tinha sido reimpresso por causa da estreita similitude entre os dois. Sendo de mente inquisitiva, fiz um estudo comparativo e descobri que algumas das críticas pareciam ser verdadeiras. 2 Mais tarde, depois que fui transferido para a Califórnia, os membros da família de Wellesley P. Magan, também de pioneiros Adventistas estabelecidos, foram membros de minha congregação. Com a morte da viúva do pai de Wellesley, Lillian E. Magan, presentearam-me com um livro da biblioteca da família Magan – “Eliseu, o Profeta” - escrito por Alfred Edersheim. 3 Na folha de guarda aparecia a assinatura de Ellen White. Então, devido ao meu constante uso dos livros de Ellen White, tinha-me familiarizado tanto com eles, que em seguida reconheci a similitude de palavra e de pensamento ao examinar o livro de Edersheim. Ainda mais tarde, enquanto estudava na Universidade do Sul da Califórnia, para obter o grau de Doutor em Filosofia, sobressaltei-me ao tropeçar com uma obra de sete tomos sobre a história do Antigo Testamento, escrita pelo mesmo Edersheim.4 Desta vez encontrei, nos tomos um ao quatro, que os títulos e subtítulos de capítulo, e os encabeçados de página de Edersheim, eram paralelos, e muitas vezes quase idênticos, aos títulos de capítulo do livro Patriarcas e Profetas (1890), de Ellen White. Tempo e estudo mostraram que obviamente a Sra. White obtivera ajuda liberal destas obras adicionais de Edersheim. Uma investigação ulterior revelaria que Edersheim tinha escrito também uma história do Novo Testamento sobre a vida de Cristo, e que nesta obra, também, havia similitudes adicionais com o livro O Desejado de Todas as Nações, da Sra. White. 5 Ainda que perturbadores, estes achados não eram demasiado inquietantes para mim nesse tempo, porque o White Estate, em Washington, sempre parecia ter desculpas para os "empréstimos" de Ellen White. Foi somente quando Bruce Weaver, um jovem seminarista na Universidade Adventista de Andrews em Michigan descobriu um arquivo sem marcar contendo meu trabalho e minhas comparações (material duplicado guardado na biblioteca do White Estate) que as coisas começaram a adquirir o aspecto de um conto de mistério. O White Estate acusou a Bruce de roubar o material da biblioteca, ainda que ele só o tivesse copiado e devolvido. Ao final, Bruce foi despedido do seminário e do ministério, mas não antes que tivesse tomado parte significativa no drama. O que Bruce encontrou no arquivo não foi somente meu material e as críticas dele, senão também cópias de algumas cartas internas do White Estate, escritas por Robert W. Olson e Arthur L. White, que revelavam a preocupação destes homens do escritório de Washington a respeito da descoberta, por parte de Bruce, do material que eu lhes estivera enviando como evidência de que Ellen White tinha copiado material alheio. Ambos os homens tinham posto por escrito suas sugestões para manejar o problema Rea. Anos subseqüentes revelaram que eles haviam adotado o método de Arthur White, que era, em essência, aplicar táticas dilatórias e tanta pressão e linguagem de duplo sentido tanto quanto fosse possível. Olson se dedicou a fazer uma campanha verbal num máximo esforço por suavizar o impacto que meus achados estavam começando a ter, porque pessoas de várias regiões da América Norte já estavam solicitando a evidência encontrada durante minhas investigações. Numa apresentação que Olson fez, numa tarde de janeiro de 1979, na Universidade de Loma Linda, na Califórnia, alguém no auditório perguntou a respeito de empréstimos, por parte de Ellen White, de fontes publicadas. A resposta de Olson foi no sentido de que nada disso era verdade, que todos seus escritos eram dela. Depois, adicionou que tinha algum ministro na Califórnia do Sul fazendo ondas com alegações a respeito de que ela tinha tomado material emprestado para seu livro chave "O Desejado de Todas as Nações", mas que nenhum desses rumores era verdadeiro. Dizer que fiquei estupefato depois da reunião é pouco. Nesse mesmo momento, em meu arquivo já tinha várias cartas desse mesmo Olson animando-me a continuar enviando-lhe minhas comparações entre Ellen White e seus contemporâneos. Ademais, tinha falado comigo pessoalmente quando esteve na Califórnia fazia só pouco tempo, e tinha-me arrancado a promessa de que não publicaria nenhum relatório sobre meu trabalho senão até que ele e o pessoal da direção do Ellen G. White Estate tivessem tempo adicional para examinar o material. Eu tinha acedido à sua solicitação, e o fato do acordo fora registrado no memorando interno que ele escreveu depois, o qual eu possuía em meus arquivos. Assim que agora eu sabia que Robert Olson, ou tinha muito má memória, ou estava dizendo uma mentira branca. Em qualquer caso, era óbvio que os diretores do White Estate sabiam muito mais do que diziam. Os arquivos do White Estate se tinham referido a um livro escrito por William Hanna, chamado The Life of Christ.6 Antes de vinte e quatro horas depois da reunião de Loma Linda, eu já havia obtido uma cópia do livro de Hanna. Desde esse momento em adiante, aprendi mais do que jamais quis saber. Spectrum, um diário publicado independentemente pela Association of Adventist Forums, fez um relato dos antecedentes de uma reunião de comitê de Janeiro de 1980, em Glendale, Califórnia. Esta reunião fora convocada por Neal C. Wilson, então presidente da Conferência Geral, atendendo às minhas instâncias de que se considerasse o alcance dos achados em relação com a dívida literária de Ellen White. Dezoito dos representantes da igreja nomeados declararam que o explicitado por minha investigação era de proporções alarmantes, mas que o estudo deveria continuar com ajuda adicional.7 De maneira similar, Spectrum informou mais tarde, após minha expulsão da igreja8 (depois de trinta e seis anos de serviços) principalmente por causa do revelador artigo iniciado e escrito pelo editor religioso John Dart e publicado no Los Angeles Times. 9 Nem um só, dos oficiais que me expulsaram, jamais havia falado com Dart. Nem um só tinha visto a investigação na qual se baseava o artigo. O centro mesmo da disputa não era importante para os oficiais da igreja. Só era necessário que alguém fosse castigado para que outros permanecessem alinhados e para que tanto Ellen G. White como a Igreja Adventista do Sétimo Dia pudessem parecer inocentes de qualquer delito. Em vista do que observei, experimentado, e aprendido, pareceu-me correto e necessário registrar para as gerações futuras os achados de meu estudo atual. Estas gerações vindouras quererão saber a verdade a respeito do que se desenterrou do passado. Será parte do que terão em conta em sua experiência religiosa e em seus juízos. Apesar de muitos e bons conselhos em contrário, elegi o título THE WHITE LIE (A MENTIRA BRANCA) para meu livro. Não aplico o termo separada e exclusivamente a Ellen G. White. Quando nós (qualquer de nós) damos nosso consentimento ou apoio para perpetuar um mito (no todo ou em parte) a respeito de qualquer pessoa ou coisa, nós mesmos somos, portanto, parte de uma mentira branca. A mensagem deste livro é ajudar-nos a revelar a verdade a todos nós – que com freqüência sustentamos uma lenda. As piores mentiras que se dizem são com freqüência as que se dizem em religião, porque se dizem de tal maneira que se supõe que Deus as respalda e que, portanto, são para nosso bem. Que esse suposto bem pode converter-se – e geralmente se converte – em prejudicial, errôneo, e até perverso, não têm consciência as pessoas zelosas que promovem lendas no nome de Deus. Neste estudo me propus tratar, não apenas os fatos, como os encontrei, senão também como operaram na igreja e em nós, pessoalmente, como observei nessa operação. Também, espero deixar uma lição ou duas para aqueles que possam estar procurando essas lições. Ficam por serem concluídos muitos estudos sobre a questão de por que alguns de nós aceitamos tantas coisas de quem quer que seja que as aceitemos. Que coisa no profundo de nós é explorada para fazer-nos reagir, sem fazer perguntas, a informação que não é digna de confiança, de maneira que a aceitamos como "verdade" e lhe permitimos que governe nossos pensamentos e nossas vidas? Nesta etapa de meus pensamentos, fica-se alguma culpa por avaliar ou atribuir, devo aceitar muito dela por ter sido tão ingênuo, sem um adequado estudo ou investigação de minha parte, como para assentir a muito do que originalmente se me apresentou como "a verdade" mas que, em realidade, contém muita falsidade que nos afasta do que deveria preocupar-nos prioritariamente. O que mais lamento é daquilo que o tempo não me permita corrigir parte da informação errada do que eu mesmo, sem me dar conta, aceitei e transmiti a outros como uma mentira branca. Toda instituição, toda entidade corporativa, todo sistema estabelecido – seja político, econômico, social, ou religioso – deve ter seu santo padroeiro. Esse santo pode ser um fundador, um benfeitor, um dirigente carismático, ou uma figura mística que tem estado morta por longo tempo. Sem importar sua categoria ou o tempo que tenha durado sua existência, o patrono é venerado, ainda que tenha sido um vampiro; é canonizado, ainda que tenha sido um artista do roubo; outorga-se-lhe a santidade, ainda que tenha sido um conhecido pecador. Há algo na mente humana que procura criar o irreal – imaginar ou supor que algo é assim, ainda que toda a lógica lhe diga que não é assim. Do que é impossível ver, dizemos que é uma visão; o que é falível consideramo-lo perfeito; ao que é ilusório, concedemos-lhe autoridade. Muitos estudos se efetuaram para tratar de averiguar por que queremos crer, e de fato cremos, “uma mentira permissível. Para meu propósito aqui, é suficiente dizer que o fazemos – e parece que temos que o fazer. Porque, se rejeitamos a fantasia que agora sustentamos, provavelmente encontraremos ou inventaremos outra em nosso esforço para evitar enfrentar-nos à realidade”. Os vendedores de panacéias para fantasiadores (os que tendem a se assombrar de manifestações psíquicas) são os supervendedores do psíquico. São os que manipulam, manobram, e dão massagens à consciência daqueles aos quais desejam convencer. Em todos os tempos e em todos os lugares, foram os magos os que conduziram ao populacho a crer que o imperador realmente estava vestido com o invisível, e que aqueles que os escutam e vêm a eles a pedir conselho e guia (pelos quais, provavelmente, devem pagar devidamente) estarão entre os poucos que realmente vêem o que não está ali. O elemento que é fundamental, sem exceção, para qualquer jogo de roubo é a mentira. Provavelmente, é uma mentira branca, uma coisinha que se desvia um pouquinho da verdade, uma e outra vez, até que, com o correr do tempo e nas circunstâncias adequadas, expande-se, convertendo-se numa gigantesca fraude. As técnicas dos supervendedores são poucas, mas absolutamente essenciais. Consistem em sobejar importância à humanidade daquele que tem de ser venerado; exaltar as virtudes do venerado até o nível do milagroso; negar acesso às fontes confiáveis de registros e fatos do passado significativo; apelar à inclinação ao supersticioso (ou pelo menos crédulo); e ganhar tempo. Uma edição do dicionário de Webster diz que uma mentira branca é uma mentira de pouca monta pronunciada por razões de cortesia, amabilidade, ou perdoabilidade; uma mentirinha cortês ou inofensiva. O fato de que Ellen G. White tomou material emprestado ou o plagiou foi documentado e admitido por reconhecidos representantes da Igreja Adventista do Sétimo Dia através dos anos. Mas a informação que revela o alcance de sua dependência literária foi deliberadamente ocultada aos membros leigos até que pesquisadores independentes começaram a tornar públicos os fatos. Assim, em conseqüência destas descobertas, surgem novos problemas que não foram enfrentados ainda pelo povo Adventista do Sétimo Dia ou seus atuais dirigentes. Por exemplo: 1. Por que Ellen G. White transformou em absolutas a maioria das especulações e suposições, se não todas, dos autores copiados de maneira que o copiado faz ver que ela estava sempre na cena da ação em alguma forma "visionária", quando obviamente não o estava? 2. Como satisfazem os critérios estabelecidos para a inspiração rodapés de página e os textos bíblicos que ela copiou de outros como excerto? 3. Como enquadram na ética de seu tempo ou do nosso o abuso e o mal uso de material alheio em grande escala? 4. Porquanto o extenso material copiado assegura que era humanamente impossível que Ellen G. White o fizesse, ela mesma, quem entre seus ajudantes pode levar o crédito por sua "inspiração"? 5. Com a autoridade de quem estamos tratando agora? Reconhecemos que, desde o começo do movimento de 1844, muita gente considerou a Ellen G. White como a principal autoridade do Adventismo. Essas pessoas devem agora encontrar lugar para fazer ajustes em seu modo de pensar (e muitos em seu modo de viver) a um nível diferente do passado. Isto poderia ser muito angustiante. Seja porque a situação em que a igreja se encontra agora se enquadra ou não em nossa definição de uma mentira branca, seja porque a mentirinha é ou não inofensiva para os valores pessoais de uma pessoa, sua maneira de pensar, e sua experiência da vida, cada pessoa terá que julgar por si mesma. É possível entender um pouquinho como a gente chega onde está somente se olhar onde tem permanecido. Que classe de vendedores lhe vendeu a viagem, e o que a motivou a ir. Não é possível considerar todos estes aspectos num só bloco. Mas tocaremos as circunstâncias que ocorrem a um "verdadeiro crente", que classe de supervendedores vendeu a mercadoria, e o que lhes sucede aos que compram. Livros como The Status Seekers, The Permissible Lie, e The True Believer, insinuam que há uma conexão entre todas as disciplinas – a econômica, a social, e a religiosa. Em todas estas disciplinas, os vendedores vendem seu produto usando uma mentira branca. Ainda que os vendedores de idéias sociais e econômicas assegurem estar interessados no presente de você, em realidade estão mais interessados no futuro deles. Os vendedores do psíquico afirmam estar interessados no futuro de você, mas em realidade estão interessados no presente deles. Todos os mercantilistas vendem a mentira branca em qualquer tamanho ou forma que crêem que o público a compraria. Os Adventistas conhecem e aceitam estes fatos da vida a respeito dos sistemas alheios, mas crêem que seu próprio sistema é "diferente" e, portanto, melhor. Muito poucos estudos se ofereceram para provar ou refutar as crenças deles. A maioria das pessoas aceita o fato de que ficam poucos, se é que ficam, homens santos que vendam mercadoria sobre reformas econômicas ou políticas. O que é mais difícil do que a gente reconheça ou aceite é que, de maneira similar, há poucos santos em religião, se é que os há. Não há santos nem santas, exceto os que nós fazemos por meio de nossas próprias ilusões. Porque temos sempre conosco este fator de pretensão, é fácil para os supervendedores de religião obter o controle através de nossas próprias peculiaridades e consciências, para exercer autoridade sobre nossas mentes e ações. Houve muitos, neste planeta, que se venderam a si mesmos ao mundo, oferecendo salvação para o futuro – quando em realidade não eram senão supervendedores que nos tinham roubado nossa liberdade de pensamento infundindo-nos um sentimento de culpa e temor e inclinando a seus seguidores a sua própria vontade. Enquanto você lê, tenha em mente que alguém lhe vendeu a idéia de que aquilo que você crê no mais íntimo de você mesmo é "único" e tem a autoridade de Deus, a mais alta corte de apelação; que você é "diferente” por causa desta autoridade e que você se "salvará" caso siga as regras. O problema com este trem de pensamento é que sua verdade pode ser somente a interpretação da verdade de seu santo padroeiro, e os pronunciamentos que você aceitou como autoridade podem ser idéias que seu patrono tomou emprestado de outros. Isto, creio, é o que este estudo mostrará em relação a Ellen G. White. E se a mesma quantidade de informação estivesse disponível sobre os santos padroeiros de outros grupos, seria também verdadeira a respeito deles. Por que ainda queremos crer o que chegamos a crer é do que trata a mentira branca. Nesta odisséia que empreenderemos juntos, os supervendedores serão os clérigos, os pregadores, os reverendos, os teólogos – a quem, mais do que a quaisquer profissionais, concedeu-se-lhes licença (tanto pelas pessoas mesmas como pelo Estado) para vender sua mercadoria aos incautos, projetar seus temores sobre os temerosos, e vender seu sentimento de culpa aos que sentem remorsos. A santa padroeira será Ellen Gould White, a canonizada dirigente da Igreja Adventista do Sétimo Dia – que simboliza a todos os patronos de qualquer fé, e através da qual os aderentes se aproximam a seu conceito de Deus e tratam de conseguir a inobtenível salvação, seja aplacando a sua santa ou aplacando a Deus por meio dessa santa. Os verdadeiros crentes serão os incautos, os temerosos, os que têm complexo de culpa, os excessivamente zelosos, os bem intencionados, os que não perguntam. Carecendo de confiança pessoal em Deus, procuram-na por meio de seu santo padroeiro eleito, que eles crêem tem comunicação direta com os lugares celestiais. Porquanto, o corpo do material apresentado tem que ver com a "apropriação literária de obras alheias", eu também copiei de todo o mundo. Sem nenhum sentido de vergonha, usei material que foi burlado, tomado emprestado, ou de alguma maneira tomado abertamente de quaisquer fontes disponíveis ou que se tenha considerado necessário usar como evidência e para maior clareza. Com gosto daria crédito a todos os que, por quaisquer métodos e de quaisquer fontes, trouxeram-me material para que eu o usasse, de maneira que os leitores pudessem ver a evidência por si mesmos e conhecessem a natureza e a extensão da mentira branca Adventista. Mas, pela natureza do tema e as pressões administrativas e de nossos iguais tanto sobre a posição como sobre a pessoa, aqueles com quem estou em dívida não podem ser nomeados. Este livro tenta remontar-se ao nascimento, crescimento, e pleno florescimento da mentira branca no Adventismo. Não posso explicar todos os fios que nos atam, como a Gulliver, em nossa viagem, porque até agora se negou acesso a muitas fontes dos fatos. O livro só pode apontar ao leitor a certas fontes, de maneira que possa ver por si mesmo o que há que ver. Não estou tratando de assinalar aos que, tendo olhos, não vêem, nem de gritar aos que, tendo ouvidos, não desejam ouvir. Mas, porque alguém tem uma obrigação com as gerações que virão depois, este material se publica para acender uma luzinha num mundo de superstição, temor, e culpa. Pode ser que a chama, ainda que pequena, ajude a alumiar o caminho para o verdadeiro Santo de todos os santos: Cristo Jesus. O
autor, Walter Rea. Referências e Notas 1 . O Ellen G. White Estate é a agência que custodia os escritos, a correspondência, os registros, os sermões, os recortes, a coleção pessoal de livros, as recordações, e os materiais miscelâneos deixados em fideicomisso pela Sra. White a sua morte em 1915. O Ellen G. White Estate é administrado pela Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, no escritório central mundial de Washington, D. C. 2 . O livro similar ao de Ellen White, Sketches From The Life of Paul [Bosquejos da Vida de Paulo], é The Life and Epistles of The Apostle Paul [Vida e Epistolas do Apóstolo Paulo]. Foi escrito por William J. Conybeare e John S. Howson, e se publicou primeiro em Londres (1851-1852) e mais tarde em New York. O Sketches da Sra. White nunca se reimprimiu depois de ter aparecido em 1883, até que a Review and Herald Publishing Association fez uma reprodução em fac-símile em 1974. 3 . Alfred Edersheim, Elisha the Prophet (London: The Religious Tract Society, 1882). Era a "nova edição revisada" de Edersheim a que estava na biblioteca de Ellen White. 4 . The Bible History: Old Testament, de Edersheim, publicou-se primeiro como um jogo de sete tomos (1876-1887). Wm. B. Eerdman´s Publishing Company reimprimiu a edição de 1890 em dois tomos ("completos e íntegros") em 1949. 5 . Alfred Edersheim, The Life and Times of Jesus the Messiah, 5 livros. (London: Longmans, Green, and Co., 1883; New York: E. R. Herrick, 1883). 6 . William Hanna, The Life of Christ (New York: The American Tract Society, n.d. (pref. 1863). Este livro se publicou primeiro em seis tomos separados como The Life of Our Lord, que é o título listagem pelo EGW Está, Arquivo de Documento 884, na biblioteca de Ellen White. 7 . Douglas Hackleman, "GC Committee Studies Ellen White´s Sources," Spectrum 10, não. 4 (Março 1980): 9-15. 8 . Eric Anderson, et ao., "Must the Crise Continue?" Spectrum 11, não. 3 (Fevereiro 1981); 44-52. 9 . John Dart, "Plagiarism Found in Prophet Books," Los Angeles Times (23 Outubro 1980), p. 1. 10 .
Vance Packard, The Status Seekers (New York: Simon and
Schuster, Pocket Books, 1961). Samm Sinclair Baker, The
Permissible Lie (Boston: Beacon Press, 1968). Eric Hoffer,
The True Believer (New York: Harper & Row, Publishers,
Perennial Library, 1951).
Capítulo 1. Ao começar o século dezenove, o mundo tinha muito que aprender. Os Estados Unidos da América do Norte haviam tido sua contenda com a Grã-Bretanha e estavam a ponto de se converter numa nação. O continente europeu se punha de pé, cambaleante, depois de outra daninha e esgotante luta consigo mesmo, não diferente da que tivera lugar por séculos. As nações do Leste (sendo Rússia o grande símbolo) ainda preocupavam ao Oeste, como tinha ocorrido desde que os territórios das religiões russas tinham livrado a Batalha de Tours no ano 732 e as hordas mongólicas tinham baixado do norte para tratar de tomar a Terra Santa das mãos dos cristãos. Ainda que os anos entre 1800 e 1900 fossem um tempo de estabilização, também seriam de mudança e incerteza, uma dicotomia que não é rara na história. Todos os valores políticos, religiosos, e sociais seriam re-examinados, e em muitos níveis, descartados. Na política norte-americana, surgiria o sistema bipartidário, e os territórios que teriam de converter-se em estados começariam a copiar alguma forma de nacionalismo. As personalidades deixariam suas impressões nas leis nacionais e locais, bem como no marco político. A Guerra Civil debilitaria e, no entanto, uniria, a uma nação. As nações européias continuariam lutando por sua identidade e pelo poder. A expansão do Oeste norte-americano trouxe grandes mudanças nos valores. A terra e o individualismo se converteram em considerações importantes na vida das pessoas. Pela primeira vez, a propriedade esteve disponível para muitos. As coisas, muitas coisas, fizeram-se desejáveis. A vida e o progresso que para muitos (por quase um milênio) mal tinham parecido desejáveis, e, para a maioria (no resto do mundo), dificilmente obtidas, agora estavam nas douradas praias da nova terra e pareciam estar ao alcance dos que trabalhassem e se esforçassem por obtê-las. A oportunidade, uma palavra mal reconhecida na maior parte do mundo, parecia ter chegado. Em religião, o começo do século, desde a década de 1820 até a de 1850, teria de presenciar uma das últimas tragadas do antigo drama de temor e fogo do inferno em nome de Deus e do céu. O tema, que tinha sido representado nos palcos da Europa tanto por católicos como por protestantes, saltou ao outro lado dos mares e se converteu num fenômeno americano no movimento Millerista. A antiga canção de que “todos querem ir ao céu, mas ninguém quer morrer,” nova somente em alguns de seus detalhes, voltou a ser tocada para benefício dos temerosos e os que se sentiam culpados Mas há que se morrer, diziam William Miller e seus seguidores, e até fixaram o momento do acontecimento. Depois de muito trabalhar com as calculadoras celestiais, fixaram a data de 22 de Outubro de 1844 para o acontecimento (salvo quaisquer complicações sérias, talvez). Foi um grande drama, aquele movimento Millerista, em que cada um dos grupos de atores gravitava fortemente ora para um lado do palco, ora para o outro, afirmando cada um deles que tinha a Deus de seu lado. Alguém teria que pagar bom dinheiro para ver um espetáculo assim em qualquer outra parte e em qualquer outro momento. Mas nos Estados Unidos era grátis. Incluía personalidades, pessoas, ocupações, sermões, diatribes, invectivas, recriminações, ataques, e contra-ataques – de fato, uma verdadeira guerra santa, tudo em nome de Deus. Lendo acerca daqueles dias, alguém se pergunta se o verdadeiro tema em discussão não era o mesmo que sempre parece existir em religião: Quem vai controlar as concessões aqui e no além? Não se precisou muito tempo para que um grupo comprasse a franquia. Aquilo pelo qual católicos e protestantes haviam lutado na Europa por séculos, um grupo de restantes do movimento Millerista decidiu mercadejar nos Estados Unidos. A princípio, não se pensou num movimento mundial. Mas, se o produto se vendia, o mundo seria sua ostra e o céu seu gueto. Eles teriam de ser os Adventistas; o sétimo dia seria seu estandarte, e o Segundo Advento sua canção, ambas as idéias o produto usado do movimento Millerista. Não tinha realmente nada novo nem no estandarte nem na canção. Os hebreus da Antigüidade tinham sustentado o sétimo dia através do Antigo Testamento. Os cristãos do Novo Testamento lhe tinham prestado algum atendimento e adesão verbal à Segunda Vinda desde os dias de Cristo. Mas os nomes e as datas e os lugares seriam mudados para proteger aos culpados. Nas mentes de Ellen White (a dirigente psíquica do movimento Adventista) e de seus seguidores, surgiu a prática de interpretar as Escrituras (passadas, presentes, e futuras) em termos de conceitos e crenças Adventistas. Esta não era uma idéia nova, mas se enquadrava nos tempos do século dezenove. Os antigos hebreus tinham promovido a idéia de que eles eram os depositários dos oráculos de Deus (e há quem ainda creia que o são). Os católicos, nos tempos do Novo Testamento, e depois, trabalharam para aperfeiçoar essa idéia judaica e fazer do catolicismo o custodiador de toda verdade, ainda que tivessem que encadear parte dela a uma parede. Agora, na metade do século dezenove, tocou-lhes o turno aos Adventistas. Para que qualquer grupo ou organização convença a outros da idéia de que a eles lhes foi dada a concessão para o além, que eles são em verdade aqueles a quem Deus escolheu para vender as indulgências para esta vida e a utopia vindoura, devem sempre abordar o trabalho de reordenar e realinhar os fatos da história, e reescrever o cânon (a Bíblia do "verdadeiro crente") de maneira que ambos estejam em harmonia com suas idéias preconcebidas, conceitos errados, e preconceitos, declarando, ao mesmo tempo, que o Livro Santo é a palavra final de autoridade. Pequena tarefa para qualquer um em qualquer tempo. Não há que se surpreender de que a idéia nunca prendeu realmente no mundo religioso por demasiado tempo, ainda que os que o tentaram merecem uma nota "A" por seu esforço. Sem que a idéia do fracasso lhes passasse pela mente, os Adventistas atribuíram esta impressionante tarefa à pessoa a quem gostavam chamar "a mais débil entre os débeis," Ellen Gould Harmon. Ellen nasceu como irmã gêmea em Gorham, Maine, em 26 de Novembro de 1827, filha de Robert e Eunice Harmon, membros ativos da Igreja Episcopal Metodista, e se casaria com Tiago White em 30 de Agosto de 1846, três meses antes de seu décimo nono aniversário. Não tinha sinais antecipados de que ela teria de ser a jovem do povo que se sobreporia a sua deficiência. Não começou com fama nem com fortuna. Suas oportunidades de por o anel de bronze pareciam tênues, até que o infortúnio lhe sorriu. Quando tinha nove anos, ocorreu-lhe um acidente que, de acordo com ela mesma, "teria de afetar minha vida inteira." Como o apóstolo Paulo com seu problema dos olhos, Ellen, através do resto de sua vida, como freqüentemente se nos recorda, foi o produto de seu infortúnio físico. Sofria ataques de desmaios; seu sistema nervoso a prostrou; às vezes se rendia ao desespero ou ao desalento. Depois de ter sido atingida com uma pedra na cabeça, lançada por uma colega de colégio, abandonou a escola e, como aos Adventistas gostam de contar, nunca teve educação além do terceiro grau. 2 O que deveria observar-se é que não teve uma educação formal além desse grau. Todos aprendemos ou somos educados enquanto desejemos sê-lo e sejamos conscientes, e há poucas provas de que Ellen não fosse consciente. Aqui tinha uma oportunidade feita à medida. A história religiosa proporciona ampla evidência de que é muito mais provável que um "verdadeiro crente" aceite os ditados dos simples se a estes ditados de alguma maneira podem-se dar um marco celestial. Especialmente na Cristandade Ocidental, as crenças religiosas geralmente se centram nuns poucos temas: Todos os homens são criados (não necessariamente iguais – que é uma idéia política bastante nova); todos os homens são pecadores (e as mulheres também, que é outra idéia política bastante nova), ou o que seja que isso signifique. Dependendo da definição que o sistema dê ao pecado, a vida é uma viagem em bote através de um mar semeado de explosivos chamados tentações – geralmente definidos como mulheres (ou homens, segundo seja o caso), vinho, e canções. E ao cair a cortina, o homem tem que morrer. Bem, isso é tudo, exceto que a emoção e a ação chegam quando os diferentes (sejam grupos ou indivíduos, organizações, ou bandas ambulantes) começam a traçar o plano de jogo e a preocupar-se pelos detalhes. Por exemplo, quem é o autor da criação, quanto tempo lhe tomou, quem esteve ali tomando notas, e quão verdadeiro é o registro do acontecimento? Quem nos salpicou a todos nós com o pecado? Foi Deus, ou essa serpente na erva, que chegou quando Adão estava no sul veraneando? Ou o obtivemos de nossos antepassados em passados remotos? Ou é o diabo, como Papai Noel, nosso pai? A questão do pecado fascinou sempre a teólogos e não teólogos por igual. Para efeitos desta leitura, teólogos são os que praticam o definir a Deus ou julgam a ser Deus. Naturalmente, o que prepara a lista para outros tem vantagem no jogo. Através da história, a maioria dos místicos, adivinhos, ou teólogos tiveram oportunidade de confeccionar a lista dos pecados. Uma das maneiras mais seguras de fazer isto é deixar fora da lista as coisas das quais o indivíduo pessoalmente desfruta. Isto o fez a maioria dos que confeccionam listas prontas. E, por último, o grupo ou organização deve abordar a questão final: Ao morrer, aonde vamos, e quando (antes, durante ou depois)? Ninguém encontrou ainda uma resposta satisfatória para estas perguntas. Já que é muito mais difícil regressar aqui, uma vez que alguém tenha ido ali em primeiro lugar. Ninguém regressou para dar um relatório anual do outro lado. Este fato, por si só, dá ampla liberdade de ação a alguém de mente fértil, imaginação e capacidade para descrever o horror ou a glória do além (por um preço). Pode-se dizer, sem receio de se equivocar, que o temor da viagem que ainda não empreendemos é uma arma poderosa nas mãos daqueles que, por algum meio, supostamente fizeram a viagem e regressaram para nos vender o caminho. Ellen estaria à altura da tarefa. Eventualmente, deixaria para o crente (por meio dos conceitos Adventistas) informação, instruções, advertências e conselhos sobre todos os assuntos precedentes. Desde um começo trêmulo com a "amálgama entre seres humanos e animais" num de seus primeiros livros3, endereçou as coisas mais tarde com sua leitura de Paradise Lost. 4 Suas visões extracanônicas do diálogo, a batalha e a expulsão de Satanás e seus anjos, deu vividez e forma ao grande poema de John Milton, dos quais careciam até os escritores bíblicos. Alguns de seus amigos do começo notaram a similitude e chamaram seu atendimento sobre o assunto, mas ela subestimou a questão com a mesma facilidade com que fazia a maioria de suas críticas. Seu neto, que teria de herdar os deveres de custódia das chaves, deu quase a mesma explicação por mais de quarenta anos – com uma interessante exceção em seu suplemento de 1945 ao tomo quatro do livro The Spirit of Prophecy:
O desvio a que nos referimos é a última oração na citação de seu neto – a aceitação de que ela tinha, sim, lido a obra de John Milton. A questão que parece ficar por resolver é se ela o leu antes ou depois de sua "visão" da mesma controvérsia. O motivo pelo qual pôs o livro sobre uma "estante alta" continua sendo motivo de perplexidade para muitos. Quiçá, pensou, que quanto mais alto, melhor – por causa da tentação. Quem sabe? Um escritor que estudou o problema da Sra. White e o livro Paradise Lost, de John Milton pode nos dar algumas respostas: De excepcional importância é a correlação, que se encontra em certo número de ocasiões, em que ambos os autores descrevem com algum detalhe uma experiência que não se encontra na Bíblia. Entre tais eventos estão os seguintes: 1 . A cena no céu antes de e durante a rebelião, em que os anjos leais tratam de ganhar aos desafetos de volta à lealdade para Deus. 2 . As advertências a Eva para que permanecesse ao lado de seu esposo; o subseqüente afastamento. 3 . O complicado palco da própria tentação, com os argumentos de Satanás analisados ponto por ponto. 4 . A detalhada descrição dos imediatos resultados do pecado para Adão e Eva e para o mundo animal e vegetal ao redor deles. 5 . A explicação da razão básica da queda de Adão: Estava apaixonado por sua mulher. 6 . A narração a Adão, por parte do anjo, de eventos futuros. 7 . Os sentimentos tanto de Adão como de Eva ao abandonar o jardim. Estas similitudes na narração a respeito de pontos sobre os quais as Escrituras guardam silêncio intensificam a pergunta: Por que concordam tanto sobre fatos principais estes dois autores, que viveram separados por duzentos anos? 6 Outros estudiosos do mesmo tema perguntaram, sem encontrar resposta, por que ambos os autores, separados por cerca de duzentos anos, escreveram estes mesmos relatos não bíblicos, ainda que a escritora posterior – Ellen G. White – afirme que não sabia nada da obra do anterior. Um por um, Ellen White começou a acentuar em seus escritos (que ela invocava chegar por "visões") todos e cada um dos pontos da controvérsia teológica entre protestantes e católicos. Começando com o princípio de todos os princípios, e procedendo através do fim de todos os fins, ela deu uma nova, e com alarmantemente freqüência, inexata descrição do grande conflito como se apresenta na Bíblia. Ainda que os crentes de todos os credos tenham estado um pouco confusos a respeito do grande conflito, ela o descreveu com tanta segurança que alguns engoliram sua versão. Sua descrição dos acontecimentos, suas expressões Eu vi, teriam de ficar tão indelevelmente impressas nas mentes de uns poucos que o futuro modelo do Adventismo foi estabelecido por gerações. Ao mesmo tempo, seu relato também fechava a porta que tinha sido aberta para que o Adventismo fizesse uma contribuição marcadamente diferente ao conceito mundial da religião. 7 E a porta continua fechada, porque a igreja do advento não pode passar além das interpretações do Cânon que faz a "Irmã White". Oficialmente, não se permite nenhum padrão de pensamento, nenhum surgimento de valores, nenhuma interpretação das Escrituras até ser ou primeiramente examinado, submetido à prova, ensaiado e depois tingido segundo a cor de Ellen G. White. O mesmo poderia dizer-se dos Mórmons, com seu Joseph Smith, dos Cristãos Cientistas com sua Mary Baker Eddy, das Testemunhas de Jeová com seus Charles T. Russel e John F. Rutherford, dos Luteranos com seu Martinho Lutero, e de outros com seus santos padroeiros. Cada igreja vê o mundo a seu derredor, e o futuro além, através dos olhos de seu respectivo patrono. Se há um mundo ao redor deles no qual viver, ou um mundo que evitar, deve conformar-se à maneira em que seus santos o experimentam. Se há um céu que ganhar, ou um inferno que evitar, sua definição e sua direção, e até seus ocupantes, devem ser determinados pelo santo do sistema e pela interpretação do Cânon por parte desse santo, como o demonstrem os escritos desse santo os quais por sua vez se mantêm atualizado por meio da reinterpretação por parte de santos posteriores do mesmo tipo ou um similar tipo ou sistema. É difícil, se não impossível, para os Adventistas atuais, olharem-se a si mesmos e a sua santa, Ellen G. White, numa perspectiva histórica. Um artigo de 1979 que comentava este ponto de vista estremeceu a Igreja Adventista do Sétimo Dia quando apareceu em Spectrum, o diário independente publicado pela Associação de Foros Adventistas. Seu escritor, Jonathan Butler, professor associado de história da igreja na Universidade de Loma Linda, apresentou uma brilhante peça de oratória descrevendo a Ellen G. White como o produto de seu tempo. "As predições do futuro por parte da Sra. White apareceram como projeções sobre uma tela que só engrandeceu, dramatizou, e intensificou as cenas de seu mundo contemporâneo." 8 Concluiu que ela foi um produto de seu tempo, tal como o somos todos nós, que foi seu mundo o que chegou a seu fim com os cambiantes acontecimentos da história, que nem sempre se cumpriram como ela os tinha visto. Este diagnóstico era difícil de engolir para os Adventistas, porquanto se lhes tinha ensinado a crer em Ellen G. White e em seus escritos cegamente, como se ela tivesse baixado diretamente do céu e permanecido isolada de todos os acontecimentos enquanto esteve na terra. Era só natural que pensassem assim, pois por anos tinham ouvido dizer que "a Sra. White sempre tratou de evitar que outros influíssem nela." 9 Este tema, que nunca antes se tinha aplicado a nenhum ser humano, converteu-se no caminho Adventista para o irreal. Em religião, uma pessoa não trata muito com freqüência com a verdade pura, pequena ou grande, se é que alguma vez o faz. Trata-se com a verdade filtrada, expandida, diminuída, limitada ou definida pelos termos "Eu vi" de todas as 'Ellen' da cristandade – com muita ajuda dos teólogos. O que, sim, surge de todo o caldo é que o mapa para esta vida e a vindoura, se é que em realidade vem, é traçado pelo clã, e se converte assim no Plano do Clã. O céu se converte na entrada principal ao isolamento, onde todo pessoa má, como as concebemos (que no caso da humanidade significa as outras pessoas), apaga-se, e só as pessoas boas marcham para dentro. Assim fabricamos nosso próprio gueto. Os
capítulos subseqüentes se propõem mostrar o gueto Adventista do
Sétimo Dia e como cresceu, de maneira não muito diferente à dos
guetos de outras crenças, mas com algumas deformações
interessantes e diferentes. Referências e Notas 1 . Ellen G. White, Life Sketches of Ellen G. White (Mountain View: Pacific Press Publishing Association, 1915), p. 17. 2 . EGW, Christian Experience and Teachings (Mountain View: PPPA, 1922), pp. 13-15. 3 . EGW, Spiritual Gifts, 4 tomos (Battle Creek: SDA Publishing Association, 1858-1860-1864)? tomo 3, p. 64. 4 . Paradise Lost, de John Milton. Alguns crêem que reflete a obsessão de muitos poetas ingleses e europeus, na primeira metade do século dezessete, com o tema da origem do mal como o apresenta Gênesis. Milton mesmo estudou sistematicamente a Bíblia, as histórias, e as crônicas por mais de vinte e cinco anos antes de do que seu poema épico se publicasse em 1667. 5. EGW, The Spirit of Prophecy. The Great Controversy (O Grande Conflito) Between Christ and Satan, 4 tomos. (Battle Creek: SDA Publishing Association, 1870-1877-1878-1884), tomo 4, p. 535. 6 . Elizabeth Burgeson, "A Comparative Study of the Fall of Man as Treated by John Milton and Ellen G. White" (Tese de maestria, Pacific Union College). 7 . Ingemar Linden, The Last Trump (Frankfurt am Main: Peter Lang, 1978). 8 . Jonathan M. Butler, "The World of E. G. White and the End of the World," Spectrum 10, não. 2 (Agosto 1979): 2-13. 9 .
EGW, The Spirit of Prophecy, tomo 4, p. 535.
Capítulo 2. O desenvolvimento do gueto Adventista começou quase imediatamente depois que o movimento Millerista atingisse seu ponto culminante em 1844 e iniciasse seu descendo. Com a ajuda de Ellen White e suas "visões," permitiu-se a Deus fazer algum trabalho de carpintaria sobre as paredes. A Ellen se lhe "mostrou" que a porta da misericórdia se tinha fechado para todos os que não tinham aceitado a mensagem de 1844. Em conseqüência, o mundo e a maior parte dos que tinham nele ficaram no lado de afora da porta. Linden oferece uma muito adequada descrição dos acontecimentos em seu livro The Last Trump. 1. O exclusivismo, que começa cedo em qualquer plano religioso, despegou-se em seguida. Assemelha-se à atitude de "Senhor, abençoa-me a mim e a minha esposa, a meu filho John e a sua esposa, a nós quatro, e a ninguém mais." A posição da porta fechada nunca foi realmente aceita nem mesmo por William Miller, mas circulou entre alguns dos rejeitados. Durou oficialmente até depois de 1850, quando se abriu uma frestazinha na porta para que pudessem colar-se os filhos dos membros fiéis, e mais tarde, os cônjuges dos que creram. É surpreendente o que um pouco de fermento faz a toda a massa. Ainda hoje, os Adventistas se referem aos que não são membros como aos "estranhos," "os cunhados ou cunhadas da igreja" ou, como se lhes escapa de tanto em tanto, "os que não são salvos." Em realidade, no conceito Adventista, tanto em seu começo como mais tarde, virtualmente todo o mundo era ou é não salvo. A primeira razão para isto, a "porta fechada," cedo foi abandonada porque os que perderam o trem em 1844 começaram a morrer. Depois, os não salvos, ainda em nosso tempo, vieram ser todos os que não tivessem aceitado a Cristo. Todos os cristãos sabiam disto, mas para fazê-lo um pouquinho diferente, e quiçá para lhe adicionar encanto, o entendimento Adventista de não salvo veio a significar qualquer pessoa que adorasse no domingo (católico ou protestante); qualquer que fumasse, mastigasse fumo, bebesse, fornicasse, assistisse a espetáculos públicos e, ainda, que usasse ou comesse algo que os Adventistas não usassem ou comessem – em geral, qualquer pessoa que não fora oficialmente parte de seu espetáculo. Em realidade a posição Adventista provavelmente não era muito diferente de outras que existiram antes; somente combinava tudo numa lista para que fosse mais fácil encontrar as pessoas que a igreja queria rejeitar, e para manter essa porta fechada por um pouquinho mais de tempo. Até os que estavam ao redor de Ellen tinham dificuldades para evitar que ela apertasse demasiado com suas visões. Tiago, seu esposo e editor, teve que simplificar que poderia ter uma aberturazinha na porta, sobre a qual Ellen não tinha controle. Em 1851, Tiago White se sentiu impulsionado a publicar na Review and Herald um extenso editorial (referindo-se a "os que tiveram quaisquer dons do Espírito") que incluía estas palavras: Aqueles aos quais o Céu outorga as maiores bênçãos estão em maior perigo de ser "exaltados" e de cair. Portanto, precisam ser tanto exortados a serem humildes como protegidos cuidadosamente. Mas, com freqüência os tais foram considerados quase como infalíveis, e eles mesmos têm estado propensos a beber da extremamente perigosa idéia de que todas as suas impressões são a inspiração direta do Espírito do Senhor. [A cursiva foi adicionada] 2. O mesmo editorial foi reimpresso em sua totalidade nas páginas editoriais em 1853. Depois, num editorial de 1855, Tiago White se referiu às afirmações previamente publicadas sobre o mesmo tema, e adicionou: "Nenhum escritor do Review nunca se referiu a elas [as visões] como autoridade sobre nenhum ponto. Por cinco anos, a Review não publicou nenhuma delas.”3 Com esta afirmação, a batalha estava travada. Tiago White teria de perdê-la. Requer-se uma mente destra para manejar dois problemas ao mesmo tempo. Com freqüência, a mente produz respostas sem valor, mas é muito divertido. Em teologia, é francamente divertido. A primeira regra é aprender a não dizer nada bem. A segunda regra é dizê-lo de tal maneira que ninguém possa pôr em dúvida as conclusões filosóficas de um (se é que se chegou a alguma). É como aprender um pouquinho de tudo, de maneira que cedo alguém saiba tudo sobre nada. Na maioria das bibliotecas, o departamento de religião aparece sob o encabeçamento de filosofia - e isso é o que é, a definição e a redefinição de termos e idéias que por séculos se resistiram a serem definidos. Ellen e seus ajudantes eram mestres em reprocessar idéias passadas. Depois do grande desengano do dia 22 de Outubro de 1844 e a inútil fixação de alguns tempos e algumas datas mais, e depois de consignar à maior parte do mundo ao inferno por não crer naquilo sobre o que os mesmos Milleristas/Adventistas estavam errados e não entendiam, o grupo ainda tinha aquele problema da porta da misericórdia fechada. Ao "continuar o tempo um pouquinho mais," segundo as palavras de Ellen, o problema se voltou mais opressor. Se abrissem a porta, teologicamente falando, deixariam entrar aos que tinham estado errados. Se a mantinham fechada, e o bom Senhor não vinha sacá-los do dilema, todos morreriam e já não teria nenhuma diferença se a porta estava aberta ou fechada. Com a habilidade de um cirurgião, Ellen e seu grupo se abrir<3>+passo sem abrir a porta em absoluto, mas atuando ao mesmo tempo como se realmente a tivessem aberto. Este ato de equilibrista se fez aceitando o que se converteu no "pilar principal" da fé Adventista, a teoria do santuário. Esta teoria, que se converteu na principal doutrina da igreja, foi primeiro enfatizada por O. R. L. Crosier, que depois a repudiou. 4 O que a teoria faz é abrir a porta aqui na terra para depois fechá-la nos tribunais celestiais. Nas palavras daquela canção que uma vez foi popular: "Bom trabalho se podes obtê-lo, e podes obtê-lo se o tentas." Os Adventistas efetivamente o tentaram mais forte do que a maioria. (Em realidade, ainda o estão tentando, e isso é o que causou o grande reboliço a respeito das separadas, mas relacionadas preocupações expressadas por Paxton, Brinsmead, e Ford). 5. Para fazer curta uma história muito longa, tenho aqui o que teve lugar depois do desengano, quando Cristo não veio em 1844. Um antigo Millerista disse que, caminhando pelo milharal com seus pensamentos verdadeiro dia, se lhe ocorreu que a data que os Milleristas tinham aceitado era correta, mas que o acontecimento era confuso. Não era esta terra a que tinha sido separada da misericórdia e estava a ponto de receber justiça, senão todo o contrário. Era no céu onde a justiça estava sendo decidida (e a misericórdia estava ainda disponível aqui na terra). Este processo requeria muita contabilidade celestial, examinar os registros, voltar a registrar as obras feitas e as obras por fazer, e compilar um vasto número de cifras que precisariam muito tempo para ser totalizadas – daqui a idéia do tempo de oportunidade. Ademais, até havia espaço para as coisas que não tínhamos feito ou pensado. Supunha-se que Ellen tinha escrito que "seremos tidos como individualmente responsáveis por fazer um jota menos do que podemos fazer... Seremos juízos de acordo com o que deveríamos ter feito, mas que não levamos a cabo porque não usamos nossos poderes para glorificar a Deus. Por todo o conhecimento e capacidade que pudemos ter obtido e não obtivemos, terá uma perda eterna." 6. Foi como um chamado a filas. Não importou que alguns indicassem que o pobre homem no milharal deve ter visto um espantalho em vez de uma visão. Nenhum instrutor poderia ter inspirado a sua equipe com um melhor discurso. Com um "ganhemos um para o chefe," os jogadores correram ao campo – e têm estado correndo desde então, tendo criado um dos mais complexos sistemas de salvação por obras que o mundo jamais tenha visto desde a queda de Jerusalém no ano 70 d.C. Tendo aceitado que a justiça está sendo resolvida no céu desde 1844, aos Adventistas nunca lhes entusiasmou a idéia de que a misericórdia e a graça estivessem demasiado disponíveis na terra. Nas décadas de 1970 e 1980, quando os australianos Geoffrey Paxton (teólogo protestante e autor do livro Shaking of Adventism – O Abalo do Adventismo), Robert Brinsmead e Desmond Ford (teólogos ex-adventistas) disseram o que tinham em suas mentes, o ataque mesquinho contra eles foi que estavam vendendo "graça barata." Isto só mostra que os que refutavam não tinham aceitado a posição do evangelho de que a graça é ainda mais barata que isso – é grátis. Quando estes homens se apresentaram em público, o sistema os isolou como se isola a uma bomba. Quando recorreram a gravações para adiantar seus pontos de vista, os dirigentes disseram que quem quer que as escutasse tinha "vermes de fita" [tapeworms, tênias, mas foi necessário recorrer à tradução literal para mostrar mais claramente o significado do termo semelhante. N. do T.] Por conseguinte, os dirigentes fecharam a reunião anunciando que suas próprias conversas estavam gravadas e estavam disponíveis na porta por uma pequena soma. (É bem sabido que as igrejas vendem mais fitas do que a maioria, mas é a concorrência o que faz dano. Alguém sempre está tratando de meter-se pela força nessa franquia celestial.) Em fins das décadas de 1970 e 1980, Desmond Ford, um orador extremamente talentoso, tocava tão fortemente a essa porta da misericórdia que sua voz estava começando a ouvir-se ao redor do mundo. Não há nada que aos administradores detestem que os desafios e os ruídos fortes. Sobretudo, não gostam que lhes falem de teologia, um tema que lhes é tão estranho como o grego que alguns deles mal aprovaram e que nunca usaram. Mas essa porta que Ellen e seus ajudantes tinham fechado em 1844 tinha que a manter fechada. Por conseguinte, como os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, todos se montaram em seus modernos cavalos e se dirigiram à reunião do Comitê para a Revisão do Santuário em Glacier View Ranch em Colorado, em 10 de agosto de 1980. A segurança ali teria deixado a CIA com inveja e, em comparação, a convenção presidencial se teria parecido com uma reunião de Boy Scouts. Era um grupo verdadeiramente internacional de cerca 115 delegados, a maioria deles enquadrado na categoria de "executivos", e, por conseguinte, agradecidos à igreja de um modo ou outro. Alguns dos administradores, que (para dizê-lo amavelmente) não estavam teologicamente orientados, trataram de recostar-se dessa porta fechada, e até indicaram alguma forma de juramento de lealdade à fundadora Ellen e a seus conceitos. Se a reunião demonstrou algo em absoluto foi que, nestes tempos, atirar em um homem desde certa distância é muito mais barato que o pendurar em público. Demonstrou também que a justiça (como era definida pelos dirigentes), não a misericórdia, era ainda o tema da igreja. Ao final, depois de muitos jogos de mãos e charadas, Ford foi posto na rua. O resultado realmente nunca esteve em dúvida. Assim que não foi nenhuma surpresa quando "o bom" do Review anunciou tal qual uma trombeta: "Resumo de uma reunião histórica: O Comitê para a Revisão do Santuário, caracterizado pela unidade e controlado pelo Espírito Santo, encontra forte apoio para a posição histórica da igreja."8 Os cadeados daquela porta fechada se tinham afrouxado muito desde 1844 e desde a incursão de Ellen G. White em teologia. Ainda que amigos e inimigos, simultaneamente, houvessem tratado desesperadamente, e por décadas, de abrir a porta um pouquinho, os Anciãos eram bastante prontos para ver o que, talvez, outros (como os teólogos) não viam: que se essa porta fechada se abre alguma vez, o céu e o gueto Adventista são profanados pondo-os a disposição de todos, sem distinção de raça, credo ou cor e a igreja e o sistema Adventistas terão perdido para sempre sua franquia celestial. Os acontecimentos tinham que ser moldados dessa maneira, porque parte da teologia Adventista é que os isentados (querendo dizer eles, provavelmente, os fiéis Adventistas) algum dia, durante a idade dourada do milênio, se sentarão sobre aqueles tronos brancos no Longínquo Além, e ajudarão a julgar aos ímpios. Ali, todos os suculentos sanduíches dos atos e os pecados alheios finalmente lhes serão revelados. Esse pensamento, por si só, ajudou a muitos fiéis a seguir até o fim. Pensar em conhecer tudo a respeito de todos os que não se salvaram, e por que não se salvaram. E quando tudo tenha terminado, darão a Deus um voto de confiança e as graças por que as coisas tenham resultado como a eles lhes parecia que deveriam ter resultado desde o princípio. 9 Outra razão muito importante na mente Adventista para manter essa porta fechada, bem seja aqui ou no céu, é o evangelismo. Como poderiam eles jamais aceitar a idéia de que outros com diferentes hábitos e costumes e diferente moral se salvassem como eles? Que sucederia com a idéia que têm os Adventistas de que todas as outras igrejas do mundo são as rameiras (prostitutas) e as prostitutas de que fala Apocalipse? Esta idéia tinha vindo diretamente da profetisa. Ela tinha visto câmaras de tortura nos porões das igrejas católicas, onde todos os homens que finalmente tinham adorado no domingo teriam de receber a "marca da besta," e onde os Adventistas, como os Valdenses e os Husitas de antanho, teriam de ser caçados como cachorros nas fortalezas das montanhas, para ser torturados e finalmente mortos pela espada. O medo não tem comparação como substituto para motivar à ação. Com medo, o aleijado pode escalar o muro mais alto, o cego pode ver o suficiente para tirar-se do caminho, e o mudo pode adquirir uma instantânea soltura de língua. O amor, a motivação alentada pelas Escrituras, teve sua melhor (e alguns crêem sua última) demonstração na Cruz – e isso faz muito tempo. Ademais, o amor deve ser aprendido. O medo, com sua irmã gêmea a culpa, sempre espreita nas sombras da mente e está disponível em seguida se alguém toca o botão correto. Todos os teólogos, os adivinhos e administradores espirituais são experientes em tocar os botões corretos. Para os que ficavam de 1844, a idéia de que a justiça tinha que ser comprada pelo penitente e que a misericórdia era grátis não era nova. Mas, a idéia recebeu ênfase da pluma de Ellen White, em cuja mente sombras mais escuras do que a maioria jaziam perto da superfície. Em seus Testimonies for the Church, ela conta sua primeira experiência. Não pode passar-se por alto que, aos nove anos de idade, foi golpeada por uma pedra, e que o golpe foi tão forte que sua impressão posterior foi que quase se morre. Ficou desfigurada em vida. Diz que ficou "num torpor" por três semanas. Quando começou a se recuperar e viu quão desfigurada estava, quis morrer. Voltou-se melancólica e evitava as companhias. Disse: "Meu sistema nervoso se prostrou." 10 Estava terrivelmente assustada e solitária, e com freqüência aterrorizada pelo pensamento de estar "eternamente perdida." Pensou que "a sorte de um pecador condenado"11 seria a sua, e temeu perder a razão. Assim que temos aqui uma adolescente que, desde os treze até aos dezessete anos, foi debilitada, enfermiça, sem educação, impressionante e anormalmente religiosa, além de excitável, quando assistiu pela primeira vez às conferências de William Miller em 1840, em que predizia o fim do mundo em 1843 ou 1844. Durante este tempo, ela mesma sentiu que tinha sido excluída do céu. Em realidade, a causa de sua experiência na vida, estava excluída dos que a rodeavam. Com o tempo, suas atitudes se modificaram e se sentiu algo mais aceita. Mas, seus escritos, ainda através dos livros que publicou nas décadas de 1870 e 1880, mostram claramente a uma pessoa que olhava com grande apreensão muito do que era a vida real ao redor dela. Vivia num mundo horrível, e ansiava o momento em que tudo o que temia finalmente terminasse. 12 Ela podia proporcionar-se este isolamento por si mesma. Sua porta fechada, no entanto, está ainda fechada nas mentes dos Adventistas hoje dia. Com cada nova crise local ou mundial, cada novo costume que é inaceitável, e toda a gradativa transformação moral, o Adventista fecha sua porta um pouquinho mais, dorme com suas malas feitas, e anseia que chegue esse ato final de justiça que lhe dará, somente a ele e a seu Clã, a segurança da misericórdia que tanto precisam. 13 William S. Sadler, amplamente conhecido médico e cirurgião de seu tempo, escritor, amigo pessoal de Ellen White, genro de John Harvey Kellogg, escreveu: De tanto em tanto, surge alguém que tenta fazer crer a outras pessoas as coisas que vê ou ouve em sua própria mente. Surgem supostos "profetas" para convencer-nos da realidade de suas visões. Aparecem gênios estranhos que nos falam das vozes que ouvem, e, se parecem bastante sensatos e socialmente convencionais em todo sentido, algumas vezes conseguem levantar um vasto número de seguidores, criar cultos e estabelecer igrejas; enquanto, se são demasiado ousados em suas imaginações, se vêem um pouquinho demasiado longe ou ouvem demasiado, são prontamente capturados e rapidamente guardados bem seguros no confinamento de um manicômio. 14 Este porto psíquico é uma região segura, não sujeita a desafio pela lógica, argumento, evidência ou pela realidade. E, apesar de se ter negado todos estes nutrientes da conduta e a persuasão racionais, os homens ainda crêem o incrível. As idéias da porta fechada, do juízo investigativo, da negação da doutrina bíblica da graça e da misericórdia divinas livremente disponíveis para todos desde a Cruz, todas elas foram tomadas pelos Adventistas e feitas condicionais com base em conceitos rejeitados pela maioria, (até pelos originadores), mas respaldadas e promovidas por Ellen G. White. E isto nos traz agora à última porta que foi fechada em 1844 por Ellen e os Milleristas que ficaram – o Evangelho, as Boas Novas da Salvação. Os pecados Adventistas não são nunca realmente perdoados. Permanecem nos livros do céu até o dia do pagamento, o Dia do Juízo. Nenhum sistema que prospera e se perpetua a si mesmo sobre um escândalo tal pode trazer felicidade à mente ou a experiência humanas. As constantes revisões levadas a cabo pelo sistema eclesiástico, as inspeções diárias exigidas pela mente, e as investigações para o juízo da vida, além das comparações com as vidas de outros para ver se um está à altura, minam as forças e o valor. Até o momento em que o "verdadeiro crente" tenha feito todos seus diários exercícios mentais e revisado sua lista do que há e do que não há que fazer, está esgotado. Seu conceito da vida é que Deus o flagela em cada colina, em cada vale e através de cada bosque, até que, esgotado, cai morto. Em cada caso, se suas quotas foram pagas, o Senhor se inclina e diz: "Bem está, bom servo fiel.”15 Num sistema assim, o santo patrono se converte em substituto do Salvador. O céu e o aqui e agora se vêem através dos olhos desse santo do século dezenove. As obras se convertem na maneira de obter ou conservar as concessões outorgadas pelos privilegiados, e a vida se converte numa concorrência "santa" com outros crentes. Ninguém gosta de competir numa área em que não conheça; tanto assim que cada um delimita com estacas um território em que possa trabalhar melhor. Para um pode ser a dieta, para outro a roupa, para os extremistas a vida monástica. Qualquer que seja a tarefa, a vida se converte num enorme esforço para avantajar à concorrência subindo a essa via escorregadia primeiro. Se um pode só "perseverar até o fim" e durar mais ou ser mais pronto do que a concorrência, a justiça diz que seu lugar no além está assegurado, ainda que tenha sido um inferno viver no aqui e agora. Assim
foi e será sempre quando as "Ellen" da terra convencem a seus
seguidores de que, por meio da contabilidade celestial, Deus
salvará ou até satisfará à alma humana ou ao desejo de justiça.
Cada vez que os teólogos ou crentes tratam de usar habilmente
jogos semânticos com as doutrinas, sempre terminam perdendo ao
Salvador e ao Evangelho aqui e fazendo um embrulho místico do
além. Quando fecharam a porta em 1844, quão pouco se deram conta
(a jovem Ellen e sua pequena banda de verdadeiros crentes) de
que, ao tratar de salvar as aparências a causa do desengano
experimentado, em realidade estavam tirando-lhes o Senhor a
dezenas de milhares e fechando-lhes uma porta de amor e
misericórdia a muitos outros para sempre. Tal foi a experiência
de todos os que, sob qualquer título, trataram de se converter
em depositários das chaves da salvação – esse Evangelho das Boas
Novas. Referências e Notas 1 . Ingemar Linden, The Last Trump, (Frankfurt am Main: Peter Lang, 1978) pp. 80-87. 2 . Tiago White, "The Gifts of the Gospel Church," Second Advent Review and Sabath Herald/11 (21 April IX51\-7) 3 . Tiago White, "The Gifts of the Gospel Church," Review 4 (9 June 1853): 13; J. W., "A Teste," Review 7 (October 1855): 61. 4 . L. Richard Conradi, The Founders of the Seventh-day Adventist Denomination (Plainview, NJ: The American Sabbath Tract Society, 1939). 5 . Robert D. Brinsmead, Judged by the Gospel. Desmond Ford, Daniel 8:14, the Day of Atonement, and the Investigative Judgment, Geoffrey J. Paxton, The Shaking of Adventism. 6 . Ellen G. White, Christ´s Object Lessons (Mountain View: Pacific Press Publishing Association, 1900), p. 363. 7 . Review 157 (May, June, July 1980). 8 . Review 157, (4 September 1980). 9 . EGW, The Great Controversy (O Grande Conflito) between Christ and Satan (Mountain View: PPPA, 1888, 1911). Veja-se o capítulo 28 , "Facing Life´s Record (The Investigative Judgment)," e o capítulo 41, "Desolation of the Earth." Estudos recentes mostram que grande parte destes capítulos vieram dos escritos de Uriah Smith. 10 . EGW, Early Writings (Washington: Review and Herald Publishing Assn., 1882), pp. 277-85. Veja-se também Country Living, de EGW (Washington: RHPA). 11 . EGW, Testimonies for the Church, 9 tomos (Mountain View: PPPA, 1885, 1909), tomo 1, pp. 9-16 ,25. 12 . EGW, Christian Experience and Teachings (Mountain View: PPPA, 1922). 13 . Jonathan M. Butler, "The World of E. G. White and the End of the World," Spectrum 10, não. 2 (Agosto 1979): 2-13. 14 . William S. Sadler, The Truth About Spiritualism (Chicago: A. C. McClurg).
Capítulo 3.
Como
Ellen White chegou a ser conhecida como profetisa O sucesso e o gênio de qualquer movimento religioso é dizer aos membros o que querem ouvir e assegurar-se de que não ouçam o que não quer que ouçam. Nada proporciona tantas oportunidades neste campo como a tipografia. Gutenberg não tinha nem a mais remota idéia de que portas estava abrindo quando inventou a tipografia. Desde a Idade Média, quando a verdade foi encadeada a uma parede de biblioteca para que ninguém pudesse sacá-la da abóbada (nem sequer com um cartão de retirada de livros), a humanidade teve que receber e aceitar o que os pais da igreja lhe entregaram. Provavelmente, isso era um pouco melhor do que quando os pais impunham o conhecimento com um chicote ou o cabo de uma faca, mas ainda era uma forma de controle. A arte de imprimir teria de se desenvolver até ao ponto de que o objetivo não era controlar o corpo com as armas senão controlar a mente com a letra impressa. Os livres pensadores sempre têm se envolvido com problemas. No tempo de Moisés, se qualquer um acendesse fogo por sua própria conta para gozar de uma xícara de chá quente no sábado, era apedrejado e não, tampouco, no moderno sentido da palavra... Se, nos dias de Neemias, alguém vagava no mercado de trocas de objetos de segunda mão no sábado, corria o risco de que lhe arrancassem a barba ou os cabelos. Ainda, nos tempos do Novo Testamento, se Ananias guardasse umas poucas moedas do dízimo para pagar aluguel, o teólogo local o dizia que cairia morto – e caía. Assim, chegou a imprensa. A prenda era muito melhor em seu enfoque; nenhuma sujeira por limpar, nenhum cadáver que sepultar. Somente havia que se seguirem às regras gêmeas: Dizer às pessoas o que queria ouvir; não deixar-lhes ouvir o que não queria ouvir. A primeira regra não é demasiado difícil, mas a segunda, todavia, requer alguma forma de controle. Se as pessoas não sabem ler, não se pode alcançá-las por meio da leitura; se sabem ler, poderiam ser alcançadas por leituras errôneas. A maneira com que as igrejas resolvem estes problemas é remetendo-os a Deus. Esta é também uma idéia antiga. Aos poucos, dá-se crédito a Deus por coisas que não tem feito; e, desde os princípios dos tempos, o diabo tem sido exonerado de coisas que se faz. (Leia-se sobre Adão e o fruto no relato da criação no Gênesis). Os Adventistas do Sétimo Dia não foram os primeiros a construir um sistema, porém tiveram mais êxito que outros. No mercado em que começaram eram pequenos e dispersos, mas, com ajuda de Ellen G. White, haviam de crescer e consolidarem-se. Tiago White era uma espécie de mestre, conhecendo o poder da imprensa – especialmente o poder da imprensa controlada, e o quanto melhor era deixar que Deus a controlasse. Somente haveria que convencer aos leitores de que Deus estava escrevendo o que estavam lendo (dando-lhe, assim, autoridade) e de que Deus não no que se lhes diziam para não ler. Não era uma má idéia para um grupo de principiantes. Funcionou, e tem funcionado desde então – até tempos recentes, quando algumas pessoas perceberam o valor de se voltar do trem e ir até a parte de trás para ver o que fazia mover a coisa.2 Isto quanto ao sistema. Agora, como construí-lo? Quem haveria de escrever em nome de Deus? Certamente, Tiago não. Sua incursão na escritura haveria de incluir somente quatro livros, todos eles copiados em sua maior parte de alguma outra pessoa. Todavia, Ellen G. White, que somente tinha uma educação primária, não havia escrito nada notável. Não era uma combinação muito comerciável numa época em que a educação estava começando a se fazer popular. Em outra ocasião e em outro lugar, talvez. Mas, gradualmente, veio o experimento que faria tudo funcionar – a expressão máxima do gênio: Por que não se roubar tudo, em nome de Deus? Apesar de tudo, coisa semelhante tinha sido feito antes. Ao menos assim estabeleceriam os modernos defensores da fé adventista por cerca de centro e trinta anos mais tarde. Chegou-se a dizer que Lucas havia copiado Marcos e que Paulo havia estado subtraído material dos gregos sem lhes dar crédito. Que João, o vidente, havia roubado dos antigos pagãos material para suas idéias e que Judas havia feito outro tanto com algumas de suas obras pseudo-epígrafas. Até se disse que Moisés, em vez de receber os Dez Mandamentos de Deus, tomou-os de Hamurabi, um antigo legislador, ou até mesmo de outros antes de seu tempo.3 Nos dias de Ellen G. White era natural. Antes de seu tempo, existiu Emanuel Swedenborg, na Suécia, que tivera visões para o rei e para a família real, aproximadamente em 1740. Fundou uma igreja e viu muitas coisas que os demais não viram, algumas das quais aconteceram. Como Ellen G. White, a dirigente dos Shakers, nos Estados Unidos, Ann Lee, não tinha educação, mas escreveu “testemunhos” para os membros. Também, como a Sra. White, requeria “uma classe especial de vestuário” e se opunha à guerra e ao uso de carne de porco. Em 1792, Joanna Southcott, uma empregada doméstica, filha de pais pobres e com pouca educação, anunciou-se como profetisa e disse que em seus transes se lhe havia dito que Cristo haveria de vir mui breve.4 Joseph Smith, o famoso dirigente Mórmon, acabava de falecer em 1844. Esse foi uma grande decepção, tanto para ele como para seus seguidores, porque lhe dispararam e o mataram. Sua vida foi curta. Nasceu em 1805 e morreu em 1844, no ano em que a Sra. White começou a ter revelações. Era pobre e desconhecido, até que começou a ter "visões" e "revelações" e a ver e falar com anjos. Ensinou a Segunda Vinda, e seus seguidores haveriam de se converter nos Santos dos Últimos Dias (as outras igrejas eram os pagãos, os gentios). Como os Adventistas, os Santos dos Últimos Dias reescreveram a Bíblia através de seu profeta, e Smith teve novas revelações, ainda que algumas investigações recentes pareçam confirmar que o material foi roubado.5 A lista não termina. Mary Baker Eddy, a famosa dirigente da Ciência Cristã, também existiu durante a maior parte da vida de Ellen G. White. Embora elas sejam diferentes em seu modo de pensar, os discípulos de ambas acreditavam que sua profetisa era inspirada por Deu e que seus escritos deveriam ser usados para interpretar a Bíblia. O notável Charles T. Russell, da Watchtower (Torre de Vigia) e as Testemunhas de Jeová, também viveu durante o tempo de Ellen G. White. Seus seguidores crêem que eles são a única igreja verdadeira e que todas as demais são "Babilônia." Os Adventistas se alinham a esta última parte, mas se consideram a si mesmos como a única verdadeira igreja.6 Ellen G. White haveria de começar a tomar material alheio lentamente. Em princípios da década de 1840, dois homens que se haviam impressionado com o movimento Millerista eram Hazen Foss e William E. Foy. Supunha-se que, em Setembro de 1844, Foss havia recebido uma visão de que o povo do advento, com suas provas e perseguições, estava no caminho até a Cidade de Deus. Foi-lhe dito que, se recusasse transmitir a mensagem a outros, seria dado ao mais débil dos filhos de Deus. Foy também havia estado em contato com o futuro e havia sido informado acerca disso por escrito e em reuniões públicas desde algum momento em janeiro de 1842. Ellen G. White havia ouvido falar de Foss em Beethoven Hall, na cidade natal dela, Portland, Maine, quando era criança. Posto que estivesse aparentada com Foy por seu matrimônio, no há razão para crer que ela não poderia haver lido u ouvido falar das visões dele, assim como das visões de Foy. Agora o
marco era perfeito tanto para Ellen como para Deus. Os dois
homens recusaram promover as visões e a um deles se lhe havia
dito que Deus lhas daria ao mais débil dos débeis. E quem era
mais débil que Ellen? No começo de 1842, sem ter sequer quinze
anos de idade, tinha muitos problemas emocionais e físicos,
segundo ela mesma conta. Em 1844, todavia, tinha problemas. Sua
confusão emocional e física se agravou pela decepção causada
pelo impulso de Miller até à eternidade. Com algumas dúvidas por
causa de sua idade e sua falta de experiência, ela tomou a tocha
das mãos caídas de Foy e de Foss, lançando-se em sua primeira
visão.8 Foi quase uma cópia em carbono das visões em
que Foy e Foss reconheciam que Deus lhes havia dado, e era tão
fiel ao original que garantia o êxito futuro de um dos casos
mais notáveis de "empréstimos" literários que o mundo jamais tem
visto. Definição de Plagio e Plagiário: Uma edição do dicionário de Webster define um plagiário como se segue: O que
rouba os escritos alheios e os faz passar como próprios...
Apropriação ou imitação da linguagem, das idéias e dos
pensamentos de outro autor, e sua representação como si fosse
sua a própria obra original... O ato de roubar obras literárias
alheias ao se introduzir passagens de escritos alheios e
fazê-los passar como próprios; ladrão literário. Por áspera que pareça, a definição caracterizaria a Ellen na idade de dezessete anos como uma ladra e continuaria definido-a pelo resto de sua vida, com enorme ajuda e estímulo de outros. Parece um juízo mui severo. Muitos dos atuais apologistas de Ellen G. White têm tratado de desembaraçá-la desta situação propondo que, talvez, Deus tem um modelo diferente para os profetas.9 Outros parecem permanecer tranqüilos e satisfeitos com o pensamento de que "todo o mundo o fazia." Parece-lhes haver escapado que, com essa classe de lógica, o céu seria o limite na conduta humana. Outros querem crer que "ela não sabia." Porém, certamente muitos ao seu redor, através dos anos, sabiam, sim, e estavam preocupados. Uriah Smith, um dos primeiros editores, e por muito tempo editor da Review, sabia. Em 1864, apareceu o seguinte, sem autoria, na página editorial: Plágio Esta é uma palavra usada para significar "furto literário," o tomar as produções alheias e fazê-las passar como próprias. Em World´s Crisis de 23 de agosto de 1864, encontramos um fragmento de poesia devidamente intitulado "For the World´s Crisis," e assinado "Luthera B. Weaver." Qual não seria nossa surpresa quando encontramos neste trecho nosso hino familiar: "Long upon the mountain weary Have
the scattered flock been torn." Esta
peça foi escrita por Annie R. Smith, sendo publicada primeiro na
Review, tomo ii, no. 8, de 9 de dezembro de 1851, estando
em nosso hinário desde que saiu a primeira edição. Porém, o pior
de tudo é que a peça havia sido mutilada, sendo suprimida a
segunda e mais significativa estrofe, a saber: "Now the light of truth they’re seeking, In its onward track pursue; All the Ten Commandments keeping. They are holy, just and true. On the words of life they’re feeding, Precious to their taste so sweet, All
their Master’s precepts heeding, Bowing humbly at its feet." Mas, quiçá, isto havia revelado claramente sua origem, pois apenas há alguma classe de pessoas na atualidade, exceto os Adventistas do Sétimo Dia, que tenha algo que dizer acerca de todos os Dez Mandamentos de Deus, etc. Estamos perfeitamente dispostos a que trechos da Review ou de qualquer de nossos livros sejam publicados até qualquer ponto, porém tudo o que pedimos é que se nos façam simples justiça, dando-nos o devido crédito! 10 A honestidade editorial de Smith teve um efeito duradouro no periódico. Em 1922, quando Francis M. Wilcox era editor, a Review publicou dois breves artigos sobre o tema do furto literário. Um deles, sem assinatura, apareceu em uma página editorial sob o título "Are You a Plagiarist? If So, Please Do Not Write for the Review." [É Você Plagiário? Se é assim, não escreva para a Review]. O outro artigo curto, intitulado "Spiritual Plagiarism" [Plágio Espiritual], por J. B. Gallion, era ainda mais específico: Plágio
é o ato, por parte de um ou vários autores, de usar as produções
de outra pessoa sem lhe dar crédito. Por exemplo, se você
escrevesse um artigo no qual inserisse fragmento ou trecho de
"The Psalm of Life" [O Salmo da Vida], ou qualquer parte dele, e
permitisse que se passasse sob sua autoria, como uma produção
sua, em dar crédito ao poeta Longfellow, você seria culpado de
delito de plágio. "Bem," diria você, "todo mundo sabe que
Longfellow escreveu 'The Psalm of Life.'" Muitos o sabem, é
verdade, mas muitíssimos não. Os que são ignorantes desse fato
poderiam ser enganados facilmente; mas, quer saibam ou não, isso
não diminui a sua culpa. Tomou, nesse exemplo, o que não é seu
e, portanto, é culpado de furto literário. Quiçá, não haja senão
uns poucos que sucumbam sob a acusação de plagio no mundo!
12 Em
harmonia com a política "honesta e aberta" da Review, que
parece haver estimulado aos leitores a praticar a honestidade
através dos anos, houve também quem tratasse de demonstrar que
Ellen G. White praticava essa mesma política. Um artigo na
Review, em Junho de 1980 dizia que uma vez que foi dito a
Ellen quão errôneo era fazer o que estava fazendo, ela disse
que, a partir de então, deveria dar-se crédito a quem quer que
deva de ser dado. Um leitor escreveu para a Review
pedindo a data dessa notável conversação e reconhecimento. Esta
é a resposta que o resto do público leitor nunca teve
oportunidade de ver: Se você
solicitar a data em que Ellen G. White deu instruções para que
os autores do material citado fossem incluídos em rodapés de
páginas em seus escritos. A data disto foi aproximadamente 1909.
Se você também perguntar em quais obras posteriores foram
incluídas estas instruções. O único livro ao que se aplicavam
estas instruções era The Great Controversy (O Grande
Conflito), que foi logo republicado com estes rodapés de
página em 1911? 13 Ali o tem você. Em 1909, a data mencionada mais acima, Ellen G. White tinha oitenta e dois anos de idade e lhe faltavam seis anos para chegar à tumba. Em mais de setenta anos de furtar idéias, palavras e frases, nem uma só vez confessou especificamente. Os publicadores fizeram somente uma declaração vaga e genérica em relação com uma revisão The Great Controversy (O Grande Conflito) – e isso somente depois que o próprio livro se havia convertido em causa de controvérsia. Quando estão muito próximos de serem descobertos, a defesa final dos “profetas” e videntes é dizer que Deus lhos fez praticar, que eles vêem e dizem coisas que outros haviam dito e que eles podem vê-las e dizê-las exatamente nas mesmas palavras que outros porque Deus lhas entregou a eles primeiramente. Eles simplesmente não divulgaram a ninguém até que fossem descobertos. Robert
W. Olson, o atual chefe do White Estate, assume esta posição em
um trabalho de 12 de Setembro de 1978, intitulado "Wylie´s
Language Used to Describe What She Had Already Seen Herself May
15, 1887." [A linguagem que Wylie usou para descrever o que ela
mesma já havia visto em 15 de Maio de 1887]. O documento compara
o diário que Ellen G. White escreveu na Suíça, 1887, com uma
citação do livro de James A. Wylie The History of
Protestantism, 1876. Assim consta: 14
A idéia de que Ellen G. White viu tudo primeiro da parte de Deus nas palavras de qualquer um, fosse quem fosse de quem estivesse copiando, não era nova para Olson. Em 1889, em Healdsburg, Califórnia, alguns dos defensores de White debatiam com os membros do grupo ministerial local. Depois de mostrar numerosas comparações de escritores que Ellen havia usado para seu material, os ministros de Healdsburg disseram: O
Ancião Healey queria fazer crer ao Comitê que ela não é uma
mulher que lê. E também lhes pediu que acreditassem que os fatos
históricos e até as citações são dadas a ela em visão, sem
depender das fontes ordinárias de informação. Observe-se que
Wylie dá o devido crédito quando cita a bula papal e que a Sra.
White não o faz. Certamente, é digno de se notar, para dizer o
menos, que Wylie, um escritor não inspirado, foi mais honesto
neste particular que a Sra. White, a qual afirma que todos os
fatos históricos e até as citações lhe foram dados em visão.
Provavelmente, um caso de visão defeituosa. 15 Há ministros aqui, presumivelmente crentes na inspiração e nas visões, que não estavam dispostos a aceitar a idéia de que Deus havia passado por alto aos meios humanos para alcançar às pessoas através de Ellen G. White. O que a maior parte das pessoas faz, quando as coisas, em seu assim chamado fervor religioso, põem-se tão enredadas como o estão Ellen e seus escritos, é culpar a Deus. Adão o fez quando o diabo enganou a Eva. O Adventist White Estate intentou isto quando lhe ocorreu a idéia de que Cristo mesmo estava plagiando um pouquinho quando nos deu a “Regra de Ouro” em Mateus 7:12. Supostamente, obteve-a realmente do Rabino Hillel, que havia tido a idéia uma geração antes.16 Provavelmente, pode ser tecnicamente correto que Deus roube, porquanto se supõe que tudo é seu em primeiro lugar, mas parece uma má lição para o resto de nós. Há duas razões do por quê Ellen copiou material alheio, disse-nos no documento de 1979, do White Estate. A primeira razão é que ela não sabia escrever muito bem. Isto é muito mais novidade para os Adventistas, porquanto por mais de um século têm estado a citar Ellen G. White, suas palavras, frases e parágrafos, palavra por palavra, em suas batalhas escritas e verbais – sempre declarando quão formosa é sua maneira de escrever. A segunda razão é que Deus deixou fora do cânon muito material que era necessário para fazer inteligente todo o assunto.17 Com muita ajuda de seu estado-maior, não obstante, as visões de Ellen foram desdobradas, ampliadas e, para o século XX, havia-se acrescentado muito mais ao Cânon do que até mesmo Deus sabia. Sempre se afirmou que ela nunca acrescentou nada extra ao Cânon. Porém, quando os membros do White Estate somaram todas as palavras que ela escreveu, resultou numa estimativa de 25.000.000 de palavras! Os que se especializam em tais coisas dizem que, ainda sendo liberais com os pontos e outras marcas de pontuação, são muitos cânones! No mesmo artigo de 1979, do White Estate, diz-nos que Ellen G. White provavelmente era com muita freqüência inconsciente do que fazia.18 Nesse caso, talvez estivesse inconsciente grande parte do tempo, porque os membros do Comitê de Glendale, que se reuniram em janeiro de 1980 para examinar a acusação de que ela havia copiado de muitos mais autores ao seu redor do que outros se houvessem inteirado ou pelo menos admitido, com efeito disseram que a quantidade era mais do que eles haviam suspeitado e que era alarmante!19 O último grupo que mais se aproximara de ver e de dizer o mesmo foi a Conferência Bíblica de 1919. Foi afastada do assunto por seu esforço e seu prejudicial informe "perdeu-se" até anos recentes, quando alguém na abóbada tropeçou com a ata das reuniões. (Spectrum, com tudo o seu status independente, publicou esta ata em 1979 sem seguir a formalidade de uma permissão).20 (Ver esta ata no apêndice) O Comitê de Glendale, de janeiro de 1980 – ao qual também fizeram desaparecer tão rapidamente como foi possível – manteve muitas discussões de alto nível sobre qual seria a palavra correta que se devia usar – "tomar emprestado," "plagiar," ou "parafrasear." Nunca se sugeriu nem se mencionou a ninguém (nem sequer no banheiro masculino durante os recessos) a possibilidade de que Ellen G. White poderia haver furtado o material.21 Porém, se a definição de um dicionário de tomar emprestado é aceitável ("tomar ou obter algo com a promessa de devolvê-lo ou devolver seu equivalente"), então nem ela nem seus ajudantes creram jamais que estavam "pedindo emprestado" nada. Não somente se tem negado que ela jamais tomara nada (até que começou a se acumular evidência mais recente de que, sim, fê-lo), senão que sempre se tem dito que Deus o fazia. Em 1867, Ellen G. White disse: Ainda que eu dependa do Espírito do Senhor tanto para escrever minhas visões como para recebê-las, as palavras que emprego para descrever o que tenho visto são minhas.22 Em 1876, haveria de dizer: Em tempos antigos, Deus falou aos homens por boca dos profetas e dos apóstolos. Nestes tempos, fala-lhes por meio dos Testemunhos de seu Espírito.23 Pondo-se a si mesma e colocando a seus escritos em um nível mais e mais elevado, disse, em 1882: Se vós diminuís a confiança do povo de Deus nos testemunhos que Ele vos tem enviado, estão rebelando-se contra Deus tão certamente como o fizeram Coré, Datã e Abirã.24 Com o correr do tempo, estas afirmações cresceram até que ela foi capaz de se exceder a si mesma (1882): Quando fui ao Colorado, senti tal responsabilidade por vós que, em minha debilidade, escrevi muitas páginas para que fossem lidas na reunião ao ar livre [reunião campal]. Débil e trêmula, levantei-me às três da manhã para vos escrever. Deus estava falando através da argila. Vós podereis dizer que esta comunicação era somente uma carta. Sim, era uma carta, porém inspirada pelo Espírito de Deus, para por diante de vossas mentes as coisas que me haviam sido mostradas. Nestas cartas que vos escrevo, nos testemunhos que transmito, apresento-vos o que o Senhor me tem apresentado. Eu não escrevo nem um artigo no periódico expressando somente minhas próprias idéias. Elas são o que Deus tem aberto diante de mim em visão – preciosos raios de luz que brilham desde o trono.25 Logo continuou perguntando: Que voz reconheceríeis como a voz de Deus? Que poder tem o Senhor em reserva para corrigir os vossos erros e mostrar-vos o rumo que levam?... Se recusais crer até que toda sombra de incerteza e toda possibilidade de dúvida tenha sido dissipada, nunca crereis. A dúvida que exige perfeito conhecimento nunca se renderá à fé. A fé descansa na evidência, não na demonstração. O Senhor requer que obedeçamos à voz do dever, ainda quando haja outras vozes por todas as partes ao nosso redor instando-nos a seguir um rumo diferente. Distinguir a voz que fala da parte de Deus requer uma séria atenção de nossa parte.26 Um problema aqui é que Daniel March havia escrito, anos antes, em seu livro Night Scenes in the Bible: Não devemos adiar nossa obediência até que toda sombra de incerteza e toda possibilidade de erro tenham sido dissipadas. A dúvida que exige perfeito conhecimento nunca se renderá à fé, porque a fé descansa nas probabilidades, não na demonstração... Devemos obedecer à voz do dever ainda quando haja muitas outras vozes clamando contra ela, e requer-se uma séria atenção para distingui-la da que fala em nome de Deus.27 As expressões “Foi-me mostrado” fizeram-se hábito, pois a expressão haveria de aflorar uma e outra vez. Mostrou-se-me que uma área que é a causa do deplorável estado de coisas é que os pais não se sentem obrigados a criar seus filhos em conformidade com as leis físicas. As mães amam a seus filhos com um amor idólatra e consentem o apetite deles, embora saibam que prejudicarão sua saúde e que por isso trarão sobre eles enfermidades e infelicidade... Têm pecado contra o Céu e contra seus filhos e Deus lhes pedirá conta. Os administradores e mestres de escolas.28 Se alguém não é dado a se sentir culpado e quer gastar um pouco de tempo observando ao se redor para as obras dos demais, pode ser que encontre o mesmo, sem o "Foi-me mostrado," nas obras de um escritor anterior que Ellen G. White houvera lido ou admirado: Os pais também estão sob a obrigação de ensinar e obrigar seus filhos a se conformarem às leis físicas por amor de si mesmos... Quão estranho e inexplicável é que as mães amem a seus filhos tão ternamente que lhes permitam o que têm ocasião de saber que pode danificar suas constituições e prejudicar sua saúde por toda a vida. Muitas crianças são trazidas ao mundo por estas mães por causa desta cruel bondade. Os administradores e mestres de escola.29 Tais práticas podem ser uma das razões pela qual o White Estate fizera a interessante declaração em sua gravação de 1980 de que algumas de suas afirmações “Foi-me mostrado” eram com pleno conhecimento, de forma segura e deliberada.30 Agora há uma palavra para você. Pode significar que uma razão para que a maioria, senão todas, das afirmações “Foi-me mostrado” nos primeiros escritos de Ellen G. White tiveram que ser substituídas era que as ajudantes de Ellen eram conhecedoras do problema. Em relação às "ajudantes," William S. Sadler haveria de escrever mais tarde que as investigações mostraram que a maioria dos místicos e magos dos tempos modernos havia tomado a "precaução" de se cercar de assistentes adestrados e dignos de confiança."31 Mais adiante conheceremos a alguns dos confiáveis associados de Ellen G. White. O que Sadler não sabia acerca destes assistentes, contudo, é que eles até ajudaram Ellen a "tomar emprestadas" suas visões. Em uma das notáveis ilustrações do engano nos "empréstimos," Ellen haveria de escrever um artigo na Review and Herald de 4 de abril de 1899, que mais tarde apareceria em seus Testemunhos Para a Igreja, Dizia: Na reunião ao ar livre de Queensland, em 1898, foram-me dadas instruções para nossos Obreiros Bíblicos. Nas visões da noite, os ministros e obreiros pareciam estar em una reunião na qual se estavam dando lições bíblicas. Dissemos: "Hoje teremos o Grande Mestre conosco," e escutamos Suas palavras com interesse. Ele disse: "Há uma grande..."32 O fantástico acerca do artigo é que a maior parte do material foi tomada do livro The Great Teacher [O Grande Professor], escrito por John Harris em 1836. Por conseguinte, ela parece estar essencialmente pondo as palavras de John Harris na boca de Deus como se fosse sua própria visão. Porém, realmente não é assim. As palavras que ela copiou foram escritas em realidade na introdução ao livro de Harris por Herman Humphrey, o qual, como Presidente do Amhurst College, escreveu a introdução para seu amigo Harris.33 Os
modernos Adventistas tiveram a oportunidade de lançar um olhar
sobre este fiasco no periódico denominacional, Review and
Herald, mas em nenhuma parte do periódico se admitiu que
Harris também houvesse sido enormemente útil a Ellen G. White
quando escreveu Desire of Ages [O Desejado de Todas as
Nações], Acts of the Apostles [Atos dos Apóstolos],
Fundamentals of Christian Education [Fundamentos da
Educação Cristã], Counsels to Teachers [Conselhos aos
Professores], assim como outras obras suas.34
Nenhuma atitude ensaiada por parte da Review poderia
explicar satisfatoriamente como Harris e seu Great Teacher
[O Grande Professor] se converteram em Deus, o Grande Mestre,
através de Ellen G. White. E esta transição teve lugar mais de
uma vez sob a pluma de Ellen.35 1. Levítico 24; Neemias 13; Atos 5. 2. Donald R. McAdams, "Shifting Views of Inspiration: Ellen G. White Studies in the 1970s" [Diferentes Pontos de Vista Sobre a Inspiração: Estudos Sobre Ellen G. White na Década de 1970], Spectrum 10, no. 4 (Março de 1980): 27-41. 3. Robert W. Olson, "Ellen G. White´s Use of Uninspired Sources"[O Uso de Fontes Não Inspiradas por Parte de Ellen G. White], fotocopiado (Washington: Ellen G. White Estate, 9 de Novembro de 1979), pp. 18-18. Conferências posteriores e fotocópias, que os membros do White Estate fizeram circular, ampliaram mais o tema dos empréstimos bíblicos. 4. Dudley M. Canright, Life of Mrs. E. G. White: Seventh-day Adventist Prophet; Her False Claims Refuted [Vida da Sra. Ellen G. White: Profetisa dos Adventistas do Sétimo Dia; Suas Falsas Afirmações Refutadas] (Cincinnati: Standard Publishing Company, 1919), pp. 18-31. 5. Wayne Cowdrey, Donald R. Scales, Howard A. Davis, Who Really Wrote the Book of Mormon? [Quem Escreveu Realmente o Livro de Mórmon?], (Santa Ana, CA: Vision House, 1977). Este livro dá uma direção na qual há também disponíveis gravações em fita sobre o tema. 6. Canright, Life of Mrs. E. G. White [Vida da Sra. E. G. White], pp. 25-31. 7. Francis D. Nichol, ea., Seventh-day Adventist Encyclopedia [Enciclopédia Adventista], Commentary Reference Series, 10 tomos. (Washington: Review and Herald Publishing Association, 1976), tomo 10, p. 474. 8. E GW, Life Sketches of Ellen G. White [Esboços da Vida de Ellen G. White] (Mountain View; Pacific Press Publishing Association, 1915), pp. 26-31. EGW, Christian Experience and Teachings [Experiência e Ensinamentos Cristãos], (Mountain View: PPPA, 1522), pp. 57-61. Jack W. Provonsha, "Was Ellen White a Fraud?" [Foi Ellen White Uma Fraude?], fotocopiado (Universidade de Loma Linda, Divisão de Religião, 1980). 10. [Uriah Smith, ed.] "Plagiarism" [Plágio], Review 24 (6 de setembro de 1864): 120. 11. Francis M. Wilcox, ed., "Are You a Plagiarist?"[É Você Um Plagiário?], Review 99 (23 de Março de 1922): 32. 12. J. B. Gallion, "Spiritual Plagiarism" [Plágio Espiritual], Review 99 (23 de Março de 1922): 21. 13. Carta da Review a [seud.] (29 de Julho de 1980). 14. Robert W. Olson, "Wylie´s Language Used to Describe What She Had Already Seen Herself" [A Linguagem de Wylie Usada Para Descrever o que Ela Mesma Já Havia Visto]. Ms. #655 autorizado para sua publicação, fotocopiado (Washington: EGW Estate (12 de Setembro de 1978). Esta autorização do White Estate cita o Ms. 291887 de EGW ("Diary-Labors in Switzerland-8") escrito em Basiléia desde 1 de janeiro a 15 de Maio de 1887; e James A. Wylie´s The History of Protestantism, tomo 1, 1876, pp. 435-436. 15. [Healdsburg] Pastors´ Union, "Is Mrs. E. G. White a Plagiarist?" ["É a Sra. E. G. White Uma Plagiária?"] Healdsburg [Califórnia] Enterprise, 20 de março de 1889, p. 1. 16. Olson, "EGW´s Use of Uninspired Sources"[Uso de Fontes Não Inspiradas Por Parte de EGW], pp. 16-19. 17. Ibid., pp. 7-9. 18. Ibid., p. 12. 19. Glendale Committee, "Ellen G. White and Her Sources" [Ellen G. White e Suas Fontes], fitas, 28-29. 20. [Conferência Bíblica], "The Bible Conference of 1919" [A Conferência Bíblica de 1919], Spectrum 10, no. 1. 21. Fitas do Glendale Committee (1980). 22. EGW, Selected Messages [Mensagens Escolhidas], 3 livros. (Washington: RHPA, 1958-58-80), livro 1, p. 23. EGW, Testimonies for the Church [Testemunhos Para a Igreja], tomo 4, pp. 147-48. Testimony 27 (1876). 24. EGW, Íd., tomo 5, p. 66. Testimony 31 (1882). 25. EGW, Selected Messages, livro 1, p. 27. 26. Ibid. 27. Daniel March, Night Scenes in the Bible [Cenas Noturnas na Bíblia] (Philadelphia: Zeigler, McCurdy & Co., 1923), p. 88. 28. EGW, Testimonies, tomo 3, p. 141. Testimony 22 (1872). 29. Larkin B. Coles, Philosophy of Health: Natural Principles of Health and Cure [Filosofía da Saúde: Princípios Naturais da Saúde e a Cura] (Boston: William D. Ticknor & Co., 1849, 1851, 1853), pp. 144-145. 30. Autorização do White Estate para publicação, na sessão da Conferência Geral de 1980, em Dallas, Texas. Entrevista de Robert Spangler com Robert Olson e Ron Craybill. 31. William S. Sadler, The Truth About Spiritualism [A Verdade Sobre o Espiritismo]. (Chicago: A. C. McClurg & Co., 1923). p 88. 32. John Hams, The Great Teacher (Amherst: T. S. & C. Adams, 1836: Boston: Gould and Lincoln, 1870) pp. 14-18: Veja-se também EGW, Testimonies for the Church, tomo 6, pp. 58-60. 33. Ibid. 34. Veja-se Apêndice, também Review and Herald, 2 de abril de 1981, "Did Mrs. White 'Borrow' in Reporting a Vision?"['Tomava Emprestado' a Sra. White ao Informar Uma Visão?] p. 7. 35.
Veja-se EGW, Testimonies to Ministers, (Mountain View,
Pacific Press Association, 1923), p. 193; John Harris, The
Great Teacher, p. 58.
Capítulo 4. O mundo "se fixará pouco e não recordará por muito tempo" (para usar a frase de um famoso presidente) o que Ellen escreveu nas décadas de 1850 e 1860. Com a "amalgama de homens e bestas," a Torre de Babel construída antes do dilúvio, e as idéias incorretas, à luz dos atuais conhecimentos, sobre a formação do carvão e as causas dos terremotos, vulcões, e erupções, não seria nenhum exagero dizer que muitos de seus escritos não foram muito populares. Não há evidência de que a obra que continha tudo isto, Spiritual Gifts (tomos um e dois), convertesse-se num sucesso de livraria.1 Em defesa dos Gifts, é apropriado assinalar que a organização Adventista ainda não tinha aperfeiçoado seu sistema de tipografias, colportores, livros de conferências, casas bíblicas, órgãos de propaganda eclesiástica, e um exército de obreiros pagados como os que se usam agora para catequizar à igreja e ao mundo. Porquanto só tinha como 3,000 Adventistas nesse tempo (muitos dos quais não sabiam ler), a Spiritual Gifts parece ter-lhe ido tão bem como poderia esperar-se. Algumas outras incursões na atividade de imprimir tiveram ainda menos sucesso. Houve muita controvérsia a respeito da impressão de algumas das primeiras idéias de Ellen no pequeno folheto chamado "A Word to the Little Flock" [Uma Palavra à Manada Pequena] (publicado por Tiago White em 1847) em apoio de suas visões da "porta fechada," bem como acerca de contradições sobre questões relativas às visões.2 Em impressões posteriores, tanto A Word como outra publicação periódica chamada Present Truth (publicado desde Julho de 1849 até Novembro de 1850) teriam de passar por várias etapas de revisão que acordariam dúvidas nos anos por vir.3 É justo que nos apressemos a explicar que todo este reordenamento da história e da teologia era novo para Ellen. Já que Deus não lhe tinha dado muito material para trabalhar, isso poderia ajudar a explicar um pouco de a confusão. Em realidade, às vezes pareceria que até Deus se confundiu, porque ela teria de fazer-lhes saber aos demais que Deus lhe tinha mostrado que "Sua mão cobriu um erro em algumas das cifras" de 1843.4 Da mesma maneira, a ela se lhe tinha mostrado que "o tempo durante o qual Jesus estaria no Lugar Santíssimo quase tinha terminado, e que não duraria senão um pouquinho mais."5 Até os anjos se viram envolvidos no assunto inteiro na visão de Junho 27, 1850: "Meu anjo acompanhante disse: 'O tempo quase terminou...' então vi que as sete últimas pragas cedo teriam de ser derramadas."6 Para que ninguém tivesse a impressão de que estas eram afirmações mais bem gerais, para serem tomadas às presas ou filosoficamente, adicionava-se que "o tempo quase terminou, e o que a nós nos tomou anos aprender, eles terão que o aprender nuns poucos meses."7 Todo este transfundo de atirar e rechear levou aos Adventistas a uma interessante discussão da profecia e os com freqüência extremos pronunciamentos de Ellen. Esta classe de pronunciamentos, que veio chamar-se "profecia condicional," está detalhada no Seventh-day Adventist Commentary.8 Uma tradução livre de seu arrazoamento diz mais ou menos assim: Deus, que pode ver o fim desde o princípio, pode que não veja todo o fim desde o princípio. Com sua visão míope, Deus tem que cobrir sua aposta se declara sua posição em qualquer momento, porque muito nesta área é uma aposta. Se os acontecimentos piorassem de repente, e não se conformassem ao registro ou a sua interpretação, são as circunstâncias as que se equivocaram, não Deus. Assim, com uma moeda como a profecia condicional, todos os oráculos de Deus podem estar seguros de que eles ganham se sai cara e que você perde se sai selo. Mas os arautos e Deus têm sempre a razão em qualquer caso. Um dos melhores exemplos desse tipo de argumentação foi a afirmação a respeito de alguma informação confidencial que Ellen recebeu de um anjo em 1856: Se me mostrou a gente que estava presente na conferência. Disse o anjo: "Alguns serão pasto dos vermes, alguns estarão sujeitos às sete últimas pragas, e alguns estarão vivos e permanecerão sobre a terra para serem trasladados à vinda de Jesus.”9 Esta afirmação, mais do que a maioria das demais, proporcionou a base para muitas investigações. Um pode ver em seguida o enorme interesse que surgiria, e surgiu, a respeito de quem estava nessa reunião, que idade tinha nesse momento, quantos estavam vivos ainda, quem tinham experimentado o que lhe sucede a toda carne, e se alguns tinham sido postos numa categoria errônea e poderiam ser ressuscitados de alguma maneira especial para serem incluídos em outra categoria. Estas intermináveis discussões fizeram óbvio, por eliminação, que na década de 1980 alguém deveria estar na faixa de idade de 130 anos para cumprir a condição, ainda que alguns digam ainda que isso não é impossível para Deus - uma afirmação que uno não quereria criticar, porque Deus pesa no lado oposto. Ainda com a ajuda do poeta John Milton e seu Paradise Lost, as coisas não saíram bem. Um cuidadoso exame em anos recentes revelou muito estreitos paralelos entre os escritos de Ellen White e o Livro de Jaser - um livro mencionado na Bíblia, mas que nunca foi parte dela. Francis D. Nichol (escritor do século XX, editor do Review, e firme defensor de Ellen), também admitiu que ela estivesse em dívida com o Segundo Livro de Esdras (apócrifo), outro livro antigo que não foi incluído no Cânon das Escrituras Sagradas, mas ao qual Ellen pôs nesse nível. Certas afirmações suas sobre acontecimentos dos últimos dias utilizam um pouco da terminologia e da linguagem pictórica de Esdras e adicionam cor, se não autoridade, a suas descrições.10 Mas as coisas mudaram nas décadas de 1850 e 1860. Apesar da ajuda que recebia dos que a rodeavam (e dos anjos que continuavam entrando e saindo), agora ela adquiriu uma nova habilidade que teria de dar a pauta para o resto de sua vida. Apesar de sua educação de terceiro grau, sabia-se que lia, e os registros subseqüentes mostram que lia e lia e lia. Na década de 1970, soube-se que tinha sido instruída nesta arte por aproximadamente quinhentos livros e artigos em sua biblioteca e nas bibliotecas que se puseram a sua disposição. Investigações ainda mais adiantadas indicam do que se usou mais material do que aquele do que estavam inteirados ainda os membros da plana maior do White Estate – e eles tinham crido que sabiam tudo sobre essas coisas. Também para este tempo, ela tinha aprendido um estilo mais liberal de copiar, que veio ser conhecido, desde então até o presente, como tomar emprestado. Sem importar este tipo de ajuda humana -- um punhado ou mais de assistentes, editores de livros, secretárias e ajudantes – Ellen White sempre insistia em dizer que todo vinha de Deus. Já para o segundo tomo de Spiritual Gifts (1860), disse: "Eu dependo do Espírito do Senhor tanto para relatar ou escrever as visões, como para tê-las. É-me impossível recordar as coisas que se me mostraram, a não ser que o Senhor mas presente no momento em que a Ele lhe aprouver motivar-me a relatá-las ou escrevê-las.”11 Esta assombrosa declaração ia muito além do que os escritores bíblicos jamais reclamaram para si mesmos; e, em realidade, ia muito além de qualquer coisa do que ela tivesse afirmado jamais. Este chamado às armas foi contagioso. Outros se fizeram eco do clamor e o têm estado usando desde então. George A. Irwin (presidente da Conferência Geral Adventista desde 1897 até 1901) seguiu o exemplo dela ao afirmar num tratado titulado "The Mark of the Beast" (1911) que:
Ninguém se opôs a esta asseveração nesse momento. Isso mostra até onde e quão rapidamente pode chegar uma jovem de um povo incipiente se tem as conexões corretas. Como Ellen mesma seguia dizendo-lhe a todo o mundo, suas conexões iam até o mais alto. Foram necessárias umas poucas purgas para arrumar as coisas um pouco e pôr ordem entre os rapazes no quarto de atrás, os que poderiam ter algumas dúvidas a respeito do que tinham visto e ouvido, mas isso era um assunto de pouca monta. 13 Uma das armas favoritas no arsenal de um psíquico é invocar juízos sobre a cabeça do desertor, e Ellen se sentia em seu elemento nesta área de combate. Não muitos dos posteriores membros da igreja sabiam que, com freqüência, seus "depoimentos" eram enviados à imprensa ou ao púlpito antes de ser entregues pessoalmente àqueles que estavam sendo repreendidos. Este hábito de fazer público o que com freqüência estava baseado em rumores ou mexericos, deixando pouco ou nenhum lugar para que o acusado se defendesse, geralmente fazia de Ellen uma ganhadora. Respondendo ao convite que fez circular aos que tivessem perplexidades em relação com seus depoimentos, dizendo-lhes que lhe escrevessem a respeito de suas objeções e críticas, os médicos Charles E. Stewart e William S. Sadler lhe escreveram a Ellen e lhe expressaram suas objeções a sua prática de publicar suas repreensões, dizendo-lhe que era antibíblica e errônea. Mas, até onde se sabe, ela nunca recolheu o desafio para contestar-lhes, como tinha dito que o faria.14 Outros cedo encontraram que era inútil lutar contra Deus, pelo menos em público. Uriah Smith o descobriu - e o disse assim, em sua tentativa de sobreviver como editor do Adventist Review. Para 1883, soube que o jogo tinha terminado. Ainda que tivesse expressado suas reservas acerca de obras de arte que Ellen estava produzindo, disse:
É interessante ler, tantos anos depois, que na Conferência Bíblica de 1919 os professores de religião da escola superior chegaram a uma conclusão parecida, mas vacilaram em fazer nada que pudesse resultar na ruptura de um corpo muito maior.16 Novamente, para mostrar que, para finais da década de 1870 e finais da de 1880, tinha muito pouco terreno intermédio no caso de Ellen White, Smith escreveu o 16 de Abril:
O 31 de Julho desse mesmo ano, Smith novamente deu evidência de que não podia competir com Ellen:
Outros teriam de sentir a ira dela em seus "depoimentos," e sua vitória era tão segura como a de qualquer doutor bruxo, antigo ou privado. Mas, antes de cair por última vez, Smith (como o tinham feito outros antes que ele e o fariam outros por longo tempo depois dele) tratou de salvar sua razão e seu orgulho dizendo: "Agora tenho que distinguir entre 'depoimento' e 'visão.'"19 Tinha estado claro para a maioria, ainda antes que Smith fosse detento, que Ellen estava ganhando. Muito antes que caísse por última vez o pano sobre o ato de Uriah Smith, soube-se que Ellen estava orquestrando a música e dirigindo a banda ao mesmo tempo. Outros se levantariam para pôr em dúvida o correto das anotações, mas ela estava a cargo, e continuaria estando-o. As afirmações se voltariam mais escandalosas à medida que passassem as décadas, e as vozes dos extremistas soariam mais estridentes para os que estavam dentro ou fora do redil, os que não aceitavam que ela e seus escritos tivessem a última palavra em pouco mais ou menos qualquer coisa e todas as coisas. Os extremistas teriam de perder só uma batalha na guerra pelo controle da mente da gente. Isso teve lugar para enfrentar as crescentes críticas da década de 1940 e de 1950, quando proeminentes grupos evangélicos foram a Washington para examinar o Adventismo por si mesmos. Um grupo de dirigentes anônimos publicou um livro chamado Seventh-day Adventists Answer Questions on Doctrine [Os Adventistas do Sétimo Dia Respondem Perguntas Sobre Doutrina] (comumente conhecido como Questions on Doctrine) [Perguntas Sobre Doutrina]. O livro foi desenhado para convencer aos amigos visitantes que Ellen White não era a santa patrona da Igreja Adventista do Sétimo Dia; que seus escritos não estavam ao mesmo nível que os escritos do cânon; que sua inspiração não era a dos escritores do Cânon; e que a igreja não a considerava intérprete das Escrituras, senão todo o contrário. Todo isto se disse muito clara e fortemente em Questions on Doctrine.20 À direita radical lhe tomou quase vinte e cinco anos de trabalhar, esperar, e infiltrar posições para regressar com força. Em 1980, a Conferência Geral, em sessão em Dallas, Texas, meteu à força uma tabela na plataforma espiritual da igreja, e lhe disse a todos os que sabiam ler que Ellen White era realmente a santa da igreja, e que Ford, Brinsmead, Paxton, e todos os australianos e norte-americanos, ou qualquer que viesse, teria que escolher vir à igreja, e de fato vir ao Cânon e A Deus mesmo, através dos escritos daquela jovem de povo novo, oriunda de Gorham, Maine - Ellen Gould (Harmon) White.21 Tinha-se precisado longo tempo, mas ela tinha tido sucesso. Os extremistas que prevaleceram sobre os delegados para que adotassem a tabela teriam de usá-la quase em seguida como arma contra Ford, o mestre-erudito australiano que estava sendo submetido a juízo no que estava em jogo suas obras, sua reputação, e (alguns criam e esperavam) até sua vida. Como Uriah Smith antes que ele, Ford teria de perder, principalmente porque desejava salvar algumas das obras de Ellen e diminuir a autoridade da maioria delas. Como Smith antes que ele, desejava separar, pelo menos em seu próprio pensamento, os depoimentos das visões . Mas seus juízes (e todos os subseqüentes artigos do Review) teriam de aclarar que era ou todo ou nada - que a Igreja Adventista do Sétimo Dia realmente crê, como o tinha indicado George Irwin em seu tratado de 1911, que Ellen tinha sido canonizada como a intérprete divina e infalível da doutrina e pensamento Adventistas. A sorte estava jogada. Ou, para dizê-lo de outra maneira, tinha-se cruzado o Rubicão. Ou as pontes tinham sido queimadas às suas costas. Em todo caso, a Igreja Adventista do Sétimo Dia permanecia nua e só ante o mundo - como um culto - em sua crença de que a salvação é mal possível e que as Escrituras em realidade são impossíveis como guia para Cristo e o Evangelho, exceto através de Ellen. Um movimento que tinha começado com visões extremas em 1844, fechando a porta a todos os demais exceto seus próprios membros, novamente, como mais 140 anos tarde, tinha tomado o caminho do extremismo - desafiando todos os esforços para abrir aquela porta fechada; fechando-a com violência novamente (de ser possível, para sempre); declarando uma vez mais do que eles eram os salvos, os custodiadores das chaves, o epítome da perfeição humana. O povo de Deus e todos os demais teriam que começar a subir as escadas dos escritos de Ellen de joelhos, como a viagem de Lutero na Antigüidade, se é que tinham algum propósito de atingir o céu. Pode ser que a história tenha chegado à conclusão de que Ellen tinha algum poder clarividente, e não só na maneira que outros tinham vindo aceitar. É possível que no começo da década de 1870 - quando o caminho ficou livre da maior parte da oposição verbal, e ela iniciou sua mais significativa tarefa de realinhar a história e seus eventos segundo seus conceitos, e de reescrever as Escrituras segundo suas visões - ela visse o resultado final, se tudo saía bem. E o registro mostra que sim saiu bem para alguns. Demasiado bem, talvez. A maioria dos que avançaram até esse ponto, agora parecem ficar-se sós, tal qual somente Ellen com seu troféu. Quiçá a ela lhe teria gostado isso, porquanto viveu solitária e com freqüência escreveu sobre isso e lhes disse a seus seguidores que o antecipassem e se prepararam para isso. Não estão disponíveis as atas de nenhuma reunião em que se completaram os planos formais para produzir o material escrito nas décadas de 1870 e de 1880. Quiçá não ocorreram tais reuniões, nem nenhuma pressa para o juízo, só uma lenta evolução. Para este tempo, os escritos de Ellen incluíam a muitos autores, que reforçaram seus relatos do passado e sua visão dos eventos que teriam de ter lugar no futuro. A idéia estava mais bem expressa na introdução aos quatro tomos que tentavam fazer o trabalho: Prefácio à Edição Reimpressa
As palavras claves neste prefácio são "foi substituído pela série Conflito dos Séculos, ainda mais expandida, e, para sua autora, mais satisfatória." Os Adventistas do século vinte geralmente não se inteiraram de que a Série Conflito fora uma expansão de nada. Ainda que se tivesse aceitado que Ellen tinha feito algum trabalho preliminar ao reescrever a história e a teologia, muito poucos tinham adivinhado que os quatro primeiros livros do Espírito de Profecia eram realmente um rascunho do trabalho. Obviamente, se os primeiros livros passaram a prova para sua autora e seus ajudantes, aqueles, os livros, se converteriam num fundamento mais firme e mais forte para qualquer revisão de pensamento do que a igreja tivesse do que ser condicionada para aceitar. Se a declaração nesse prefácio se tivesse feito antes que tivessem passado entre oitenta e noventa anos depois do acontecimento, possivelmente teria ajudado a aclarar alguns dos problemas que estavam começando a aparecer no copiado de Ellen. Se todo o pessoal tivesse trabalhado com ela, e se todos os que notaram similitudes com materiais que tinham sido vistos em sua posse tivessem sido conscientes de que ela havia lançado mão de grandes porções de material alheio, o banquete que tinha sido servido em nome de Deus poderia não ter sido um piquenique assim. Mas Ellen não estava pondo toda a comida na mesa de uma só vez, caso contrário os convidados poderiam ter suspeitado. A
afirmação também teria de expandir a mentira branca, pois essas
poucas páginas do "diminuto" Spiritual Gifts em maneira alguma
poderiam ter sido chamadas páginas de tamanho completo. Quando
se lhes compara com o produto terminado da Série Conflito,
teriam de consistir só de como um terço à metade da amplificação
posterior. O que isto significa, então, é que o último
comentário sobre o Antigo Testamento, dado em sua Série Conflito
final, que adicionava centos e centos de novas idéias e
pensamentos não incluídos nas Escrituras começou com 75 a 90
páginas de idéias na produção de 1858. Mais tarde, estas
iluminações teriam de cobrir mais de 25 milhões de palavras!
Como esta expansão teve lugar é do que trata o resto deste
relato. 1 . Os primeiros dois tomos de Spiritual Gifts se publicaram em 1858 e 1860, e os últimos dois em 1864. Uma reprodução em fac-símile dos quatro tomos (em dois livros) foi emitida e protegida pelo direito de autor em 1945. 2 . Tiago White, Edit., A Word to the "Little Flock" (Brunswick, Me: impressão privada, 1847). Em anos recentes, uma reprodução em fac-símile deste folheto de 24 páginas foi emitida pelo "staff" do Ellen G. White Estate. Além disto, tinha um apêndice que consistia em duas páginas de notas pelo "staff" do White Estate, mais quatro páginas de comentários e explicações por Ellen White em sua Ms. 4 de 1883. 3 . Tiago White, Edit., Present Truth, Julho de 1849 a Novembro de 1850. 4 . Ellen G. White, Early Writings (Washington: Review and Herald Publishing Association, 1882), p. 64. 5 . Ibid., p. 58. 6 . Ibid., p. 64. 7 . Ibid., p. 67. 8 . Francis D. Nichol, Edit., Seventh-day Adventist Commentary, 7 tomos. (Washington: RHPA, 1953-57), tomo 4, s.v. 9 . EGW Testimonies for the Church, 9 tomos. (Washington: RHPA, 1885-1909). 10 .
The Book of Jasher; mencionado em Josué e Segunda de Samuel
(New York: M. M. 11. EGW, Spiritual Gifts, tomo 2, p. 293. 12 . George A. Irwin, "The Mark of the Beast," folheto (Washington: RHPA, 1911). Irwin foi presidente da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia 1899-1901. 13 . Ingemar Linden, The Last Trump (Frankfurt am Main: Peter Lang, 1978), p. 203. Linden citação informação dos diários de George W. Amadon. 14 . Charles E. Stewart, A Response to an Urgent Testimony from Mrs. Ellen G. White, folheto expandido de sua carta de 8 de Maio de 1907 (n. p. [impressão privada], pref. 1 Outubro de 1907. Com freqüência chamado “o livro azul.”). 15 . De Uriah Smith para D. M. Canright, 11 de Março de 1883. 16 . [Conferência Bíblica], "The Bible Conference of 1919," Spectrum 10, não. 1 (Maio de 1979): 23-57. 17. De Smith para Canright, 6 de Abril de 1883. 18 . De Smith para Canright, 31 de Julho de 1883. 19 . De Smith para Canright, 7 de Agosto de 1883. 20 . [Os Adventistas do Sétimo Dia], Questions on Doctrine (Washington: RHPA, 1957), pp. 7-10, 89-91. No título da página, a preparação deste livro se atribui a "Um grupo representativo de dirigentes, instrutores bíblicos, e editores Adventistas do Sétimo Dia." Em alguns círculos, este grupo é conhecido como FRAN, uma espécie de acrônimo de Leroy E. Froom, Walter L. Read, e Roy Allan Anderson. 21 . Fundamental Beliefs of Seventh-day Adventists - Church Manual Revisions. [Crenças Fundamentais dos Adventistas do Sétimo Dia - Revisões do Manual de Igreja]. Advent Review, Maio 1, 1980, p. 23. 22 .
EGW, The Spirit of Prophecy, 4 tomos. (Battle Creek:
Review and Herald, 1870-77-78-84. Reprodução em fac-símile,
(Washington, RHPA, 1969), tomo 1, pref. à reprodução em
fac-símile de 1919.
Capítulo 5.
Patriarcas e Profetas
Ellen e seu "staff" estiveram bem atarefados desde 1860 até 1880. Talvez recordando o livro que lhe tinha presenteado J. N. Andrews, ela baixou Paradise Lost daquele "estante alto" e se pôs a trabalhar em sua visão do grande conflito, que teria de ser o tema, não só de um livro, senão de todos os quatro tomos do Espírito de Profecia (predecessor da Série Conflito dos Séculos).1 O Paradise Lost de John Milton foi de grande ajuda para ela. As idéias de Milton a respeito da luta em favor da justiça nos tribunais celestiais, bem como algumas de suas mesmas palavras, foram entrelaçadas em cenas tão vívidas que ainda hoje dia algumas pessoas sofrem pesadelos quando as lêem. A história de Ellen expande o poema de Milton e comenta, não só a guerra no céu, senão também a guerra na terra, de princípio a fim. Satanás está em controle a maior parte do tempo, entrando e saindo dos acontecimentos humanos, onde quer que Deus o permita, e causando confusão geral, até que receba seu merecido castigo nas sete últimas pragas, a destruição da terra, e a queda final do pano, o lago de fogo. Agora, tudo isto pode soar-lhes familiar a alguns – e de fato era. Outros, incluindo o Cânon, tinham usado este tema em maior ou menor grau. Mas os leitores de Ellen teriam de pensar que suas descrições eram mais brilhantes, mais claras, e mais autênticas que todas as que se tinham conhecido antes. A Review e outros veículos publicitários Adventistas teriam de anunciar seus escritos e suas "visões" como o maior em existência.2 E tenho aqui que a gente começou a comprar. O primeiro tomo do Espírito de Profecia (1870) teria de seguir o bosquejo geral da impressão anterior do pequeno Spiritual Gifts, mas era muito mais "expandido.” Não foi só em teologia que Ellen viu coisas que os demais podem ou não ter visto antes. Nesta época, começou a incursionar em questões de saúde. Neste tema, novamente, como sucedeu com o Paradise Lost de Milton, aquele "estante alto" foi de ajuda. Alguns de seus contemporâneos desse tempo escreviam sobre o tema da saúde, como Jackson, Trall, Couves, Shew, Graham, Alcott, e outros.3 A alguns deles, ela os tinha conhecido mais do que casualmente, e se falava de que não devolvia o que tomava, o que, de acordo com o dicionário, era roubar. A esta crítica, ela contestava:
Outros, como antes no caso de Paradise Lost, teriam de indicar:
Como o neto, Arthur, teria de dar a entender quase mais cem anos tarde, Ellen teria de dizer que ela recebeu as "verdades" primeiramente, ainda que estudos subseqüentes mostrassem que as idéias fossem as mesmas e que a linguagem que as expressava fosse muito parecida com o que outros tinham usado primeiro. Poderia ter sido o antigo argumento de que ocorreu primeiro a galinha ou o ovo. Ellen disse:
Ronald L. Numbers, em Prophetess of Health [Profeta da Saúde], faz um trabalho plausível ao mostrar que as partes que Ellen "extraiu" compunham grande parte do todo, e que em alguns casos o todo era mais do que a soma das partes – uma equação que é tão difícil de crer em religião como em matemáticas.7 Não era só em questões de saúde que surgiam conflitos. Esses "depoimentos" receberiam muitas críticas. Nos primeiros tempos, tinha quem pensavam que Tiago White poderia estar influindo em sua esposa a respeito de seus escritos ou poderia estar expressando ele mesmo uma ou duas idéias sob o nome dela. Não há nada tão mágico como um selo para dar-lhe peso e autoridade às coisas, e ela era o selo. Por outra parte, James pensava que outros faziam o mesmo com Ellen e poderiam estar tomando-lhe vantagens:
John Harvey Kellogg, um protegido dos White, teve algumas destas mesmas queixas por anos. Pensou que demasiadas pessoas estavam fazendo demasiadas coisas em nome da inspiração de Ellen e seus escritos. Anos mais tarde, quando foi entrevistado por alguns dirigentes da igreja, disse:
O que em essência parece estar dizendo é que alguns dos rapazes tinham conseguido um selo com o nome de Ellen, e estavam selando com ele algumas coisas. Mais tarde durante a entrevista, Kellogg teria de assinalar a William C. White, filho de Ellen, como o culpado em alguns casos:
Anos depois, se argumentaria que as afirmações do bom doutor se fizeram depois de que ele tinha rompido com os White e com a igreja, e que, portanto estes comentários não eram confiáveis. Sugerir-se-ia que ele tinha motivos ulteriores e não deveria ser considerado como uma testemunha qualificada, ainda que se reconheça que tinha recebido honras junto com os que estavam no poder, que ele tinha tido o privilégio de sentar-se em reuniões da plana maior, e que ele pessoalmente tinha estado muito perto de Ellen. As críticas de Kellogg poderiam ser válidas se só ele tivesse visto e dito o que viu e disse. Mas não estava só. William S. Sadler, outro bem conhecido médico e amigo pessoal da família White, também havia reconsiderado os métodos usados e as desculpas oferecidas em nome de Ellen e a inspiração. Em Abril de 1906, teria de recordar-lhe a ela alguns dos problemas que tinha visto através dos anos nos escritos e na conduta dela. Esta carta se escreveu enquanto ele continuava sendo em grande parte crente e sustentador de Ellen e em resposta ao próprio convite dela a fazer perguntas. Como outros, ele também tinha ouvido a voz de Ellen. Mas, como Isaac antes que ele, tinha descoberto que as mãos eram as mãos de outro, as de Will White. As afirmações de Sadler aclaram que grande parte da licença tinha sido eliminada durante vinte anos ou mais:
Se Sadler tivesse sabido o que outros tinham averiguado – que, além disso, a mão de Willlie estava na tramóia, Ellen e seus ajudantes também estavam envolvidos na preparação de algum livro altamente criativo usando materiais alheios – seguramente se teria sentido ainda mais perturbado. Outros teriam de propor o problema em anos posteriores, mas suas perguntas, como as de Sadler, nunca foram contestadas a satisfação de ninguém, nem que se saiba. Para as décadas de 1870 e 1880, alguns estavam distinguindo, em seus pensamentos, entre um "depoimento" (isto é, na forma de uma carta privada da profetisa), e o material que era copiado e adaptado de outros escritores e posto em seus livros como se fora dela. Ellen não aceitava esta separação. Escreveu-lhe à igreja de Battle Creek em 1882:
A transição era agora completa. Ellen tinha chegado. Tinha atingido sua posição de autoridade, e esta não teria de ser questionada. Suas cartas, fossem privadas ou para serem publicadas logo, suas cópias de material alheio, suas palestras sobre qualquer tema, em realidade, quase qualquer coisa que pudesse baixar daquele "estante alto”, seria agora considerada como procedente de Deus e abençoada por seu Espírito. Nenhum demandante em religião lhe pediu jamais à gente um cheque em alvo assim, com uma assinatura sem certificar. Mas esta demandante o fez. E até a data, a maioria dos Adventistas nunca questionou seu aceite nem sua capacidade para satisfazer sua demanda. Não só se consideram inspirados os "depoimentos" (incluindo os que foram copiados, em porções de até cem por cento, senão que se considera que quaisquer escritos que se sabe que ela aprovou, ou tocou, ou perto dos quais esteve enquanto viveu, têm algum significado especial ou “inspiração”. Até o que ela não incluiu quando copiou se considera significativo. Indicou-se que - como Gutzon Borglum (o escultor dos rostos de Mount Rushmore, quem desde o vale abaixo supervisionava toda a remoção da rocha) - Ellen dirige, por meio de algum radar celestial, todo o material que sai sob seu nome, já seja que alguma vez o visse ou o reconhecesse como seu ou não.13). Com um aceite como jamais se lhe deu a nenhum mortal antes, Ellen agora estava pronta para refazer os eventos do passado e, por meio de suas interpretações visionárias da Bíblia, também os acontecimentos do futuro. Já se tinha iniciado nesta idéia do grande conflito em sua edição de bolso de Spiritual Gifts de 1858. Mas essa pequena obra estava composta toscamente. E tinha alguma concorrência, pois esse mesmo ano Hastings tinha publicado um livro com um título idêntico.14 O livro de Ellen, de 219 páginas, não prometia muito e, a diferença do livro posterior The Great Controversy (O Grande Conflito), nunca foi aclamado tão amplamente em termos para valer e luz, forma e conteúdo, prosa e estilo. Mas era um começo, e, portanto, teria de ser usado. Não é difícil, nem sequer para um cego, ver que, se as continuadas revelações, inspirações, e instruções tomassem um giro obtuso e entrassem em conflito com o que se tinha dito antes, uma decisão assim daria lugar a perguntas muito mais sérias do que as que já se tinham suscitado. Se o material copiado, se os autores usados, se as novas visões ou instruções chocassem de alguma maneira notável com o velho, seria difícil de explicar. Teriam lugar algumas inconsistências, mas o método usado era (como o jogo das conchas) manter os olhos ocupados enquanto as mãos mudavam os objetos de um lugar a outro tão rapidamente que os princípios se esquecessem. E isso é o que sucedeu. Poucos leitores hoje dia sabem que Spiritual Gifts foi o antecessor do jogo de quatro tomos The Spirit of Prophecy, e muitos menos ainda sabem do que o jogo de cinco tomos da série Conflito dos Séculos se remonta a seus predecessores de quatro tomos. A importância desta progressão não pode ser passada por alto, pois o que Deus disse em 1858 tinha que o repetir em 1870, e ainda mais tarde em 1890, e assim sucessivamente. Agora, sendo Deus o que é, isso não seria problema para ele; mas para Ellen e sua equipe não era tão fácil. Cada novo autor copiado tinha que concatenado com os outros que lhe tinham precedido. Cada nova revelação ou visão tinha que encaixada com todo o que se tinha registrado antes. Tinha que detectar as inconsistências e eliminá-las, ou explicá-las, se algo se escapava - com freqüência uma e outra vez durante sessenta anos ou mais. No entanto, haveria alguns que notariam a mudança de estilo e a evolução da estrutura:
O que era notável na evolução foi a habilidade cosmética com a que a equipe de Ellen rearrumava os acontecimentos de tal maneira que a crítica não socavara (como sucederia) o projeto inteiro em seus começos. Para quando o número de dissidentes tinha aumentado até um crescendo na década de 1890 e depois, o poder da lenda da invencibilidade de Ellen (enquanto ela dizia que tinha o escudo de Deus) ajudava-lhe a ganhar cada batalha, destruir toda oposição, despedir a todos os dissidentes de seus postos (ou o que é o mesmo, de seu emprego na igreja), e desterrar, em nome de Deus e da religião, a algumas das mais fortes personalidades na história médica e teológica da igreja. Não é de surpreender-se de que em 1980, na reunião que teve lugar em Glacier View (Colorado) para discutir os pontos de vista de Desmond Ford, um dos príncipes da igreja escrevesse:
O que possivelmente esse príncipe não sabia quando escreveu esse artigo é que não só Desire of Ages e Great Controversy (O Grande Conflito) tinham sido em sua maior parte extraídos de outros autores, senão que o princípio dos princípios, Spiritual Gifts, e o então tomo um do Spirit of Prophecy, o predecessor de Patriarchs and Prophets (também da Série Conflito), também tinham sido extraídos de outros escritores. O Paradise Lost de Milton teve a maior participação nessa versão média da série. De duas ou três páginas em Spiritual Gifts, o tema de Milton foi expandido até mais de trinta e sete páginas, e teria de aparecer, às vezes de maneira idêntica, em outros escritos seus. No entanto, ¡agora se descobriu que novos autores estavam enchendo os espaços livres para fazer os livros legíveis!17 Os irmãos não foram tímidos em anunciar as virtudes do primeiro tomo de The Spirit of Prophecy. 18 Até o nome da série sugere que tinha a aprovação especial de Deus e que deveria estar nos lares de todos os crentes. Ainda que o novo livro representasse um melhoramento sobre o Spiritual Gifts anterior (cujo título também sugeria a sanção divina), não teve o efeito que se esperava dele. Não foi senão até que a edição posterior saiu sob o título especial de Patriarchs and Prophets que o material ampliado começou a marcar o passo. Teria de ser a pedra angular do jogo de cinco tomos do Conflito dos Séculos que os Adventistas usam para estabelecer a maior parte das interpretações, traduções, e avaliações das Escrituras. Usado em todas as escolas e universidades Adventistas como autoridade sobre assuntos do Antigo Testamento, Patriarchs and Prophets foi aceito pelos Adventistas como a palavra final. Não se aceita nenhum desvio desta norma em questões de idéias relativas à criação, geologia, teologia, ou cristologia. Houve uns poucos maus momentos com o livro, no entanto. Ao começo do escrito, Ellen tinha a Jacob e sua noite de luta numa versão. Numa apresentação posterior, no entanto, o quadro é quase oposto em seus detalhes. Notem-se seus diferentes pontos de vista nas porções em cursiva nos exemplos que seguem: ·
Estas discrepâncias causaram preocupação entre os ministros Adventistas de tempo em tempo, mas não saíram muitas respostas úteis. Em resposta a uma carta de 1943, Arthur White escreveu para o White Estate:
Sempre cuidadosos para relacionar quaisquer problemas que ocorressem nos escritos de Ellen com os problemas que poderiam ocorrer com os escritores bíblicos, os primeiros apólogos de Ellen começaram a ouvir-se como se Deus não tivesse que dizer a verdade ou ser preciso. A essa tendência, adicionaram um novo giro. Ele tinha que ser Deus, e eles lhe diriam a todos quem era Ele quando fosse necessário fazê-lo. Esse argumento teria de continuar até a década de 1980. E, no entanto, um não pode criticar demasiadamente essa edição final. Com a ajuda de John Milton, Alfred Edersheim, Frederic W. Farrar, Friedrich W. Krummacher, e um "staff" sempre crescente de pesquisadores, a finalista Ellen (e Deus) produziram um corpo de trabalho que teria de permanecer como a pedra angular dos Adventistas por mais de cem anos. Esse "estante alto", que tinha o propósito de ser uma proteção contra a tentação, também tinha produzido uma colheita de idéias. Exemplos de como E. G. White copiou Patriarchs and Prophets de Bible History, Old Testament, Vols. 1-4, de Edersheim.
1 . J. N. Andrews lhe levou uma cópia de Paradise Lost a Ellen White quando se deu conta de que o relato dela da 'Grande Controvérsia' era similar ao de John Milton em seu poema épico de 1667. De acordo com Arthur L. White, ela pôs o livro sobre um "estante alto" sem lê-lo... O livro The Spirit of Prophecy, de EGW, foi publicado pela Pacific Press primeiro em quatro tomos (1870-77-78-84). A Review and Herald Publishing Association emitiu uma reprodução em fac-símile em 1969... Por último, a Série Conflito dos Séculos teria de incluir cinco livros: The Great Controversy (O Grande Conflito) (1888), Patriarchs and Prophets (1890), The Desire of Ages (1898), The Acts of the Apostles (1911), e Prophets and Kings (1916). 2 . Uma nota editorial a respeito da próxima publicação do tomo dois de The Spirit of Prophecy, e que apareceu no Review de 30 de Novembro de 1876, dizia: "Estamos preparados para falar deste tomo, que acaba de ser emitido, como o mais notável do que este escritório tenha emitido”.O parágrafo levava as iniciais do editor Uriah Smith. 3 . Ronald L. Numbers trata dos esforços destes "reformadores pró-saúde" em sua Prophetess of Health: A Study of Ellen G. White (New York: Harper & Row, Publicadores, 1976). Os pontos de vista destes reformadores foram publicados em jornais na década de 1800 e nestes livros, entre outros: (1) William A. Alcott, Lectures on Life and Health (Boston: Phillips, Sampson, and Co., 1853); (2) Larkin B. Couves, Philosophy of Health: Natural Principles of Health and Cure (Boston: William D. Ticknor & Co., 1849), (3) Sylvester Graham, Lectures on the Science of Human Life (New York: Fowler and Wells, 1858); (4) James Caleb Jackson, The Sexual Organism (Boston: B. Leverett Emerson, 1862); (5) Russell T. Trall, Pathology of Reproductive Organs (Boston: B. Leverett Emerson, 1862; (6) Joel Shew e Trall, editores do Water-Cure Journal (1845-62). 4 . Ellen G. White, Forward, Health or How to Live (Reprodução fotográfica, Mokelumne Hill, Calif., 1957); Review 30 (8 Outubro 1867), p. 260. 5 . Ibid. 6 . Ibid. 7 . Ronald L. Numbers, Prophetess of Health: A Study of Ellen G. White (New York: Harper and Row, Publishers, 1976). 8 . Ingemar Linden, The Last Trump, p. 202. De Tiago White para Dudley M. Canright, 24 de Maio de 1881. 9. [John Harvey Kellogg], "Uma entrevista autêntica entre o Ancião G. W. Amadon, o Ancião A. C. Bourdeau, e o Dr. John Harvey Kellogg em Battle Creek, Michigan, em 7 de Outubro de 1907." Um relatório estenográfico notável. 10 . Ibid. 11 . De William S. Sadler para EGW, 26 de Abril de 1906, p. 3-4. 12 . EGW, Testimonies, tomo 5, pp. 66-67. De EGW para a Igreja de Battle Creek, 20 de Junho de 1882. 13 . Jack W. Provonsha, Sabbath School Study, Fita, 2 de Fevereiro de 1980. Glendale Committee Review, 28-29 Janeiro de 1980 14 . H [orace L [orenzo] Hastings, The Great Controversy (O Grande Conflito) Between God and Man (Boston: impressão privada pelo autor, 1858.) 15 . Linden, The Last Trump, p. 211. 16 . Earl W. Amundson, "Authority and Conflict-Consensus and Unity," fotocopiado (trabalho apresentado em Theological Consultation, Glacier View Ranch, Ward, CO, 15-20 Agosto 1980), pp. 12, 16. 17 . Veja-se o Apêndice, Capítulo 5, Comparison Exhibits. 18 . Guy Herbert Winslow, "Ellen Gould White and Seventh-day Adventism" (Dissertação, Clark University, Worcester, MA 1932), p. 290. Veja-se também Robert W. Olsen "The Desire of Ages," fotocopiado (Washington: EGW). 19 . EGW, The Spirit of Prophecy, tomo 1, pp. 118-19. 20 . Ellen G. White, Patriarchs and Prophets (Mountain View: PPPA, 1890, pp. ) 21 . De
Arthur L. White para Henry F. Brown, 23 de Setembro de 1943.
Capítulo 6.
O
Desejado de Todas as Nações Se Patriarchs and Prophets (Patriarcas e Profetas) foi a pedra angular da teologia Adventista, The Desire of Ages (O Desejado de Todas as Nações) foi a pedra chave no arco do pensamento e pontos de vista cristológicos Adventistas. O prefácio ao tomo dois (1877) de seu predecessor, The Spirit of Prophecy, dizia:
Muitos problemas e muitas situações embaraçosas se teriam evitado em anos vindouros se a alguns outros, além do "Espírito de Deus", se lhes tivesse dado algum crédito. Ainda que as Escrituras expliquem que todo o bem e todo dom perfeito vem de Deus, descobriu-se que alguns dos dons de Ellen para escrever tinham vindo de algumas fontes humanas. Em fins de 1970, Robert W. Olson, em nome do White Estate (que sempre é pressionado para manter a seus leitores e aos membros da igreja em dia nestas coisas), emitiu uma admissão, mais bem tardia, de que Ellen si tinha estado olhando às escondidas as obras de outros autores quando escreveu The Desire of Ages: Por longo tempo, os Adventistas do Sétimo Dia reconheceram a dívida de Ellen White com outros autores... Não se sabe exatamente até que ponto Ellen White tomou prestado material para The Great Controversy (O Grande Conflito)... Estudos levados a cabo por Raymond Cottrell e Walter Specht mostraram que Ellen White tomou emprestadas cerca de 2,6% das palavras em The Desire of Ages (O Desejado de Todas as Nações) de Life of Christ (Vida de Cristo), de William Hanna... No entanto, tanto W.C. White como Marian Davis mencionam outros livros sobre a vida de Cristo que Ellen usou. É também evidente que ela tomou emprestado material de algumas obras não mencionadas nem por W. C. White nem pela Srta. Davis, tal como The Great Teacher, de John Harris... Os empréstimos literários de Ellen White não se limitaram aos três livros mencionados acima... Ellen White pode dificilmente ser chamada "copista", já que quase invariavelmente reescreve, reconstrói frases, e melhora a idéia do autor original quando usa material alheio... Em relação com a preparação de The Desire of Ages em particular, W. C. White diz: "Antes de escrever sobre a vida de Cristo, e até certo ponto durante o tempo em que escrevia, ela leu obras de Hanna, Fleetwood, Farrar, e Geikie. Nunca soube que lesse a Edersheim. Às vezes se referia a Andrews”. De W. C. White para L. E. Froom, Janeiro??? Uma comparação entre The Desire of Ages (O Desejado de Todas as Nações) e as variadas vidas de Cristo disponíveis em seu tempo mostra que ela tomou material, mais ou menos [a cursiva foi adicionada] não só dos autores mencionados acima por W. C. White, senão também de March, Harris, e outros.2 O artigo de Olson, que pode ser uma das mais reveladoras admissões do que o White Estate fez até a data, merece um estudo detalhado. Se esse artigo tivesse circulado, ou sequer se tivesse filtrado, ao público e à igreja em general (o que não ocorreu até o momento em que isto se escreve), este livro poderia não se ter escrito. Com freqüência, só a "pessoa informada" que recolhe a assim chamada informação "supersecreta" sabe onde pedir que costure - se tem o privilégio de saber que essa informação existe em absoluto. Escrever ou dizer que "por longo tempo, os Adventistas reconheceram a dívida de Ellen White com outros autores" é só uma extensão da mentira branca. Ainda que seja tecnicamente verdadeiro que, já desde a década de 1800, a igreja tem levado a cabo uma ação de retaguarda em relação com o uso de material alheio em nome de Deus e de Ellen, as declarações sempre se fizeram à defensiva e com rápida justificativa. Por exemplo, um artigo de William S. Peterson numa edição de Spectrum de 1971 teria de atrair sobre ele um coro de invectivas espirituais que, na linguagem de um caminhoneiro ou um estivador, levantaria a pintura de qualquer furgão a trinta passos. Que Ellen tinha tomado material emprestado simplesmente não era assim, disse-se. Desde o número desse outono até a década de 1980, o jornal publicou as contínuas acusações e contra-acusações, negações e contra-negações que tratam de refutar qualquer sugestão de que ela tivesse incorporado em seus livros o vocabulário de alguém ou que tivesse sido influenciada por alguém ao escrever.3 Não foi senão até que Neal C. Wilson, presidente da Conferência Geral, escreveu aos dezoito membros do Comitê Especial de Glendale para que se dispusessem a revisar o número de ocasiões em que, segundo certas investigações, Ellen tinha "tomado emprestado" material de outros, que os leitores do Adventist Review se inteiraram de que ela tinha usado obras alheias para sacar delas "informação descritiva, biográfica, histórica, espiritual, e científica”.4 Como um membro do comitê teria de assinalar-lhe a Wilson, "Isso não deixa quase nada, exceto a revelação direta. É sobre esse ponto que o painel terá de decidir?"5 Seguramente, o pessoal do White Estate deve ter sabido todo o tempo que a maior parte dos membros de igreja não tinha tido informação a respeito da quantidade e extensão do material do qual ela tinha "tomado emprestado”. Pelo menos um bom número de eruditos da igreja, que trataram de sacar-lhe ao White Estate material histórico que ajudaria a fazer comparações com os escritos de outros autores, sabem que receberam muito pouca ajuda e estímulo de parte dos que protegem a sacrossanta abóbada do Ellen G. White Estate. A política de "revelação seletiva" (é dizer, O Ellen G. White Estate seleciona o que pode ser revelado) teve tal autoridade que só quando os membros do Clã desaparecem da cena pode a igreja esperar ter acesso à informação que pode revelar a verdade. Uma e outra vez, os homens desse escritório, enquanto percorrem o circuito nacional - o que fazem com mais freqüência para ajudar a tranqüilizar aos inquietos nativos - tiveram que se enfrentar à pergunta de por que a abóbada não pode abrir-se para todos os pesquisadores para do que a informação esteja disponível para amigos e inimigos por igual, e por que só o Clã é o único que pode selecionar e eleger sempre. O artigo da Adventist Review de 1980: Ainda os que poderiam ter tido sua própria chave da abóbada (por dizê-lo assim), encontram fascinante a possibilidade de que a porta fechada pudesse abrir-se sequer um pouquinho. Donald R. McAdams, pessoalmente um competente pesquisador sobre Ellen e seus escritos, deu uma nota de esperança a respeito dessa possibilidade num artigo em Spectrum em 1980:
Inevitavelmente, McAdams reagiria como o fez porque é um historiador honesto que passou pessoalmente muito tempo em 1972-73 examinando um capítulo de The Great Controversy (O Grande Conflito), comparando um capítulo deste livro com a metade de um capítulo do historiador James A. Wylie, e encontrando evidência irrefutável de dependência A parte interessante e significativa desta história, como ele a conta, é que o White Estate não quis permitir-lhe a este historiador da igreja dar a conhecer seu trabalho ou suas conclusões nem à igreja nem ao mundo.7 McAdams tinha outra razão para estar preocupado pelo que estava ocorrendo. Ele era um dos membros do Comitê de Glendale ao qual Wilson lhe tinha escrito. Tinha visto parte da evidência, tinha ouvido a apresentação de Janeiro 28-29 de 1980, e ele mesmo lhe tinha dito a seus colegas que a evidência tinha sido realmente "surpreendente”. Até indicou que "se cada parágrafo de The Great Controversy (O Grande Conflito) tivesse que ter notas ao pé de acordo com o procedimento correto, então quase cada parágrafo teria que ter sido anotado." É de interesse observar que os membros do comitê presentes, que pertenciam ao White Estate, não se lhe opuseram.9 Como teriam podido? Estavam sentados ali com informação privilegiada. Ronald D. Graybill, secretário ajudante do White Estate, esteve presente na reunião. Ele também tinha estado trabalhando nos arquivos e, em Maio de 1977, tinha terminado uma comparação entre Ellen White e suas estreitas paráfrases de outro historiador, Merle D’aubigné. Ao continuar seu estudo, o que apareceu ante os assombrados olhos de Graybill foi, não D'Aubigné em absoluto, senão uma versão popularizada de D'Aubigné que tinha sido preparada pelo Reverendo Charles Adams para leitores jovens, e este material tinha sido publicado primeiro, não em The Great Controversy (O Grande Conflito), senão no Signs of the Times (Sinais dos Tempos) de 11 de Outubro de 1883, num artigo titulado "Luther in the Wartburg."10 As conclusões desta muito boa história de capa e espada foram, como diz McAdams citando a Graybill:
Assim que, por que não o dissemos desde o começo? O mais cerca do que jamais estivemos desse tipo de reconhecimento foi de parte do filho, Willie White, (numa carta de Novembro de 1912):
As afirmações de Willie seriam modificadas por uma declaração de seu filho Arthur em 1969: "A Sra. White sempre tratou de evitar ser influenciada por outros”.13 Teve outro membro do grupo do White Estate que também permaneceu sentado e calado durante aquela reunião de Janeiro de 1980, sem deixar ver seu jogo. Era Robert W. Olson, que tinha sido designado para dirigir o White Estate quando Arthur L. White se aposentou em 1978. Quiçá mais do que qualquer outra pessoa na habitação, exceto W. Richard Lesher (diretor do Instituto Adventista de Investigação Bíblica), Olson sabia onde estavam enterrados alguns dos cadáveres, porque alguns desses cadáveres estavam sendo ressuscitados mais rapidamente do que se podiam levar a cabo os enterros. Em 1977 e 1978, Olson recebeu certo número de cartas que abriam novas vias de informação sobre a relação entre Ellen e seu livro Patriarchs and Prophets. Segundo Olson, a investigação tinha tomado um giro desagradável ao começar a acercar-se a The Desire of Ages. Quando se lhe perguntou a respeito do persistente rumor de que Ellen tinha recebido ajuda muito humana na preparação do Desire of Ages, não parecia recordar as cartas ou os materiais que estava recebendo, exceto para dizer que o relatório sobre a ajuda era exagerado, e que não tinha razão para crer que o Desire of Ages fora outra coisa que a obra de Ellen White.14 Bem sabia que o rasto para os "empréstimos" de Ellen se estava esquentando, pois ele tinha escrito uma notável carta em relação com isso ao "staff" do Ellen G. White Estate o 29 de Novembro de 1978, só dois anos antes da reunião na qual agora negava que existisse problema algum. A carta tocava pontos muito sensitivos, e não estava destinada ao domínio público. Para assegurar a imparcialidade, incluo a carta inteira na seção do apêndice a este capítulo. [N. do T. : Aparece ao final da tradução deste capítulo, depois das notas e referências] Aqui se dão algumas porções:
A solução proposta por este homem de Deus, que tinha jurado difundir a verdade e a luz, foi como segue:
Um pode fechar os olhos e ouvir essa porta ressoar ao fechar-se outra vez, esta vez mais hermeticamente, enquanto os cavaleiros perdidos do temor e da culpa vão galopando pelo céu. Não se ouvia como uma política de portas abertas quando continuou:
Seria difícil concluir, a partir destas duas missivas confidenciais, que ao povo da Igreja Adventista se lhe estimula a conhecer toda a verdade a respeito de Ellen, incluindo sua destreza para usar material alheio em suas próprias obras, ainda que sem dar crédito. É necessário adicionar um pouco mais de informação ao quadro para fazê-lo mais completo. Robert Olson esteve sentado durante as reuniões do Comitê de Glendale com um antigo, mas obssessionante documento virtualmente sobre seus joelhos. O documento tinha sido "descoberto" só umas semanas antes no vestíbulo dos escritórios do Ellen G. White Estate por Desmond Ford em sua busca da verdade. Era tão revelador, que se Olson o tivesse lido ou o tivesse usado na reunião, a sessão poderia ter-se encurtado médio dia ou mais. Vinha da pluma de W. W. Prescott (por longo tempo dirigente e anterior vice-presidente da Conferência Geral da Igreja Adventista), que pessoalmente tinha levantado algumas pedras. A carta estava datada de 6 de Abril de 1915, e estava dirigida a Willie, o filho de Ellen, com o qual Prescott tinha trabalhado no duro e por longo tempo:
A evidência relatada mais adiante mostra por que Prescott estava ainda mais preocupado do que indicava sua carta. Com a bênção de outros oficiais, ele mesmo tinha ajudado a escrever alguns dos mesmos livros dos quais se queixava. Como podia ele, em boa consciência (e não temos evidência de que não era homem de boa consciência), deixar que a igreja seguisse crendo que o que ele e outros tinham ajudado a escrever em nome de material devocional agora teria de ser recebido como a palavra final e autorizada de Deus e converter-se na base da cristologia Adventista no mundo (por si só um tema de especial interesse para Prescott)? É agora evidente – a partir de informação que o White Estate possui e de material que se filtrou de outras fontes – que a igreja está em problemas no que concerne a Ellen e seus raptarias. Identificou-se demasiado material dos lugares onde ela tinha comprado. Como escreveu McAdams em seu artigo do Spectrum:
Com a designação de Cottrell e Specht para a tarefa de examinar The Desire of Ages de Ellen, a igreja estava lançando à brecha a seus pesos pesados. Entendia-se perfeitamente nas altas esferas que se a maré crescente de fatos e informação se levava o fundamento de The Desire of Ages, a pedra clave no arco de Santa Ellen ficaria em grave perigo e a mentira branca ficaria exposta. Isto não se entendeu em todas partes, mas muitos dirigentes estavam bem conscientes disso e se sentiam muito apreensivos. Portanto, o fato de que os Adventistas chamassem a dois de seus melhores homens de sua aposentadoria e de volta à briga era um risco calculado. As credenciais dos dois eram impecáveis. Cottrell, um Adventista de terceira geração, tinha servido à igreja em vários postos de alto nível, incluindo o de editor de livros na Review and Herald, a maior parte de sua vida. Specht era conhecido como erudito, presidente de departamento, e decano das melhores instituições da igreja. Esperava-se que ambos os homens levassem à tarefa, não só sua experiência de toda uma vida, senão também sua integridade. O relatório emitido ao final de seis meses de estudo foi horrorizante – não tanto pelo que dizia como pelo que revelava por meio do que não enfatizava. O fato mesmo de que se usasse gente de tão alto nível mostrava que a igreja em general não se tinha inteirado da mentira branca e que os dirigentes estavam decididos a assegurar-se de que a igreja recebesse só informação que fora aceitável para esses dirigentes. Ambos os homens tomariam o caminho mais curto em seu relatório. Specht, conquanto concedia que Hanna tinha sido usado por Ellen através tanto da primeira edição de The Spirit of Prophecy (tomos dois e três) como da edição posterior de The Desire of Ages, chegou à conclusão de que mesmo assim lhe gostava mais a maneira em do que Ellen tinha parafraseado a Hanna do que a obra do mesmo Hanna.22 Ainda que tivesse descoberto que as cópias de Hanna tinham começado a princípio e terminado ao final, parecia-lhe que o assunto não era tão sério como alguns o tinham considerado. Cottrell, menos cauteloso, calculou que Ellen tinha tomado 2,6% de Hanna.23 Mostrou a classe de "contabilidade criativa" que tinha usado para obter esta cifra incrível:
Cottrell tinha caído na armadilha da qual Francis D. Nichol mesmo se tinha desfeito - usar o estudo para provar que Ellen não havia "citado" a outros diretamente tanto como se tinha dito. Cottrell parecia passar por alto o fato de que parafrasear é a mais subtil forma de copiar e a mais potencialmente enganosa. Até McAdams disse em seu artigo do Spectrum: Efetivamente, há alguns parágrafos estreitamente parafraseados e outros parágrafos nos quais, ainda que as palavras de Ellen White sejam diferentes, é claro que ela está seguindo as idéias apresentadas por Hanna. [A cursiva foi adicionada].25 Depois de esforçar-se por diminuir a influência de outros autores na redação de The Desire of Ages, Cottrell efetivamente reconheceu: No entanto, há numerosos casos de uma clara correlação literária, que provam concludentemente que Ellen White utilizou algumas das palavras, frases, idéias, e seqüências de pensamento alheias.26 Em resposta a sua afirmação de que "nem o Dr. Specht nem eu encontramos em nenhum caso nem sequer uma oração em The Desire of Ages que fora idêntica a Life of Christ, nem ainda substancialmente,"27 eu sugiro que o leitor veja a seção de quadros deste capítulo.28 Melhor ainda, deveria obter uma cópia de Hanna de uma biblioteca e ilustrar-se pessoalmente. Ainda que o texto do relatório em geral não tenha recebido ampla circulação, a cifra do 2,6% foi citada e repetida por todas as partes. Os Adventistas se agarraram a ela como um náufrago se agarra a um salva-vidas e se dirige à orla gritando que se salvou. Em realidade, o alcance do estudo era tão limitado que algumas das questões mais sérias ficaram por tratar. Por exemplo: a . A igreja em general não conheceu em realidade a extensão da mentira branca - e "os irmãos" não estão ansiosos de fazer-se saber aos membros b. Pelo menos já na década de 1870, e ainda na de 1900, Ellen e seus ajudantes estiveram profunda e amplamente envolvidos na extração de material de escritos alheios. c. Se até 0 por cento de Cottrell (qualquer que fosse sua exatidão) estendesse-se à crescente lista de autores identificados como utilizados por Ellen e seus ajudantes, a igreja e seu profeta estariam num tremendo problema e algo começaria a abrir-se pelas costuras. d. O uso, por parte de Ellen , de Hanna e outras fontes não era "revelação seleta," com a permissão de Deus, para rechear uma cena aqui e outra lá para ajudar à memória desfalecente da profetisa, senão um comentário direto e uma paráfrase de cada passagem ou capítulo selecionados - com freqüência com pausas para uma homilia;a pessoal, mas da mesma maneira com freqüência expandindo essa homilia para fazê-la notavelmente similar ao material devocional do autor copiado.29 e. Quiçá, a evidência mais prejudicial que surgiu é a de do que, sem importar a ajuda que Ellen recebesse, humana ou divina, ela tinha a estranha habilidade para regressar e recolher novo material cada vez que o regresso se levava a cabo. Algumas vezes, os pensamentos, as palavras, e as orações que tinham sido tomadas de um autor nas primeiras etapas (1870-84) eram apagadas no produto posterior (The Desire of Ages). Algumas vezes se usava em seu lugar uma amplificação do material do mesmo autor. Mas outras vezes (especialmente quando o copiado anterior tinha sido extenso) extraía-se material de outras fontes ou outros autores de modo tal que a cor das novas fibras não chocasse com o padrão final da tela que se tecia através dos anos. Claramente, os planejadores humanos conheciam bem os mapas que estavam usando para todas as viagens de todos esses anos.30 No entanto, Cottrell, por natureza e prática um erudito honesto, mais tarde permitiu do que sua integridade se sobrepusesse a sua herança e preconceitos Adventistas. Seu silêncio foi rompido o 19 de Setembro de 1981, quando Los Angeles Times, num artigo por John Dart, um editor religioso, citou parte de uma próxima missiva de Cottrell:
O rascunho preliminar mesmo de Cottrell ("Our Present Crise: Reaction to a Decade of Obscurantism") [Nossa Crise Atual: Reação a uma Década de Obscurantismo] era ainda mais específico e devastador em seus assinalamentos com o dedo, pois continuava dizendo:
E finalmente jogou a culpa a administradores específicos:
Cottrell era só uno de muitos mensageiros com mais más notícias para a igreja em sua crise. Fred Veltman, de acordo com The Adventist Review no outono de 1980, era o homem sobre cujos ombros cairia o manto da verdade. A causa do alvoroço causado pelo estudo Rea, o Review informou:
Depois de examinar o material a respeito da controvérsia sobre Ellen White que tinha disponível, Veltman escreveu uma crítica detalhada para o Comitê Consultivo Executivo do Presidente em Washington. Nesse relatório, dizia, citando àquele mesmo Raymond Cottrell:
Edward Heppenstall, por longo tempo teólogo Adventista, também é citado por Veltman:
Até Desmond Ford, o teólogo australiano, faz um devastador resumo, como o informam as palavras de Veltman:
Veltman mesmo chega às seguintes conclusões:
Efetivamente, os dirigentes da igreja encontraram difícil enfrentar-se à realidade, mas era óbvio que algo devia fazer-se, e cedo. Assim que, como sempre, os cansados pastores de PREXAD (Comitê Consultivo Executivo do Presidente) e o White Estate se voltaram à fonte que tão com freqüência lhe negam a seus membros – a lei. Parecia sua última esperança de acalmar a tormenta que não queria desaparecer e para a qual não estavam preparados. O advogado da Igreja Adventista do Sétimo Dia decide que, por causa do tempo no qual ela viveu, White não era legalmente culpado de plágio. A Review de 1º de Setembro de 1981 anunciou que seu advogado católico tinha declarado isso. De acordo com a definição do advogado, Ellen White não era legalmente uma plagiária, e, portanto, suas obras não constituíam uma violação do direito de autor.39 Este relatório – que claramente evitava os envolvimentos morais, espirituais, ou teológicas no coração do assunto - trouxe muito pouco consolo e arrancou poucos suspiros de alívio dos leitores informados. Para aumentar a confusão, Arthur Delafield, outro cansado, mas voluntarioso guerreiro, foi chamado de volta ao combate. Delafield, que tinha sido clérigo viajante do White Estate por mais de vinte e cinco anos, escreveu uma resposta a uma carta de um membro laico de Austrália. Além de fazer perguntas, este laico tinha declarado uma convicção:
A resposta de Delafield foi de novela. Em típico estilo pontifício, declarou:
Finalmente, sua melhor carta aparece na página cinco:
Porquanto Delafield, agora aposentado, escreveu sua resposta em papel oficial da Conferência Geral, e invocou o nome do clérigo da igreja, Neal C. Wilson, como sua autoridade para escrever, pareceria que "a igreja" tinha rejeitado extra-oficialmente a controvertida posição que tinha assumido como vinte e quatro anos antes, quando, sob alguma controvérsia e coação, "um grupo representativo de dirigentes Adventistas do Sétimo Dia, instrutores bíblicos, e editores" tinha declarado através da imprensa oficial Adventista: Desejamos fazer notar... 1 . Que não consideramos os escritos de Ellen G. White como uma adição ao cânon sagrado das Escrituras. 2 . Que não cremos que eles sejam de aplicação universal, como a Bíblia, senão particularmente para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. 3 . Que não os consideramos no mesmo sentido que as Sagradas Escrituras, as quais permanecem como o só e único modelo pelo qual têm de ser julgados todos os outros escritos. Os Adventistas do Sétimo Dia crêem uniformemente que o cânon das Escrituras se fechou com o livro de Apocalipse. Sustentamos que todos os outros escritos e ensinos, de qualquer fonte que sejam, têm de ser julgados pela Bíblia e estão sujeitos à Bíblia, que é a fonte e a norma da fé cristã. Provamos os escritos de Ellen G. White por meio da Bíblia e em nenhum sentido provamos a Bíblia por meio dos escritos de Ellen G. White... Nunca consideramos a Ellen G. White na mesma categoria que os escritores do cânon das Escrituras. [a ênfase se adicionou].43 Apesar dos melhores esforços do "grupo representativo" de 1957, que publicou as declarações que antecedem em Questions on Doctrine, agora, na carta de 1981 do velho guerreiro, por fim tinha ficado claro o plano detalhado dos pontos de vista extremos e paranóicos do passado. Os Adventistas, por meio de cansados pastores, estavam-lhe dizendo ao mundo que, apesar de todo o duplo sentido do passado e os enganos do presente, eles efetivamente jogavam sua sorte com Ellen como sua autoridade final, para eles, a primeira entre seus iguais. Por meio dele, eles, efetivamente, estão orgulhosos de dizer-lhe ao mundo que eles representam uma seita e que não estão a ponto de associar-se com não-membros de seu culto ou de qualquer resto da comunidade cristã! A verdade tem um modo de iludir a um "verdadeiro crente" quando os porta-vozes da igreja parecem estar dispostos a passar por alto a maior parte da informação, a maioria de seus críticos amigáveis, e toda a evidência, em seus esforços por ocultar a realidade. Ainda outra declaração que saiu a luz nada menos que de parte de W. C. White, o filho de Ellen, não mudou a posição de que todo o que ela dizia tinha que vir de Deus. Em 1905, supõe-se que ele disse:
Mas era
inútil. ¡Sempre teria quem diriam que se Ellen tinha tocado
algo, ou o tinha visto, ou se sequer se tinha inteirado disso,
tinha que vir de Deus e que todo isso era inspirado! Até
aquela declaração, tão com freqüência citada pelos Adventistas,
de que algum bibliotecário dos sagrados salões da Biblioteca do
Congresso tinha descrito a The Desire of Ages como um
dos dez livros mais impressionantes sobre a vida de Cristo,
descobriu-se do que tinha sido sussurrado por algum pregador
Adventista caminho a seu trabalho. Mas saber isto não
sacudiria nem livraria ao crente verdadeiro. De tais coisas
estão feitas as mentiras brancas (de Ellen G. White) nesta vida.
Quadros Comparativos de Amostra Nota: Os numerais entre colchetes [ ] indicam números de páginas.
Referências e Notas 1 . Ellen G. White, The Spirit of Prophecy (Battle Creek: Review and Herald, 1870-1884), tomo 2, p. 5. 2 . Robert W. Olson, "EGW´s Use of Uninspired Sources" [Uso de Fuentes Não Inspiradas por Parte de EGW], fotocopiada (Washington: EGW Está, 9 Novembro 1979, pp. 1-4, 7, 8. 3 . William S. Peterson, "Ellen White´s Literary Indebtedness" [A Dívida Literária de Ellen White], Spectrum 3, não. 4 (Outono 1971): 73-84. Desde o artigo de Peterson, outros apareceram em Spectrum cada ano desde 1971. 4 . De Neal C. Wilson para o Glendale Committee Sobre as Fontes de EGW, 8 de Janeiro 1980. 5 . De Jerry Wiley para Neal C. Wilson, 14 de Janeiro 1980. 6 . Donald R. McAdams, "Shifting Views of Inspiration" [Cambiantes Pontos de Vista Sobre a Inspiração], Spectrum 10, não. 4 (Março 1980): 38. 7 . Ibid., pp. 34-35. 8 . Glendale Committee, "Ellen G. White and Her Sources" [Ellen G. White e suas Fontes], fitas (28-29 de Janeiro de 1980), observações de McAdams. 9 . Ibid. 10 . McAdams, "Shifting Views," Spectrum 10, não. 4 (Março, 1980): 35. 11 . Ibid. 12 . EGW, The Spirit of Prophecy, tomo 4, suplemento citando uma carta de W. C. White para W. W. Eastman, 12 de Maio de 1969, pp. 545-46. 13 . Ibid., p. 535. 14 . Olson, "Ellen G. White and Her Sources," fitas de discursos ao Foro Adventista em Loma Linda, CA (Janeiro de 1979). 15 . De Olson para os Fideicomisarios do EGW Está, 29 de Novembro de 1978, pp. 1-2. 16 . Ibid., p. 5. 17 . Glendale Committee, fitas, 28-29 de Janeiro de 1980. 18 . Arthur L. White, "(Confidential) Comments on the Proposed Study of 'Desire of Ages,'" ["(Confidencial) Comentários Sobre o Proposto Estudo do '‘Desejado de Todas as Nações'"] fotocopiada (Washington: EGW Está, 5 Dezembro de 1978). 19 . Ibid., p. 5. 20 . De W. W. Prescott para DF 198. W. C. White, 6 Abril de 1915 (Washington: EGW Está). 21 . McAdams, "Shifting Views," Spectrum 10, não. 4 (Outono de 1971): 36-37. 22 . Raymond F. Cottrell e Walter S. Specht, "The Literary Relationship Between The Desire of Ages, by Ellen G. White, and The Life of Christ, by William Hanna" [Relação Literária Entre Desire of Ages, de Ellen G. White, e The Life of Christ, de William Hanna], 2 pts., fotocopiado (Biblioteca, Arquivos, e Coleções Especiale da Universidade de Loma Linda, 1 de Novembro de 1979), pt. 2. 23 . Ibid., pt. 1. 24 . Ibid., pt. 1, pp. 3-4. 25 . McAdams, "Shifting Views," Spectrum 10, não. 4 (Outono 1971): 37. 26 . Cottrell e Specht, "The Literary Relationship Between EGW and WH," pt. 1, p 5. 27 . Ibid. 28 . Veja-se o Apêndice, Capítulo 6, Quadros Comparativos mostrando similitudes entre Ellen G. White e William Hanna. 29 . Ibid. 30 . Ibid. 31 . John Dart, "Adventists Cite Legal Opinion to 'Clear' Prophet of Plagiarism" [Os Adventistas Citam Uma Opinião Legal para 'Exonerar' à Profetisa de Plágio], Los Angeles Times (19 de Setembro de 1981). 32 . Raymond F. Cottrell, "Our Present Crise: Reaction to a Decade of Obscurantism" [Nossa Crise Atual: Reação a uma Década de Obscurantismo], rascunho fotocopiado. 33 . Ibid. 34 . [Anúncio editorial sem assinatura], Adventist Review (27 de Novembro de 1980). 35 . Fred Veltman, "Report to PREXAD on the E. G. White Research Project" [Relatório para PREXAD sobre o Projeto de Investigação a respeito de E. G. White]; fotocopiado (Angwin, CA Life of Christ Research Project, n. d. [Abril de 1981], p. 21. 36 . Ibid., p. 21. 37 . Ibid., p. 22. 38 . Ibid., pp. 24-25. 39 . [Anúncio editorial sem assinatura], "Ellen White´s Use of Sources" [Uso de Fontes por Ellen White], Adventist Review (17 de Setembro de 1981), p. 3. Também, entrevistas com o advogado Victor L. Remik, pp. 4-6, e Warren L. Johns, p. 7. 40 . De Peter C. Drewer para Neal C. Wilson, 27 de Maio de 1981 , p. 3. 41 . De D. Arthur Delafield para Peter C. Drewer, 24 de Junho de 1981, pp. 1, 5. 42 . Ibid., p. 5. 43 . [Seventh-day Adventists], Seventh-day Adventists Answer Questions on Doctrine (Washington: RHPA, 1957, pp. 89-90. 44 .
W. C. White, "The Integrity of Testimonies," apresentado em
College View; Nebraska, 25 de Novembro de 1905. EGW Está DF 10
i, pp. 7-8, 11. A Carta de Robert Olson Ellen G. White Estate,
Inc. Conferência Geral de Novembro 29 de 1978 W. P.
Bradley R. D. Graybill Queridos irmãos: Desde nossa reunião ontem pela manhã, quando discutimos o nome de Jim Cox em relação com a investigação a respeito de Desire of Ages, duas de vocês me pediram que puséssemos algo por escrito que pudesse ajudar-nos a pensar um pouco como antecipação a uma ulterior discussão deste tema à próxima terça-feira, 5 de Dezembro. Como todos vocês sabem, com o correr dos anos, diferentes indivíduos se interessaram em comparar os escritos da Sra. White com as obras de outros autores, e suponho que isto continuará sucedendo até o fim do tempo. Um dos mais recentes em prestar atendimento a este tipo de investigação é o Pastor Walter Rea, que é pastor na Southern Conferência Conference. Faz como oito ou dez meses, o Pastor Rea me enviou uma cópia de algumas de suas investigações que, em sua opinião, demonstravam que Ellen White tinha dependido muito de Edersheim para algumas das coisas que tinha escrito em Desire of Ages, bem como para a organização mesma do livro em si, e o uso de muitos títulos de capítulo. Naquela ocasião, escrevi-lhe ao Pastor Rea e lhe pedi que não seguisse adiante com nenhum plano para publicar suas descobertas até que eu tivesse a oportunidade de falar com ele pessoalmente no Acampamento da Southern Califórnia Conference que teria de ter lugar em Julho de 1978. O Pastor Rea esteve de acordo em seguida com esta sugestão. Quando assisti ao acampamento perto de Palmdale, Califórnia, em Julho passado, passei várias horas falando com o Pastor Rea, e obtive seu consentimento para deter o anúncio de seu trabalho até qualquer ponto até que nós mesmos tivéssemos tido a oportunidade de olhá-lo primeiro. Disse-lhe que, se ninguém no White Estate tinha tempo para levar a cabo uma investigação pessoal de seu trabalho, trataríamos de encontrar um erudito qualificado em alguma parte de nossas filas que pudesse fazê-lo por nós. Pareceu-me que isto deveria fazer-se em bem tanto de seus interesses como dos nossos. Os eruditos deveriam estar sempre abertos a receber críticas de seu trabalho, e isto deve fazer-se antes da publicação. O Pastor Rea acedeu a dar-nos todo o tempo que precisemos antes de dar qualquer outro passo por sua conta. Enviei-lhe uma cópia Xerox do trabalho do Pastor Rea ao Pastor Kenneth Davis do Southern Missionary College. O Pastor Davis indicou que está disposto a ajudar-nos neste projeto de investigação. O Pastor Davis dita um curso sobre "A Vida de Cristo" no SMC, e por muitos anos usou o livro de Edersheim "The Life and Times of Jesus the Messiah" [Vida e Tempos de Jesus, o Messias] em relação com o ensino de sua classe. Deveria poder produzir um relatório no verão de 1979. O trabalho do Pastor Davis não lhe custará nada ao White Estate. Por meio de Jim Nix em Loma Linda e Ed Turner na Universidade de Andrews, inteirei-me de que alguém na área de Loma Linda está comparando Desire of Ages com o livro de Hanna "The Life of Christ." Jim Nix me disse que ele viu o livro de Hanna e que está profusamente sublinhado tanto em vermelho como em azul, e que se supõe que esta é a mesma cópia do livro que se usava no escritório do White Estate quando a Sra. White preparava seu livro Desire of Ages. Jim Nix fez uma cópia Xerox deste livro e no-la enviou, assim que a temos aqui em nosso escritório. Não sei até onde se está comentando este relatório em particular em Loma Linda, mas, de acordo com Jim Nix, várias pessoas estão falando dele. Ed Turner me deu essencialmente o mesmo relatório faz quatro semanas, quando falei com ele na Universidade de Andrews. Perguntei-lhe a Ed se podia dizer-me quem era este indivíduo, e me contestou que não podia. "Se soubesses quem é, entenderias por que não te posso dizer seu nome." Lhe perguntei a Ed se a pessoa era um leal Adventista do Sétimo Dia ou não. Sua resposta foi que eu provavelmente o consideraria como alguém mais ou menos à margem. Aparentemente, este indivíduo desconhecido, que possui uma cópia de "Life of Christ," de Hanna, é um tipo de pessoa mais bem intelectual que tem fortes sentimentos contra o White Estate. Pelo menos, eu cheguei a esta conclusão depois de falar com Ed Turner. Ed também me falou de um profissional, um dentista, segundo recordação, que vivia na área de Victorville, ao norte de Loma Linda, que, a partir de seu próprio estudo pessoal através dos anos, tinha-se familiarizado muito com Desire of Ages. Este profissional tinha tido acesso recentemente a "Life of Christ," de Hanna, e depois de lê-lo, disse-lhe a Ed que estava "maravilhado" de ver o estreito parecido que descobriu entre Hanna e Ellen White. Quando estive em Andrews faz quatro semanas e me reuni com os estudantes de Doutorado em Teologia, bem como com a faculdade, a quinta-feira, 26 de Outubro, desde as 12h30min até as 2h30min p.m., encontrei-me com que tinha que contestar todo tipo de perguntas, incluindo algumas relacionadas com Desire of Ages e a possível dependência da Sra. White de outros autores para o que tinha escrito nessa obra. O único que pude dizer-lhe aos estudantes e à faculdade foi que nós éramos conscientes das afirmações que se estavam fazendo, que estávamos tão ansiosos como qualquer outra pessoa de saber quais eram os fatos, e que estimularíamos qualquer investigação que se fizesse e que nos conduzisse a um entendimento mais pleno da situação. Disse-lhes do que o Pastor Walter Rea tinha trabalhado algo nesta área, e que a mim, pessoalmente, parecia-me que a investigação não era adequada o bastante para nos dar nenhuma conclusão final. Disse que nós no White Estate simplesmente não tínhamos o pessoal necessário para fazer este tipo de trabalho, além de cumprir com todas nossas outras responsabilidades. E lhes disse que esperávamos poder encontrar ajuda desde dentro da faculdade mesma do Seminário, para que nos ajudassem nesta obra. Olhei diretamente a Jim Cox, que estava sentado como a quinze pés1, testa a testa comigo, e lhe disse: "Jim, espero que você e os de teu departamento possam ajudar-nos nesta investigação para que possamos reconhecer os fatos, quaisquer que sejam, e terminar com os rumores infundados." Eu não lhe tinha dito a Jim nem uma palavra sobre o assunto antes desse momento, e crio que o deixei estupefato com meu comentário. Por suposto, eu estava inteirado de que ele se tinha acercado a Rum Graybill anteriormente e expressado interesse em levar a cabo esta classe particular de trabalho. Pareceu-me que, desde um ponto de vista psicológico, seria bom que nós não fôssemos arrastados a esta classe de programa de investigação, senão que ajudássemos a fomentá-lo. Com freqüência, os eruditos Adventistas são do parecer de que nós os diretores do White Estate em realidade não estamos interessados numa investigação séria neste sentido. Têm a impressão de que provavelmente sentimos temor do que poderíamos encontrar. A mim satisfaria dissipar esta idéia das mentes de nossos instrutores bíblicos Adventistas, se é possível. Qualquer que seja a atitude que assumamos nesta oportunidade, eu não crio que impeçamos que continue esta classe de investigações. Poderíamos desejar que cessassem todas essas investigações, mas estou seguro de que o desejar não produzirá nenhum resultado dessa classe Parece-me que temos só duas alternativas. Uma é que, de uma ou outra forma, envolvamo-nos na investigação. A segunda é que nos retiremos dela por completo, e simplesmente reajamos ao trabalho de outros depois de que tenham terminado sua investigação. Se aceitarmos a segunda alternativa, temo-me que afetará nosso grau de credibilidade aos olhos de nossos instrutores bíblicos. Dito seja de passagem, Rum Graybill me mencionou que, em relação com a solicitação que se lhe fez para que visitasse a Igreja Green Lake em Seattle, Washington, para um fim de semana dedicado ao Espírito de Profecia, já se lhe fez saber que vários membros da igreja de ali têm perguntas relativas ao uso de fontes na preparação do livro Desire of Ages. Parece que, goste-nos ou não, esta questão se está discutindo mais e mais amplamente. Pessoalmente, crio que nos conviria a nós aqui no White Estate ajudar a fomentar alguma classe de investigação séria que conduza a respostas definitivas para as perguntas que estão surgindo. Na atualidade, não sabemos como responder às muitas perguntas que nos estão chegando sobre este ponto, e não desejo dar a impressão de que tememos aos fatos Parece-me que a verdade não tem nada que perder com a investigação. Mais tarde na tarde da quinta-feira 26 de Outubro, passei como uma hora com Jim Cox em seu escritório no edifício do Seminário, revisando alguns detalhes da linha de investigação que ele seguiria, se é que ia ocupar-se neste projeto para nós. Expliquei-lhe que estávamos interessados em saber exatamente quais livros usou Ellen White como ajudas quando escreveu Desire of Ages e até que ponto se usou estes livros. Em outras palavras, que tipo de material extraiu ela dos livros? Foi cronológico? Geográfico? Cultural? Histórico? Por suposto, o mais importante que desejamos saber é em que ponto difere a Sra. White de seus contemporâneos. Eram estas diferenças no enfoque geral e o tom? Pedi-lhe que, em particular, procurasse contribuições teológicas e lições espirituais que se encontravam em Desire of Ages e que não se encontravam em nenhuma outra parte. Se Jim tem de fazer um trabalho consciencioso para o White Estate nesta área, será necessário que cooperemos com ele proporcionando-lhe informação de nossa abóbada, que agora está disponível para ele. Refiro-me à correspondência da década de 1890, que nos daria indícios tanto quanto acerca de quem eram as assistentes literárias de Ellen White quando trabalhava em Desire of Ages, como um pouco de a natureza de seu trabalho. Também seria útil ter qualquer comentário que estas empregadas tenham feito, especialmente Marian Davis. Também seria útil proporcionar-lhe a Jim declarações de W. C. White, H. Camden Lacey, Doures Robinson, e possivelmente outros, que poderiam arrojar luz sobre quando e como se levou a termo o trabalho do Desire of Ages. Também poderia ter informação recolhida dos diários e cartas de Ellen White, que proporcionem detalhes informativos adicionais. Jim me disse que precisaria pelo menos seis meses para fazer o trabalho que, segundo, ele seria necessário, e que só tinha uma permissão de três meses, que lhe tocava tomar no semestre de outono de 1979. Disse que estava vivamente interessado nesta tarefa em particular, e que se sentiria feliz de usar sua permissão de três meses para trabalhar nela, mas que não poderia fazê-lo a não ser que a administração da Universidade de Andrews lhe concedesse outros três meses sem nenhuma responsabilidade de ensinar, para poder passarem-se seis meses consecutivos trabalhando neste projeto. Mais tarde, nesse mesmo dia, conversei a respeito do assunto com Tom Blincoe e Grady Smoot. Ambos os se mostraram favoráveis à idéia nesse momento, mas, por suposto, não quiseram fazer nenhum compromisso que envolvesse três meses do tempo de Jim Cox. Quando estive ali, não falei com Dick Schwartz, porque estava no hospital. No entanto, faz como duas semanas, os doutores Smoot, Schwartz, e Blincoe se reuniram e discutiram nossa solicitação. Depois de sua reunião, Dick me disse por telefone que estavam dispostos a participar no projeto dando-lhe a Jim Cox os três meses de tempo extra que seriam necessários. Dick me recordou que Jim não sempre desfrutou da mais favorável reputação. Disse-lhe do que eu o sabia, mas que me parecia que se Jim era o bastante bom para ser chefe do Departamento de Novo Testamento em nosso único Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia, também era o bastante bom para fazer-nos este trabalho de investigação. Expliquei-lhe que, enquanto estive ali, tinha falado com Jim em duas ocasiões durante um total de duas horas e média, e que me parecia que podia confiar em sua atitude. Dick me assegurou que podíamos contar com a cooperação da administração da Universidade de Andrews. Assim que todo se está movendo agora nesta direção, a não ser que se faça algo para detê-lo. Na próxima reunião da Junta Diretora da Universidade de Andrews, o Dr. Smoot lhe pedirá à Junta que autorize a Jim a usar os meses de janeiro, fevereiro, e março de 1980 para ocupar-se neste projeto em particular. No semestre de inverno de 1980, Jim estaria livre de toda responsabilidade de ensinar. Incluo cópias das cartas que escrevi ao Sr. Smoot, o Dr. Blincoe, e o Dr. Cox, bem como uma carta recebida do Dr. Smoot mencionando este assunto. Sua carta foi escrita só uns poucos dias antes que Dick Schwartz me telefonasse dando a aprovação deles. Agora, pode ser que eu cometesse um erro ao olhar diretamente a Jim Cox durante a reunião da quinta-feira pela tarde e lhe pedisse sua ajuda abertamente. Só o Senhor sabe se fazer isso foi o correto ou não. A pergunta diante de nós agora é: Agora para onde vamos desde aqui? Como eu o vejo, temos as seguintes alternativas: 1 . Poderíamos decidir que não temos nada que ver com nenhum programa de investigação neste sentido, e informá-lo assim a nossos irmãos de Andrews. Isto significaria que qualquer coisa que Jim desejasse fazer seria por sua conta, e pareceu-me que, de todos os modos, ele se ocuparia em alguma investigação neste sentido por sua própria conta devido seu interesse no tema e o fato de estar constantemente ensinando no campo dos evangelhos. 2 . Poderíamos informar às autoridades de Andrews que decidimos fazer esta investigação nós mesmos aqui no White Estate em Washington e que, por essa razão, não precisaremos nenhuma ajuda em absoluto de sua faculdade. Não crio que ninguém em Andrews nos critique se decidimos seguir este procedimento. 3 . Poderíamos informar ao Dr. Smoot e a seus colaboradores que nos gostaria receber ajuda da faculdade de Novo Testamento de Andrews, mas que não cremos que a investigação deva fazê-la o chefe desse departamento. Poderíamos dizer-lhes que temos dúvidas a respeito de Jim e que, apesar de que se fizeram certos arranjos, cremos que devemos procurar a um dos sócios dele para que faça a investigação antes que se confiar ao mesmo Jim. 4 . Poderíamos patrocinar o plano que já foi lembrado por nossos colegas de Andrews, Rum Graybill, e eu mesmo. Poderíamos erigir qualquer dispositivo de segurança que nos pareça necessário para proteger os interesses do White Estate. Penso que foi o Pastor White quem mencionou que poderíamos designar a um comitê para que trabalhasse com Jim tão estreitamente como fosse possível para garantir que os interesses do White Estate estejam protegidos em todo momento. Pessoalmente, não vejo luz em nenhuma das três primeiras propostas. Idealmente, possivelmente deveríamos fazer a investigação aqui em nosso próprio escritório. Mas simplesmente não podemos fazer isto por falta de pessoal adequado. Simplesmente, não temos a ninguém no escritório que possa deixar por seis meses o que está fazendo para cumprir com a exigência que já foi lançada sobre nós com nosso convite. A única alternativa que me parece ter sentido é a última. O tempo de Jim não lhe custará nada ao White Estate, e crio que podemos permanecer o bastante perto dele para que as conclusões a que ele chegue sejam essencialmente as mesmas às que nós chegaríamos se nós mesmos fizéssemos o trabalho. Poderíamos pedir-lhe a Jim que preparara um relatório cada dois ou três semanas para um comitê composto de pessoas como Tom Blincoe, Roy Graham, o Dr. Murdoch, Dick Schwartz, e Raoul Dederen. Possivelmente, Dick Schwartz poderia ser o presidente desse comitê. Depois que tivermos discutido este assunto em nossa reunião de pessoal, em 5 de dezembro, possivelmente estejamos em condições de fazer uma recomendação à Junta quando esta se reunir em 7 de dezembro. Com meus melhores desejos. Sinceramente, [assinado Bob] Robert W. Olson, Secretário. RWO/nc
Capítulo 7.
Os Atos
dos Apóstolos O fundamento para a reinterpretação Adventista da história antiga e a doutrina foi lançado com Patriarchs and Prophets (1890), que se converteu assim na pedra angular da teologia e da geologia Adventistas. Depois, Desire of Ages (1898) teria de converter-se na pedra clave no arco da cristologia Adventista do Novo Testamento. Depois, o jogo mais importante de conchinhas de "agora o vês, agora não o vês" teve lugar com outro livro, The Acts of the Apostles (Atos dos Apóstolos) (1911), o subproduto de Sketches from the Life of Paul (Esboços da Vida de Paulo) (1883), e ainda antes, The Spirit of Prophecy (O Espírito de Profecia) (tomo três, 1878), teria de se erigir em monumento ao disparate Adventista da mentira branca. Muitos Adventistas ouviram falar algo do conflito a respeito de Sketches from the Life of Paul. Tinha sido publicado em 1883 e apresentado à igreja e ao público como a maior fonte de informação inspirada sobre a vida de Paulo desde que Lucas escreveu o Livro dos Atos. O prefácio dava a pauta:
Claramente, esta viagem rápida de Paulo, nos seus cerca de sessenta anos plenos, ira salvar os baixios da especulação humana, que tinham feito encalhar a outros escritores antes de Ellen. Em anos posteriores, se argumentaria que ela não escrevia o prefácio de seus livros e que, com freqüência, também não escrevia as introduções - o que pode ser, mas se é assim, destrói o argumento de que ela estava sempre em controle e sempre supervisionava o produto terminado. Ou Ellen apoiou essa afirmação, ou não a apoiou; mas, em todo caso, a declaração é útil para examinar o que sucedeu depois da publicação. O livro experimentou dificuldades quase em seguida tanto dentro como fosse da igreja. Francis D. Nichol, que mais tarde foi o apólogo de Ellen, fez o melhor do que pode para calar quaisquer maus rumores e adiantar-se a qualquer nova crítica contra a profetisa.2 Para dar-lhe a Nichol o crédito que merece, quiçá estivesse tratando de salvar algo que era difícil de salvar. Teve problemas com esta tarefa quase desde o princípio. Alguns eruditos consideram a defesa inadequada e inexata.3 A dizer verdade, alguns sugeriram que o nome de Arthur White deveria ter sido incluído como colaborador. O livro de Nichol, Ellen G. White and Her Critics [Ellen G. White e Seus Críticos], escreveu-se para continuar a evasão da realidade com a lenda de Santa Ellen, reordenando os fatos para negar que Ellen fora sempre qualquer coisa, menos ética, em sua maneira de escrever. Um observador disse que
Se esta informação é verdadeira, então, que objetividade poderia Nichol contribuir às idéias que expôs em relação com Sketches from the Life of Paul? Que tenha existido ou não uma ameaça de demanda judicial, o livro foi retirado da circulação, dando cada lado do debate diferentes razões para seu esgotamento. O livro não esteve disponível novamente até que se publicou uma reprodução em fac-símile noventa e um anos mais tarde. O grande alvoroço a respeito do livreto pode contar-se de uma maneira simples. O método de escrever seguia o modelo que já se tinha estabelecido, e não há dúvida de que o material foi roubado de outras fontes. Teve queixas de que Sketches soava muito parecido a The Life and Epistles of St. Paul, escrito por W. J. Conybeare e J. S. Howson. Ainda que as similitudes fossem negadas nesse tempo, um exame posterior mostrou que a crítica tinha fundamento. Usou-se uma comparação de por centos para tratar de reduzir ao mínimo o fato da dependência. Um estudo efetuado por H. Ou. Olson5 em princípios de 1940 foi a base para o material no livro de Nichol que defendia Ellen. Olson apresentou páginas e páginas de comparações, mas só informou de citações diretas ou palavras similares. A verdade é que Ellen tinha usado material do outro autor quase sem interrupção. Comparações mais recentes indicam do que a paráfrase do livro de Conybeare e Howson é evidente na estrutura as palavras, os parágrafos, e até as páginas do material – quase sem dar-lhe a Deus oportunidade, em muitos casos, de inserir uma palavra transversalmente.6 Até a cor local e o vocabulário de Ellen são limitados em alguns capítulos. Apesar dos truques na preparação do livro, as conhecidas críticas, e o fato de que tinham transcorrido noventa anos, a reimpressão do facsímile se fez em 1974 sem mudanças nem confissões. No novo prefácio da edição em fac-símile, os fideicomissários diretores do White Estate ainda louvavam os méritos do livro como se não tivessem aprendido nenhuma lição nos passados cem anos:
Para uma igreja que sempre lhe tinha dito ao público que nada deveria adicionar-se ao Cânon, mais ou menos uns poucos pensamentos, 750 novas adições seriam impressionantes até para um livro escrito por Ellen. A admissão por parte de H. Ou. Olson de que ela tinha copiado material era compreensível. Mas, como um dos que estavam inteirados, ele tinha informação confidencial adicional que Nichol não usou em seu livro. Olson também tinha feito um estudo sobre outro autor que Ellen e seu grupo consideraram útil, porém, como de costume, não haviam antes reconhecido. Ao documento foi dado o pesado título de "Comparações Entre 'The Life and Works of Paul', escrito por Farrar, e 'Sketches from the Life of Paul,' escrito pela Sra. E. G. White, Para Estabelecer Se o Último Dependeu do Primeiro." O estudo era uma verdadeira promessa. As comparações se fizeram circular entre os membros da igreja no campo, com a particularidade de que lhes faltava a primeira página. Essa página dizia:
Apesar de todas as lições do passado, e como para seguir um modelo de não ver, Olson continuou restringindo-se, como outros que vieram depois. Ninguém parecia querer reconhecer a mercadoria roubada na casa de empenhos de Ellen, porque os futuros investigadores parecem ter-se feito eco de Olson quando diz na primeira página de seu documento:
Uma ou outra vez, os que estavam incluídos no Plano do Clã da igreja se apressaram a emitir juízos para salvar a Ellen – fechando os olhos às paráfrases ou o uso livre nas adaptações de material alheio. Assim contribuíram a manter viva a mentira branca. No entanto, houve alguns contemporâneos de Ellen que viam o que ocorria quando Ellen e seu grupo faziam arder o azeite de meia-noite bem entradas as horas da madrugada. 10 Arthur G. Daniells, (presidente da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia desde 1901 até 1922), quando se lhe pediu que explicasse aquelas luzes do norte que com freqüência alumiam o material alheio, apresentou alguma justificativa do problema durante a Conferência Bíblica de 1919, na qual se fizeram esforços para enfrentar-se aos escritos de Ellen. Como muitos dos membros do clã que ainda queriam trabalhar para o sistema, tomou o caminho mais fácil em sua explicação:
Ellen deve ter aprendido bem sua lição de Eva, que culpou à serpente por sua queda. É difícil crer, ainda em 1883, em seu plano de reescrever a história e a teologia a partir de outros autores, que Ellen não soubesse a diferença moral e ética em áreas tão delicadas quando, de acordo com ela, Deus estava a seu lado todo o tempo enquanto ela fazia o que fazia. Se, como assegurava Ellen, Deus lhe estava dando contínua informação a respeito da roupa suja dos membros da igreja, seguramente deve ter-lhe dado informação confidencial a respeito da delicadeza de dar crédito quando usava material alheio. A maior parte dos livros e materiais posteriores de Ellen chegou depois do que se lhe tinha informado do problema com Sketches from the Life of Paul e depois da já mencionada confissão de ignorância. É assombroso que nem ela, nem seus ajudantes, nem a igreja dessem jamais nem um ápice de crédito a ninguém, até a edição de 1888 de The Great Controversy (O Grande Conflito). Ainda então, fez-se de maneira tão improvisada, que teve que ser melhorada na edição de 1911. A Daniells não lhe gostou o que viu. Mas, sendo bom político, tinha aprendido a não dizer nada bem. Em 1919 , expressou honestamente a seguinte convicção:
Mas não se teve o devido cuidado. Em realidade, as afirmações de Ellen e de seus escritos se voltaram ainda mais abarcantes e extremas, e até a data há gente que está sendo "descarrilada." Mas Daniells estava tendo problemas com algo mais do que com Sketches from the Life of Paul. Na mesma Conferência Bíblica de 1919, teria de dizer-lhes aos presentes (a maioria dos quais revelaram sofrer de tortura mental a respeito da infalibilidade e o plágio de Ellen) que tinha visto outros problemas em outros livros:
Daniells não falava de "inspiração verbal," como alguns querem fazer-lhe crer à gente. Sabia, como outros o tinham sabido antes que ele, que alguns dos que estavam ao redor de Ellen haviam usado o privilégio editorial e licença para incorporar alguns de seus próprios pensamentos. Ellen não estava em controle todo o tempo. Daniells a tinha visto soltar as rédeas e ter menos controle com o correr do tempo. Ele conta sua preocupação:
Há quem crêem que Daniells se meteu em águas profundas tratando de reduzir a velocidade da lenda de Ellen, e que foi despedido pelos verdadeiros crentes em 1922 em parte a causa dos rumores de sua falta de fé em Ellen e em seus escritos.15 Esta pode ser ou não uma correta interpretação do que passou. No entanto, um por um, os que melhor conheciam a Ellen e estavam mais perto dela no mundo real, com freqüência eram disciplinados quando não podiam seguir seus escritos no mundo irreal, onde sua ficção era considerada como fatos e sua fantasia como verdade. Ellen não exigia que todos vissem o que ela via, mas era necessário que cressem que ela tinha visto o que dizia que tinha visto. Mas a parte imensamente importante do jogo de mãos era que ninguém deveria vir ver onde ela viu o que diz que viu. O verdadeiro truque consistia em convencer, a todos e a cada um deles, de que a maior parte da mercadoria do que ela vendia era nova e de primeira mão. Com a ajuda de Ellen, a igreja vendeu esta mentira branca a si mesma e vendeu-a a todos os demais que queriam comprá-la – e continuou vendendo-a até o dia de hoje. Como se está publicando material novo a uma velocidade alarmante, mostrando que a mercadoria era e é substancialmente de segunda e ainda de terceira mão, Ellen está em condições de converter-se, em grande parte, em compiladora de material alheio antes que em autora ou empresária de mercadoria divina. À luz do material da Conferência Bíblica de 1919, que foi dado à luz pública só em anos recentes - não de boa fé pelo White Estate, senão por particulares – seria temerário argumentar, como fazem alguns, que ninguém sabia o que sucedia no closet dos escritos de Ellen; porque, se o tivessem sabido, se o teriam dito aos demais. Em realidade, si teve gente que o disse. Mas os que o fizeram não foram recompensados por seus esforços: Stewart, Sadler, os Kellogg, Ballinger, Canright, Colcord, Smith, e Daniells, entre outros. Mais tarde, as assistentes de Ellen - Fannie Bolton, sua sobrinha Mary Clough, e até Marian Davis, seu leal empregada editorial, que trabalhou para ela por mais tempo - se revelariam preocupadas e nervosas por sua participação no copiado de Ellen. Ainda mais tarde, nos inteiraríamos de que as preocupações de Lacy, Prescott, e outros foram também ignoradas, e que suas perguntas ficaram para pôr perplexas e tentar às mentes inquisitivas de hoje dia. Um por um, cada um deles foi persuadido por meio de uma "repreensão," um "depoimento," um conselho, e a confrontação, e seus depoimentos minimizados.16 Como Uriah Smith o tinha averiguado antes deles, não era aconselhável revolver muito a casa de empenhos de Ellen olhando as etiquetas de sua mercadoria para ver se era de primeira ou de segunda mão. Alguns dos que o fizeram foram silenciados, mudados de lugar, ou rejeitados como não aptos para Deus ou sua obra. Ellen e seus "verdadeiros crentes," os custódios das chaves, tendo inventado a idéia da porta fechada em 1844, estavam decididos a mantê-la fechada para todos, menos para os que jurassem que criam de que Ellen, e só Ellen, tinha visto o que tinha visto, e que ninguém, mas ninguém, tinha visto nunca dantes. Ela afirmaria que não tinha visto nem lido o livro Paradise Lost, de Milton.17
Ellen nunca se resignou a reconhecer a influência humana em seus escritos. AOS que viam as coisas de maneira diferente jamais se lhes permitiu admitir o que viram ou souberam – a base de todo mudança para melhorar. Tinha que manter a lenda de que a relação entre Deus e Ellen era tão estreita que nada poderia jamais se interpor entre eles. E Ellen White ajudou a fomentar e a manter essa lenda. Os que expressavam em voz alta sua preocupação pelo que viam eram declarados "suaves" a respeito de Ellen e tratados em conseqüência. A lista dos que receberam notícias do desagrado de Deus por meio da pluma de Ellen é longa.21 Ainda hoje, mediante juramento, fazem-se esforços para evitar que os mestres e dirigentes das igrejas locais expressem reservas com respeito a Ellen e a seus escritos. A continuação, um exemplo desse tipo de juramento, enviado aos membros de igreja o 3 de Outubro de 1980: A junta de pastores da igreja de Aurora recomendou que se lhe envie esta carta a cada um dos membros. Sirva-se ler com cuidado. Queridos membros: A igreja de Aurora é membro da irmandade de igrejas da Conferência dos Adventistas do Sétimo Dia de Colorado. Foi organizada para pregar o evangelho e sustentar os ensinos da igreja Adventista do Sétimo Dia. Nas Escrituras, se lhe adverte à igreja que deve "estar alerta" contra indivíduos ou ensinos que possam entrar e desbaratar a unidade ou apartar aos membros das crenças da igreja. A igreja Adventista do Sétimo Dia não tem credo, mas sim tem uma declaração de crenças que foi adotada como a base de sua existência. A declaração de crenças foi reafirmada na recente Conferência Geral [1980]. Mais recentemente, os dirigentes e eruditos adotaram uma declaração de consenso que proporcionava um forte apoio à posição oficial da igreja sobre os ensinos relativos ao santuário e o ministério profético de Ellen G. White. Para preservar a unidade e manter o ordem, a igreja de Aurora deve solicitar-lhes aos dirigentes e aos que ocupam postos no ministério do ensino que se assinem às crenças fundamentais dos Adventistas do Sétimo Dia. Se um maestro ou dirigente não pode fazer isto a consciência neste momento, pedimos-lhe que renuncie a seu posto voluntariamente. Pedimos-lhe isto num espírito de amor, crendo que esta seria a resposta cristã de parte da pessoa que se encontre em desacordo com os ensinos da igreja. Reconhecemos que Deus deu certos dons a indivíduos. Estamos tratando de usar estes dons para a glória de Deus. Esperamos que cada um de nossos dirigentes e maestros reconheça sua lealdade à igreja e seus ensinos, e que continue cumprindo com suas obrigações. 17. O Dom de Profecia. Um dos dons do Espírito Santo é o de profecia Este dom é uma marca que identifica à igreja remanescente, e se manifestou no ministério de Ellen G. White. Como a mensageira do Senhor, seus escritos são uma fonte contínua e autorizada da verdade, e proporcionam à igreja consolo, guia, instrução, e correção. Ademais, seus escritos dizem claramente que a Bíblia é o modelo pelo qual se tem de provar toda doutrina e toda experiência. [A cursiva foi adicionada].22 Quiçá mais do que qualquer outro documento, esta carta mostra quão necessário foi e continua sendo que a igreja use a força e a pressão para manter a posição de Ellen na igreja. Também expressa com clareza que o céu Adventista é um céu de Ellen G. White, e que os que vão ali terão que comprar seu boleto das santas concessões da igreja que se vendem na casa de empenho de Ellen. E, no entanto, nem uma só vez, nem sequer em interesse da justiça ou da honestidade, deu-se-lhe crédito a ninguém por sua contribuição concernente aos escritos que a igreja ora promove como "o espírito de profecia." Algumas vezes se mencionou aos obreiros, mas sempre se negou a influência externa.23 A única declaração de alguma substância à qual a igreja subscreveu alguma vez é a que se pôs na introdução à edição revisada de The Great Controversy (O Grande Conflito) de 1888 e mais tarde na edição de 1911 John Harvey Kellog parecia ter a verdadeira resposta a essa atuação quando disse:
À medida que a história se revelava ano depois de ano, e década depois de década, mais e mais dirigentes de igreja, amigos pessoais, ajudantes, e outros caíram na conta do jogo de esgrima que Ellen e seu grupo estavam jogando, mas quando deram um passo adiante para testemunhar do que tinham visto, ou para fazer perguntas a respeito de o que não entendiam, foram fuzilados. Fannie Bolton, uma das assistentes editoriais de Ellen, foi um dos casos. Foi contratada por seu reconhecido talento. Mas várias vezes, cheia de remorsos pelo que via e o que se lhe pedia que fizesse, foi até pessoas importantes para contar-lhes sua história e tratar de obter algumas respostas para o que ela sentia que não era apropriado. Uma dessas pessoas foi Merritt G. Kellogg, que escreveu a respeito de essa experiência: Disse Fanny: "Dr. Kellogg, tenho uma grande angústia mental. Vim pedir-lhe conselho, porque não sei que fazer. Disse-lhe ao Pastor Starr [Geo. B.] o que vou dizer-lhe a você, mas não me deu nenhum conselho satisfatório. Você sabe que eu estou escrevendo todo o tempo para a Irmã White. A maior parte do que escrevo se publica em Review and Herald como se tivesse saído da pluma de Ellen G. White, e se despacha como se tivesse sido escrito pela Irmã White por inspiração divina. Quero dizer-lhe que me sento muito agoniada a respeito de este assunto porque me parece que estou atuando de maneira enganosa. A gente está sendo enganada a respeito da inspiração do que escrevo. Parece-me muito mau que qualquer coisa que eu escreva saia com a assinatura da Irmã White como se fosse um artigo especialmente inspirado por Deus. O que eu escrevo deveria sair com minha própria assinatura, para que se lhe dê crédito a quem o merece." Lhe dei à Srta. Bolton o melhor conselho que pude, e pouco depois lhe pedi à Irmã White que me explicasse a situação. Disse-lhe exatamente o que Fanny me tinha dito. A Sra. White me perguntou se Fanny me tinha dito o que eu lhe tinha repetido a ela, e quando lhe disse que sim, disse-me: "O Pastor Starr diz que ela foi onde ele com o mesmo. Agora," disse a Irmã White com algum calor, "Fanny Bolton jamais voltará a escrever nem uma só linha para mim. Ela pode fazer-me dano como nenhuma outra pessoa pode fazê-lo." Alguns dias mais tarde, a Srta. Bolton foi devolvida aos Estados Unidos. Desde esse dia até hoje, meus olhos permaneceram abertos. M. G. Kellogg.25 Ao White Estate lhe gosta dizer que há provas disponíveis indicando que Fannie era emocionalmente instável. Por que não deveria sê-lo, considerando as influências e pressões que atuavam sobre ela? Algumas destas influências e pressões aparecem mais tarde em sua "confissão." Sob o sistema de relação trabalhista de Ellen, um não era despedido abertamente sem que Deus estivesse ativamente na junta trabalhista. O Pastor Starr conta como ocorriam essas separações: Depois, retirei-me a minha habitação e orei fervorosamente em relação com o assunto, pedindo-lhe ao Senhor mais luz e direção quanto a como chegar à raiz da dificuldade. Ao sair de minha habitação, passei em testa da porta da Irmã White, e como estava entornada, ela me viu e me chamou a sua habitação, dizendo: "Tenho problemas, Irmão Starr, e me gostaria falar com Você" Perguntei-lhe a natureza de seu problema, e ela contestou: "Meus escritos, Fanny Bolton" - só quatro palavras. Depois, perguntei-lhe qual era o problema com Fanny Bolton e seus escritos... Ela disse: "Quero contar-lhe uma visão que tive hoje como às duas da manhã. Estava tão desperta como o estou agora, e apareceram por em cima de mim uma carruagem de ouro e cavalos de prata, e Jesus, em sua real majestade, estava sentado na carruagem. Fiquei muito impressionada com a glória desta visão, e lhe pedi ao anjo que me acompanhava que não permitisse que a visão desaparecesse senão até que eu tivesse acordado a toda a família. Ele disse: 'Não chames à família. Eles não vêem o que você vê. Escuta uma mensagem.' Então me chegaram as palavras retumbando sobre as nuvens desde a carruagem e desde os lábios de Jesus: 'Fanny Bolton é tua adversária! Fanny Bolton é tua adversária! A mensagem se repetiu três vezes. Agora," disse a Irmã White, "eu tive esta mesma visão faz como sete anos, quando minha sobrinha, Mary Clough, trabalhava em meus escritos. [Ela disse]: 'Tia Ellen me dá os escritos em rascunho, e eu os pulo, mas não recebo nenhum reconhecimento por isso. Todo sai assinado Ellen G. White."26 Nenhum grevista moderno teria menos oportunidade estando Deus fazendo as negociações nessa junta trabalhista. (Evidentemente, estas eram negociações de tão alto nível que não se lhe podiam confiar nem sequer a nenhum dos anjos subordinados.) Em todo caso, naqueles dias era o mesmo que agora: Quando o árbitro diz que estás fora, estás fora! Um dos interessantes apartes deste assunto parece ser o de Mary Clough, a sobrinha de Ellen. Com freqüência, tinha sido elogiada por seu trabalho quando esteve com Ellen, quem disse dela:
Mas, como Fannie, Mary também tinha caído em desgraça e tinha sido despedida - novamente por Deus. Isto demonstra que (também naqueles dias) quando Você está quente, está quente, mas quando Você esfriou-se (é dizer, quando viu demasiado do que Ellen via e onde o via), Você está fora. Apesar de todas as observações a respeito do copiado de Ellen que chegavam a Washington, D. C. pela linha quente, a posição oficial era, e é, que ainda se se descobrisse que Ellen tinha copiado todo de Conybeare e Howson, ela não tinha sido influenciada pelo que tinha reconstruído em suas próprias palavras com a ajuda de Deus. Ainda em 1959, numa série de artigos, o neto Arthur ainda estava renovando o compromisso a favor da avó:
É difícil crer que o neto Arthur não soubesse quem estava "falando com a Irmã White." Como custodio das chaves da abóbada ele deve ter sabido quais evidências estavam disponíveis para dar a resposta. Mas continuou dizendo por que não se atrevia:
Muito verdadeiro. É interessante especular sobre por que Arthur escolheu os nomes que escolheu, pois durante algum tempo a maquinaria Adventista de rumores tinha estado cochichando os nomes dos que contribuíam aos escritos de Ellen, incluindo os que ele mencionou. H. Camden Lacey tinha escrito:
Novamente, deve recordar-se que os dirigentes da igreja sabiam que Lacey tinha informação confidencial concernente à composição de alguns dos livros; e em suas cartas a Leroy E. Froom, tinha-lhe escrito em 1945:
Há quem poriam em dúvida a exatidão da memória de Lacey a respeito de estas questões, mas em fim de contas sua memória tem que se contrapor à memória do neto Arthur ou à de qualquer outro membro do White Estate. Eles não estavam ali quando o incidente teve lugar. Ainda que Arthur não tinha sido adestrado em psicologia moderna, nem tinha sido preparado a fundo como teólogo, sim sabia que se lhe tinha confiado a tarefa de proteger as concessões de sua avó, e não tinha nenhum desejo de perder aquela franquia celestial, nem ele mesmo nem sua igreja. Não estava só na proteção dessa imagem celestial. Na segunda parte de seus artigos, citação à avó Ellen como dizendo:
Uma pessoa razoável de média inteligência e uma modesta educação pode ver que algo tem que ceder. Uma comparação independente de Sketches from the Life of Paul (Esboços da Vida de Paulo) com os autores que Ellen White usou proporcionaria suficiente evidência para que até seus mais firmes defensores chegassem à conclusão de do que, até em teologia, as coisas iguais a si mesmas também são iguais entre si.36 Mas Arthur não era matemático. Assim que, sem a restrição dessa disciplina, pôde escrever:
Estas incríveis afirmações deveriam ter eliminado para sempre todas as perguntas - mas não as eliminaram. Teriam de vir mais, e numa seqüência mais rápida. A posição da Igreja Adventista mudou na década de 1970. Para salvar-se dos efeitos da crescente evidência de que Ellen sim copiou material alheio, de que sim ocultou esse fato, e de que outros si tinham influído sobre ela, agora a igreja disse, aliás – e que? O copiar material não era nada novo. Como Ellen depois deles, a maioria dos escritores bíblicos também copiou de outros e foram influídos por outros. A partir dessa linha de raciocínio, é claro que a igreja e o neto Arthur tinham decidido em seu pensamento que Ellen fazia muito tempo se tinha convertido na primeira entre seus iguais. O auditório ao qual apelava Arthur na Review era um auditório cativo. Este auditório não se dava conta, quando lia a respeito de Sketches from the Life of Paul (Esboços da Vida de Paulo), que antes de Sketches, Ellen já tinha extraído material livremente de outros autores em sua versão anterior sobre a vida de Paulo (tomo três do Espírito de Profecia).38 No prefácio da reimpressão de 1974, o leitor cauteloso poderia ter-se tropeçado com uma pequena jóia de afirmação oculta ali, mas não muitos eram cautelosos na década de 1870, porquanto esse reconhecimento teria de vir noventa e um anos depois dos fatos. Não se precisa um alto grau de erudição para detectar a fórmula de Ellen para usar material de outros autores no precursor de Sketches from the Life of Paul. No entanto, exige-se certo grau de algo mais para entender como - depois de se cercar, por assim dizer, de escritores como Conybeare e Howson, Farrar, March, McDuff, e quem sabe quantos mais – podia ela sustentar, impávida, que não tinha sido influenciada por eles, quando os enchimentos insertos se sobressaíam por todas as partes. Se ela foi influenciada ou não é agora de menor importância, sendo o principal que a igreja e todos seus membros certamente foram influenciados por aqueles de quem ela copiou (e foram desencaminhados quanto aos fatos). E a igreja em general continua sendo assim influenciada pelas idéias, orações, parágrafos, e até páginas do material que não é como foi representado. Até H. Ou. Olson, que tinha a tarefa de desviar as críticas que vinham dos que sabiam como Ellen tinha reunido material de outros para seu livro Life of Paul (Vida de Paulo), admitiu:
Quem disse que se supunha que seus objetivos fossem os mesmos? De alguma maneira, os mordomos diretores do White Estate tinham "extraviado" aquela página frontal da investigação de Olson sobre parte do livro, e não reapareceu em público senão até que o Comitê de Glendale se reuniu em Janeiro de 1980 para estudar as comparações com as fontes – e um Olson de outra geração informou ao grupo que seu tio era o que tinha feito o estudo anterior. 40 Quaisquer que fossem os defeitos desse estudo foi o estudo que usou Nichol em sua defesa de Ellen, e o livro que tinha iniciado à igreja para abaixo no serpenteante caminho dos percentuais a respeito da página frontal faltante, da qual poucos tinham ouvido falar, muito menos lido, H. O. Olson tinha dito:
Quiçá se H. Ou. Olson não tivesse sido tão franco e aberto, seu trabalho teria tido uma circulação mais ampla. Ele admitiu as limitações de seu estudo. Como muitos o fariam desde seus tempos até a atualidade, ele procurava palavras e citações diretas – não paráfrases ou adaptações de pensamento. Esse trabalho, que poderia ter-se feito sem pressa numa tarde de domingo como diversão e jogando, foi considerado como defesa sólida no muro da mentira branca que pararia e rejeitaria desafios por outros quarenta anos. A seqüela da história, no entanto, é mais notável do que seu princípio. Com o desaparecimento temporário de Sketches from the Life of Paul e a expansão da série O Espírito de Profecia na Série do Conflito, maior, foi necessário ressuscitar a Paulo de seu funeral em Sketches. Ellen mesma expressou este desejo em 1903 quando escreveu:
Agora tinha mais de setenta anos e a natureza tinha começado a cobrir os carvões do fogo de sua vida. Em realidade, para quando The Acts of the Apostles (Atos dos Apóstolos) apareceu em 1911, ela tinha cerca de oitenta e quatro anos de idade.43 O que nasceu pode ter sido uma nova edição, mas o recheio era o mesmo. Para este tempo, no entanto, Ellen tinha sido ascendida a uma posição de supervisão, e atuava só como a superintendente de Deus. O Ellen G. White Estate faz uma interessante admissão em Life Sketches of Ellen G. White:
Em realidade, não tinha muito que supervisionar. Em alguns casos, se reordenou o material original, adicionaram-se alguns autores mais, e se moderou algo do copiado mais óbvio com mais textos bíblicos. Mas se tinha adicionado uma nova dimensão. Chamou-se aos experientes para que fizessem um trabalho cosmético sobre as cifras antigas. De ali em adiante, seria difícil relacionar The Acts of the Apostles (Os Atos dos Apóstolos) com seu predecessor, Sketches from the Life of Paul (Esboços da Vida de Paulo), ou o predecessor deste último, o tomo três do Espírito de Profecia. Um estudo cuidadoso e uma acurada comparação dos três livros na ordem de sua produção mostram muita imaginação e evolução criativa - todo isso capaz de ser feito pelo homem, não por Deus. O tomo três do Espírito de Profecia revelava pouca teologia original. Sketches from the Life of Paul (Esboços da Vida de Paulo) adicionou material a mais autores, mas não tinha mais originalidade - e não tinha nenhum reconhecimento de uma crescente dependência de outros autores.45 A edição final de The Acts of the Apostles (Atos dos Apóstolos) era um entrelaçamento de materiais efetuado por um "consórcio" de conspiradores. Algo do material que tinha sido copiado anteriormente foi substituído com textos bíblicos. Diluíram-se e se limitaram os detalhes óbvios de paráfrase. Mas um novo mestre entrou à areia da inspiração. À vida de Paulo se lhe adicionou a vida de Pedro. Isto, além da família de Conybeare e Howson, Farrar, March, e McDuff, introduziu capítulos adicionais, que mostravam a ajuda de John Harris, que em 1836 tinha publicado uma série de cinco ensaios num livro titulado The Great Teacher (O Grande Mestre), que prometia muito e vendia-se bem.46 The Great Teacher (O Grande Mestre) era diferente de qualquer coisa que Ellen e seu grupo tivessem usado antes. A maioria dos escritores anteriores tinha seguido bastante de perto a narrativa das Escrituras Isto tinha ajudado ao White Estate a se defender das críticas de que Ellen tinha copiado. A defesa era que, ainda que se colassem algumas similitudes dos autores usados, essas similitudes eram apenas coincidências, porquanto tanto o material copiado como a pessoa que copiava estavam seguindo a narrativa bíblica, e quiçá estavam usando as mesmas referências marginais, e quiçá o mesmo dicionário bíblico, e quiçá, quiçá, quiçá.47 Mas este Harris não era nenhum quiçá! Aqui mostramos uma comparação da introdução de The Great Teacher (O Grande Mestre) com o tomo seis de Testimonies for the Church (Testemunhos Para a Igreja).
Harris e The Great Teacher (O Grande Mestre) tinham aparecido nas obras de Ellen anteriormente mas, como em outros casos, sem crédito nem reconhecimento. Tinha-se encontrado o material de seu livro muito útil ao reescrever The Desire of Ages em 1898. Muitíssimas vezes, Harris e seus ensaios deixam sua marca em The Acts e em The Desire, e em Ellen e sua igreja. Alguns dos doces ditos que repicavam a sino Adventista harmonizavam com Harris, não Ellen. Sem as afirmações de Harris, como a de que Ele desenhou a igreja para que fosse seu próprio pecúlio; é a única fortaleza que ele sustenta num mundo em rebelião; e, portanto, ele tinha o propósito de que nela não se conhecesse nenhuma autoridade nem se reconhecesse nenhuma lei, exceto a sua.50 As introduções de The Acts e de The Desire teriam sido tão monótonas como as de seus respectivos predecessores, nos quais estas introduções faltavam por completo – o que mostrava o que Deus podia fazer com um pouquinho de ajuda. Mas o uso de Harris e The Great Teacher não se limitou às introduções a estes dois livros de Ellen. Mais tarde, Fundamentals of Christian Education (Educação), Counsels to Teachers (Conselhos aos Professores), e Education (Educação) apresentariam a Ellen de princípio a fim – e pouca gente saberia que Harris era realmente a sensação do espetáculo.51 Se as declarações de Harris fossem extraídas de qualquer dos cinco livros e postas em outro lugar do mesmo livro, a continuidade dos pensamentos não se alteraria em nenhum caso. As declarações não têm relevância nem valor em seu contexto ou ambiente a não ser que o leitor lhes dê alguma sorte de valor. Em conseqüência de não seguirem nenhuma narrativa bíblica, nenhuma ordem estabelecida, podem usar-se como com freqüência tem-se praticado – em qualquer parte, em qualquer momento, por qualquer pessoa, para dizer qualquer coisa ou para estabelecer qualquer ponto. Indicou-se que W. W. Prescott, o gênio educativo do Adventismo,52 tinha grande interesse em Ellen, bem como em seu material e seus escritos. O estilo de ler e de pensar de Prescott está muito mais de acordo com o de Harris do que com o de Ellen, pois, a diferença de qualquer outra pessoa, Harris aparece na extensa lista dela.53 Em anos posteriores, o White Estate fez uma interessante admissão quanto à participação de Prescott na produção de The Desire of Ages (O Desejado de Todas as Nações). Um trabalho trazido à luz pública por Robert Olson, e artigos posteriores de Arthur White na Review afirmava que Prescott, sim, teve algo que ver com a "correção" gramatical em The Desire of Ages.54 Essas afirmações, mais a carta de Lacey, relacionam bastante bem a Harris e A Prescott com a corrente de acontecimentos. Uma nota adicional de interesse é que quando se compara a The Doctrine of Christ, o livro de texto de Prescott para a escola superior, com Harris e seu material (copiado dos primeiros poucos capítulos de The Desire of Ages), os três mostram uma notável similitude, com Harris ocupando um rápido primeiro lugar, Ellen claramente um segundo lugar, e o livro de Prescott num lento terceiro lugar, mas ainda na concorrência.55 Um final tão fechado explicaria por que o professor estava tão preocupado de que o material escamoteado de Harris e entregado aos "defensores" da igreja aparecesse mais tarde na casa de empenhos de Ellen e se vendesse como mercadoria de Deus.56 Para qualquer pessoa que estivesse a certa distância, era óbvio que todo o "emprestado" se fez com espelhos – mas não enfocados para refletir a Harris, ou a March, ou a Conybeare e Howson – nem sequer para refletir a Deus. A obra final foi pendurada no Salão da Fama Adventista para refletir a obra e a autoridade de Ellen como os dirigentes e teólogos as entregaram à Igreja Adventista. Os últimos cinco livros da Série Conflito teriam de ficar como a contribuição duradoura e autorizada de Ellen (e, portanto, de Deus), e do Adventismo à geologia, à teologia, à cristologia, e à escatologia. Os Adventistas crêem e ensinam, seja oficialmente ou extra-oficialmente, que a "inspiração" (ou o gênio) de Ellen e a habilidade para reassinalar os fatos da história e predizer os eventos do futuro, é de inquestionável autoridade. A Conferência Geral de 1980 da Igreja Adventista do Sétimo Dia, a expulsão de Desmond Ford em Colorado, a constante negação dos fatos nas investigações atuais sobre o programa de copiado de Ellen White durante sua vida, a insistência em dizer que qualquer falta que se possa encontrar em sua vida e em seus métodos pode igualar-se com as experiências dos escritores bíblicos - tudo indica que ela é a intérprete final e infalível de toda fé e prática Adventista. No entanto, houve rachaduras no espelho Adventista. A forte posição da administração Adventista não vinculou no mundo em geral. Nem sequer foi aceita pela igreja em geral. A Ellenologia é um fenômeno norte-americano. Quase todos na totalidade do Adventismo estão fora dos Estados Unidos e não tiveram a totalidade de seus escritos, nem lhes preocupa usá-los, ou pelo menos os interpretam em forma algo diferente de como o faz o aderente norte-americano. Até os verdadeiros crentes que deixam as costas dos Estados Unidos tendem a adaptar-se a uma influência sem Ellen nos assuntos da igreja e seu estilo de vida pessoal, só para mudar a sua posição anterior novamente quando regressam à pátria de Ellen. Com freqüência, o sinal desta mudança é um anel de casamentos, proibido, por instruções de Ellen, para ministros e membros, igualmente, nos Estados Unidos. Ellen tinha convertido a ausência de um anel na marca do Adventismo nos Estados Unidos, quando escreveu: “Alguns levaram um ônus com relação a levar um anel de casamento, pensando que as esposas de nossos ministros deveriam adaptar-se a este costume. Todo isto é desnecessário. Que as esposas dos ministros tenham o elo de ouro que une suas almas a Cristo Jesus, um caráter puro e santo, o verdadeiro amor e a mansidão e a piedade que são o fruto da árvore do cristão, e sua influência em todas as partes estará assegurada. O fato de que o fazer caso omisso do costume dê lugar a observações não é uma boa razão para adotá-la. Os norte-americanos podem dar a entender sua situação dizendo claramente que em nosso país o costume não se considera obrigatório. Não é necessário que levemos o sinal conosco, pois não estamos sendo infiéis a nosso voto matrimonial, e o levar o anel não seria evidência de que somos fiéis. Preocupa-me profundamente este processo de conformação que parece estar ocorrendo entre nós, de conformidade com o costume e com a moda. Não deveria gastar-se nem um centavo num anel de ouro para testemunhar que estamos casados.”57 Por décadas, a discussão desta proibição gerou mais calor que luz nos corpos deliberantes da igreja, perdendo Deus a discussão, se, supostamente, foi Ele o autor, porque a maioria das igrejas afrouxaram a proibição para permitir que se use o anel. Caso contrário, muito do talento da igreja estaria fora dos limites da graça e o uso da igreja. Ainda é difícil para os pastores e evangelistas da igreja batizar a membros que tenham posto seu anel, e com freqüência se usa um pedaço de fita adesiva para ocultá-lo. Parece que até há maneiras de rodear a Ellen e ao seu Deus. A confissão, o começo dos começos, é um ato antinatural - uma admissão de culpa, de ter feito o mau, e de propósito humano, em desacordo com a ética do homem ou as leis morais de Deus. Quando a confissão vem da mente, é útil para propósitos externos. Quando vem do coração ou da alma é útil para propósitos internos. Em qualquer dos dois casos, a confissão pode ter um efeito curto ou duradouro, dependendo das circunstâncias. No entanto, sempre se desperdiça quando ocorre demasiadamente tarde ou quando é forçado ou extraído muito tempo depois que o conhecimento dos fatos que causam a necessidade da confissão se tenha propagado. Tal parece ser o caso em relação com Arthur White e seu trabalho de Janeiro 18, 1981, titulado "The Prescott Letter to W. C. White" [A Carta de Prescott Para W. C. White]. Fiel à metodologia do "staff" do White Estate, Arthur trata em seu documento de minimizar, ou manchar sutilmente, a Prescott, principalmente a causa da carta deste último a W. C. White, suas conexões com Avó Ellen, e a reconhecida ajuda que ele lhe proporcionou aos escritos dela. A acusação de inclinações panteístas se lhe faz a Prescott o mesmo que se lhe fez a Waggoner e A Kellogg. Quiçá por falta de provas, Arthur não dá os detalhes de suas acusações, usando tão somente expressões tais como “um indício disto,” "ulteriores afirmações parecem dar a entender isto," "parecia confuso," "só com uma dedicação sem entusiasmo," e "os resultados só tiveram sucesso moderado."58 É em sua apologia - na qual o White Estate, com ele à cabeça, não fez nada para corrigir os mal-entendidos a respeito dos escritos de Ellen - onde Arthur White baixa a guarda e abre a porta o suficiente para deixar entrar um pouquinho de luz. Como se temesse que os que sabem, ou podem ouvir falar disso, pudessem ter verdadeiras boas idéias, diz: Estes fatos são tais que uma mente arruinada ou inescrupulosa, ou um pesquisador altamente crítico, pode mal interpretá-los seriamente e usá-los incorretamente. O que segue se escreve com a esperança, e em oração, de que esta informação seja usada justa e judiciosamente. E por que foi apresentada de má vontade? Porque estavam envolvidos homens bons de inquestionável integridade; homens de confiança, dedicados, em altas posições de direção nas igrejas homens que merecem ser recordados com honra e admiração, e, sobretudo, porque o que teve lugar se fez inadvertida e involuntariamente. Não estamos discutindo um álibi, senão mais um acidente no qual alguns saíram muito feridos. [A cursiva foi adicionada].59 Depois vem a confissão:
E novamente, mais adiante:
Onde tinha estado o pobre Arthur todos estes anos quando aquelas "inquisitivas" perguntas se faziam uma e outra vez? Seu trabalho poderia indicar que, se em realidade era ignorante da investigação da Conferência Bíblica de 1919 (que alguns crêem que foi uma das mais reveladoras e importantes reuniões do Adventismo) e era ignorante do extenso trabalho de copiado de Ellen na preparação de seus livros, então quiçá ignorava muitos mais fatos concernentes a Avó Ellen. Apesar
destas inconsistências e problemas de ética, não pode negar-se
que Ellen tinha chegado à cima, e em grande estilo, com seus
escritos. No sistema Adventista, ela tinha redesenhado o
passado, dado lustre ao presente, e adicionado cores exóticos ao
futuro. Esse futuro, como se detalha na escatologia Adventista,
encontra-se no livro de Ellen The Great Controversy (O Grande
Conflito) – em si mesmo a maior controvérsia de todos seus
escritos. Referências e Notas 1 . Ellen G. White, Sketches from the Life of Paul (Washington: RHPA, 1883; reprodução em facsimile, 1974), prefácio, pp. 7-8. 2 . Fancis D. Nichol, Ellen G. White and Her Critics (Washington: RHPA, 1951), caps. 28 e 29. 3 . Comitê de Glendale, "Ellen G. White Sources," fitas (28-29 de Janeiro de 1980). Donald R. McAdams e outros foram conscientes de que o trabalho de Nichol é inadequado. Veja-se também o trabalho de Ronald Graybill apresentado na Reunião de Obreiros da Conferência do Norte de Califórnia , Março de 1981. 4 . Robert D. Brinsmead, Judged by the Gospel (Fallbrook, CA: Verdict Publications, 1980), p. 158. 5 . H. Ou. Olson, "Comparison of The Life and Epistles of the Apostle Paul, by Conybeare e Howson, and Sketches from the Life of Paul, por Ellen G. White." (Washington: EGW Está). 6 . Veja-se o Apêndice, Quadros Comparativos do Capítulo 7. 7 . EGW, Sketches from the Life of Paul, prefácio da edição em facsímil de 1974. 8 . H. Ou. OLson, "Comparison of The Life and Work of St. Paul, by Farrar, and Sketches from the Life of Paul, by Mrs. E. G. White, to Ascertain If the Latter Is Dependent On the Former" (Washington: EGW Está). 9 . Ibid. 10 . Durante sua vida, apareceram muitas declarações relativas ao momento, num período de vinte e quatro horas, trabalhava Ellen White em seus escritos. Em 1882, ela escreveu uma longa epístola (publicada mais tarde no tomo cinco dos Testimonies, pp. 62-84, e também, em parte, em Selected Messages, lib. 1, p. 27) na qual há estas afirmações: "Acordei-me de meu sonho... e escrevi, à meia-noite... levantei-me às três da manhã para lhe escrever." Estas afirmações e outras parecidas usadas comumente por ela não deixam dúvidas de que ela escrevia muito durante as noites. 11 . [Conferência Bíblica] "The Bible Conference of 1919," Spectrum 10, não. 1 (Maio de 1979): 23-57. 12 . Ibid., p. 52. 13 . Ibid., p. 51. 14 . Ibid., p. 35. 15 . Bert Haloviak, "In the Shadow of the 'Daily': Background and Aftermath of the 1919 Bible and History Teachers' Conference," trabalho apresentado na reunião dos Eruditos Bíblicos Adventistas do Sétimo Dia, New York City, 14 de Novembro de 1979. 16 . Ingemar Linden, The Last Trump, p. 203. O pé de página número 78 de Linden (com referência à controvérsia entre Uriah Smith e os White) diz: "Em 1870, [Tiago White] efetuou uma completa purga da igreja do escritório central. O propósito da reorganização era dar aos White um melhor controle sobre a igreja. Um dos veteranos, G. W. Amadon (1882-1913), proporcionou ao historiador muita informação útil em seus diários," Diário de Amadon 1870-73, Biblioteca da Universidade de Andrews, Heritage Collection. 17 . Veja-se o Capítulo Uno para os antecedentes. 18 . EGW a Bates, 13 de Julho de 1847, MS B-3-1847 (Washington: EGW Está). Arthur L. White citado por Robert Brinsmead em Judged by the Gospel, p. 160. 19 . EGW, "Questions and Answers," Review, 8 de Outubro de 1867, p. 260. 20 . Arthur L. White, "Who Told Sister White?" Review (21 de Maio de 1959), p. 7. EGW é citada de Ms. 7, 1867. 21 . Linden, Brinsmead, Winslow, aqui e lá. Faz-se referência a H.Camden Lacey nas fitas do Comitê de Glendale do 28-29 de Janeiro. 22 . [Um ministro Adventista do Sétimo Dia] em carta aos membros da igreja de Aurora, Colorado, 3 de Outubro de 1980 23 . Arthur L. White, "Who Told Sister White?" Review (14 de Maio de 1959). 24 . [John Harvey Kellogg], "An Authentic Interview," pp. 33-34. 25 . M[erritt] G. Kellogg, declaração [manuscrita] fotocopiada circa 1908. 26 . [George B. Starr], citado em "Statement Regarding the Experiences of Fannie Bolton [ca. 1894] in Relation to Her Work for Mrs. Ellen G. White," (Washington: EGW Está, DF 445), p. 8. 27 . "Ellen G. White´s Writings [letters] on the Life of Christ," Ms. 683, EGW a JW, 4 de Abril de 1876. 28 . Ibid., p. 2. (EGW a JW, 7 de abril de 1876). 29 . Ibid., p. 3. (EGW a Lucinda Hall, 8 de Abril de 1876). 30. Ibid., p. 3. (EGW a JW, 16 de Abril de 1876). 31 . Arthur L. White, "Who Told Sister White?" Review (14 de Maio de 1959), p. 1. p. 6. 32 . Ibid. 33 . H. Camden Lacey a Arthur W. Spalding, 5 de Junho de 1947 , p. 3. 34 . H. Camden Lacey to Leroy E. Froom, 30 de Agosto de 1945, pp. 1-2. 35 . Arthur L. White, "Who Told Sister White?" Review (21 de Maio de 1959), pt. 2, pp. 7-8. 36 . Vejam-se os Quadros Comparativos para o Capítulo 7 no Apêndice. 37 . Arthur L. White, "Who Told Sister White?" Review (21 de Maio de 1959, pt. 2, pp. 8-9. 38 . Vejam-se no Apêndice os Quadros Comparativos sobre The Spirit of Prophecy, tomo 3, para o Capítulo 7. 39 . H. Ou. Olson, comparações do livro de EGW sobre Paulo com o de Farrar e com os livros de Conybeare e Howson sobre Paulo. 40 . O Comitê de Glendale sobre as fontes de EGW, 28-29 de Janeiro de 1980, fitas. 41 . Comparações, por H . Ou. Olson, entre o livro de EGW sobre Paulo e os livros de Farrar e de Conybeare e Howson sobre Paulo. 42 . E. G. W. Sketches from the Life of Paul, rproducción em facsímil da segunda edição, segunda página do prefácio, edição de 1974. 43 . Bible Conference "The Bible Conference of 1919," Spectrum 10, no. 1 (Maio de 1979), p. 35. Arthur Daniells relata o esforço para comunicar-se com EGW, comentando, "E em seguida se metia naquela zona crepuscular." 44 . EGW, Life Sketches of Ellen G. White, p. 434. 45 . Vejam-se os Quadros Comparativos para o Capítulo 7 no Apêndice. 46 . John Harris, The Great Teacher (Amherst: J. S. & C. Adams, 1836; Boston: Gould and Lincoln, 1870). 47 . Raymond F. Cottrell e Walter F. Specht, "The Literary Relationship Between The Desire of Ages, por Ellen G. White, e The Life of Christ, por William Hanna," 2 partes, fotocopiado (Biblioteca, Arquivos, e Coleções Especiais da Universidade de Loma Linda, 1 de Novembro de 1979), pt. 1, aqui e lá, Veja-se também meu capítulo seis, "Sources from Which She Drew, More or Less." 48 . EGW, Testimonies for the Church, tomo 6, p. 160. 49 . Harris, The Great Teacher, p. 18. 50 . Ibid., pp. 157-58. 51 . Vejam-se os Quadros Comparativos para o Capítulo 9 no Apêndice. 52 . SDA Encyclopedia, Série Comentário, tomo 10, s.v. W. W. Prescott. Prescott participou em grande parte da história Adventista desde 1880 até 1930 (incluindo a controvérsia com John Harvey Kellogg). 53 . EGW Está, "Books in the E. G. White Library in 1915," (Washington: EGW Está, n.d.), DF 884. Este inventário de dezessete páginas de livros "On Shelves in the E. G. White Study and in the Office and Vault" [Em Estantes no Estudo de E. G. White, e no Escritório e a Abóbada] inclui quase quatrocentos títulos, um bom número deles jogos de vários tomos. Mais recentemente, uma lista informativa foi preparada por Ronald D. Graybill e Warren H. Johns, "An Inventory of Ellen G. White´s Private Library, July 29, 1981, draft" [Um Inventário da Biblioteca Privada de Ellen G. White] (Washington: EGW Estate, 1981). 54 . Arthur L. White, "The E. G. White Historical Writings," uma série de sete artigos publicados no Adventist Review, desde o 12 de Julho de 1979 até o 23 de Agosto de 1979. 55 . W[illiam] W[arren] Prescott, The Doctrine of Christ (Washington: RHPA, 1919). Veja-se pp. 9-11. 56 . H. Camden Lacey a Leroy Froom, 30 de Agosto de 1945; H. Camden Lacey a Arthur W. Spalding, 5 de Junho de 1947. 57 . EGW, Testimonies to Ministers and Gospel Workers (Mountain View: PPPA, 1923), pp. 180-81. 58 . Arthur L. White, "The Prescott Letter to W. C. White [6 de Abril de 1915], "fotocopiado (Washington: EGW Estate, 18 de Janeiro de 1981), pp. 4, 7. 59 . Ibid., p. 22. 60 . Ibid., p. 26. 61 .
Ibid., p. 29. Quadros Comparativos Escolhidos
Capítulo 8.
O
Grande Conflito A história que Ellen contou quando produziu The Great Controversy (O Grande Conflito) não era única. Se a idéia de uma controvérsia entre o Satanás bíblico e o Cristo histórico soa familiar é porque a idéia soava já muito antes do tempo de Ellen. Assim, aqueles, nos círculos Adventistas, que persistem em representar sua contribuição como nova e diferente quando reestruturou a história para que harmonizasse com sua teologia do futuro estão perpetuando uma mentira branca. Convertem em determinante sua versão da luta primitiva em cada ato e cada aspecto da relação do homem com seu próximo, seja político, econômico, geográfico, ou religioso. De acordo com a história, se os bons ganham, Deus ganha o "round;" se os maus ganham um "round," se lhe atribui a Satanás por predeterminação. O único problema com esta teoria é que a vitória depende de quem é o árbitro. Algumas vezes, Deus recebe o crédito, e algumas vezes é vice-versa. Geralmente, Deus sai bem livrado; e se não resulta assim, adiciona-se-lhe tempo ao "round" para dar-lhe uma melhor oportunidade de emparelhar as coisas no futuro. Um dos textos favoritos dos que levam as anotações desta maneira é Romanos 8:28: "E sabemos que aos que amam a Deus, todas as coisas lhes ajudam a bem." Para dar consolo e refúgio aos que perdem a luta, a última metade do texto proporciona uma "saída" para os teólogos – "aos que conforme a seu propósito são chamados."1 Em sua versão da controvérsia, Ellen proporcionou a resposta sobre "os que são chamados" nomeando a seu grupo de crentes como os que enquadravam nessa fresta, e fechou a porta para todos os demais - tal como o tinha feito como quarenta anos antes com a idéia da porta fechada em 1844. O grande conflito da posição de Ellen guarda alguma esperança para os que escapam da marca de alguma besta e mudam, das meretrizes e das prostitutas incrédulas do Apocalipse de João, para converter-se nos "verdadeiros crentes" da fé e o clã de Ellen. Nada disto era mais inovador no enfoque ou no método do que outras versões anteriores, mas era muito mais forte e mais definitivo em sua linguagem e seu alcance. Desde o começo do Adventismo (e o movimento de 1844), o fator decisivo do céu e o lar, nos princípios ou eventos finais de Ellen, não parece ser Cristo, o Evangelho, ou as Boas Novas, senão a manipulação legalista do passado, o presente, e o futuro de acordo com sua própria contabilidade celestial.2 Outros antes dela tinham tratado o grande conflito em termos gerais, mas ninguém jamais tinha sacado as conclusões dela, já fossem gerais ou específicas. Em Paradise Lost, de Milton, a luta se tinha descrito em termos do bem e o mau, o negro e o branco, todo ou nada, Cristo e Satanás. O livro de Milton tinha sido um trabalho tão aceitável, que se tinha sustentado por cerca de duzentos anos antes que Ellen começasse a ler sua história. Há indícios de que ela se agradou do estilo e da maneira com que John Milton apresentou a luta no universo. 3 Em realidade, Milton tinha feito um trabalho tão bom, que suas obras se anunciavam, na parte posterior das primeiras publicações da literatura Adventista, como dignas de ser lidas.4 Apesar desses anúncios e a descoberta posterior de que Milton tinha influído em Ellen, Arthur White escreveu em 1946.
Isto foi o mais alto da dessa estante a que se chegou, porque para o tempo da edição reimpressa em fac-símile de 1969 de The Spirit of Prophecy (tomo quatro), alguém deve ter-lhe dito a Arthur que ela tinha baixado o livro de Milton da repisa e o tinha usado. A única pergunta era: Foi usado antes ou depois? A afirmação dele era que tinha sido depois:
Quase sem exceção, os autores que Ellen escolheu para deles copiar apoiavam o mesmo tema - que o homem era bom antes de converter-se em mau; que deseja ser bom, mas ainda é mau; que quando é bom, é muito, muito bom, e quando é mau, é horrendo – e que a vitória chegará em algum lugar, em alguma parte, em algum momento, para os bons, e que a cortina cairá para os maus. Novamente, este tema não era novo nem para Ellen nem para aqueles dos quais ela copiava. Depois de tudo, a maioria, se não todos, dos que ela copiou eram mestres, pregadores, teólogos, supervendedores, e proporcionavam paráfrases livres da história bíblica desde Gênesis até Apocalipse. Mas se precisava que Ellen e seu primeiro fervor adventista lhe dessem às coisas o empuxo investigador, o envieso Adventista. Foi esta única e "singular" contribuição ao mundo da teologia o que se converteu em "o último hurra" Adventista – e seu próprio grande conflito, em mais de uma maneira.7 Desde o princípio, os que estavam ao redor de Ellen viram similitudes entre o que Ellen escrevia e o que eles mesmos liam de outros autores, similitudes que os inquietaram. Não era só J. N. Andrews e sua preocupação pelos rostos gêmeos de The Great Controversy (O Grande Conflito) e Paradise Lost. Era também John Harvey Kellogg e sua leitura dos primeiros capítulos das obras dela. Numa entrevista gravada com dois membros de sua igreja, disse:
A entrevista inteira mostra que o bom doutor estava muitíssimo inquieto pelo que ele e outros sabiam que era um engano que Ellen, seu filho Will, e os editores tinham perpetrado sobre a gente. O capítulo sobre William Miller ("An American Reformer") em The Great Controversy (O Grande Conflito) (e que anteriormente aparecia como o capítulo treze de The Spirit of Prophecy, tomo quatro, 1884) foi tomado, em muitos casos palavra por palavra, de um livreto que James tinha imprimido em 1875 como Sketches of the Christian Life and Public Labors of William Miller. (James tinha reconhecido, tanto na página do título como por meio de citações no texto, que tinha usado as memórias de William Miller, escritas por Sylvester Bliss [1853], e "outras fontes.") 9 Por esta razão, a versão de Ellen não era "revelação seletiva." Não era mercadoria no varejo. Era roubo no atacado que tinha sido passado como material encoberto e incorporado em The Great Controversy (O Grande Conflito).10 Para então, Uriah Smith, tendo-se unido ao grupo, também participava da festa. Seu material sobre o santuário (publicado primeiro como artigos no Review entre 1851 e 1855, e depois em forma de livro em 1877) proporcionou material para o capítulo vinte e três "What Is the Sanctuary"? [Que É o Santuário?] de The Great Controversy (O Grande Conflito). 11 Suas descrições, palavra por palavra, de textos e acontecimentos do Antigo Testamento foram incorporadas – novamente, não em detalhe, senão em quantidade - ao quadro da luta pela vitória nesta terra, como foi escrita por Ellen e seus ajudantes. J. N. Andrews, também escritor erudito, um dos outros primeiros descobridores e exploradores, foi também recrutado para a expedição . Seus escritos - incluindo "The Prophecy of Daniel" [A Profecia de Daniel], "The Four Kingdom" [Os Quatro Reinos], "The Sanctuary" [O Santuário], e "The Twenty-Three Hundred Days" [Os Dois Mil Trezentos Dias], publicados desde 1860 até 1863 - foram postos na mercearia como ônus. Por décadas, a gente da Igreja Adventista tem citado o material dele sobre as mensagens dos três anjos como as palavras infalíveis de Ellen.12 Vários historiadores teriam de acompanhar a estes aventureiros - quase sempre sem seu conhecimento. Se nos diz em anos posteriores que Ellen gostava de ler-lhe a sua família as obras de Merle d'Aubigné,13 um de seus verdadeiros crentes na teoria do grande conflito; assim que foi trazido a bordo (outra vez, até onde sabemos, sem conferi-lo para saber se queria fazer a viagem). Mais tarde, um de seus parentes históricos, Wylie, teria de ser adicionado à lista de passageiros para uma que outra comida na mesa do capitão.14 Foi uma tripulação heterogênea a que fez aquela viagem. Era a primeira vez que todos eles navegavam sob a mesma bandeira branca. Não é de se estranhar que encontrassem, quase desde o princípio, um mar gordo de críticas. O cinismo expressado no jornal local pela associação ministerial de Healdsburg, Califórnia, era típico. Em debate com Adventistas locais, disseram:
Como esta era uma associação ministerial, devem ter tido algum grau de inspiração quando se aventuraram no reino das predições e afirmaram:
E assim foi. Donald R. McAdams faz um admirável trabalho de identificar a muitos dos que seguiram o trabalho dos ministros de Healdsburg, sem saber que outros o tinham feito antes ou o que tinha sido descoberto anteriormente.17 O que emerge é que, goste-nos ou não, creiamo-lo ou não, os teólogos de Healdsburg estavam no verdadeiro em 1889 pelo que concernia a Ellen e a sua tripulação na viagem de "Great Controversy (O Grande Conflito)." Foi óbvio desde o princípio, antes que o barco se fizesse à vela, que The Great Controversy (O Grande Conflito) não era navegável. O deles era a única passagem numa só direção que os viajantes tinham conhecido jamais. Com um mandato para não ler nada que não fosse literatura da Igreja Adventista, e com os publicadores sacando seu material a jorros, como poderiam sabê-lo? Os anúncios na Review, ainda em 1876, faziam afirmações que beiravam o fantástico, e mostravam seu desejo de manter aos fiéis alinhados. O que mostra a continuidade foi o precursor da persuasão muito mais poderosa que teria de vir:
No entanto, estavam aparecendo filetes de água por todas as partes no barco da produção de Ellen. O material da Conferência Bíblica de 1919 (publicado por primeira vez em 1980) diz claramente que os maestros, administradores, ministros, e educadores estavam preocupados pelo correto ensino da inspiração19 Seus conceitos de como faz Deus o que faz estavam sendo seriamente confundidos, não pelo que sabiam que tinham ajudado a Ellen a escrever, senão pelo que tinha vindo ser promovido como inspiração de Deus somente, sem crédito para nenhum membro a bordo do barco de Ellen. Sob a crescente pressão, duas dos fiéis foram despachados, provavelmente de noite, quando a maior parte do trabalho parece ter sido feito, para ajudar a consertar os fios de água. Tenho aqui como Doures E. Robinson conta sua participação na aventura:
A história que o White Estate contou concernente às correções feitas foi que só a ortografia e a gramática estavam em dúvida. Mal valeria a pena uma viagem à biblioteca, por não dizer nada de passar-se seis meses ali, para corrigir erros ortográficos e gramaticais. O que está claro é que o como iam Ellen e seus ajudantes a sair deste mundo e entrar ao outro era muito mais importante do que a ortografia, e se precisaria mais do que um livro de leitura de McGuffey para mostrar o caminho. Eram aqueles detalhes os que estavam metendo em problemas a Ellen e A The Great Controversy (O Grande Conflito). Como explica Kellogg em sua entrevista, trataram de livrar-se do dilema através de seus meios literários:
Depois continuou revelando realmente o segredo a respeito de algo mais do que de The Great Controversy (O Grande Conflito). A veracidade e a exatidão de sua memória devem ser postas ao lado do fato de que, quase mais do que qualquer outra testemunha vivente da época ele tinha conhecido e trabalhado com Ellen mais de perto do que qualquer outra pessoa, exceto a própria família imediata dela:
Ao que George W. Amadon, o leal defensor de Ellen, replicou: "Sei que uma grande porção dele foi tomada em empréstimo."23 Que quis dizer com "tomada em empréstimo"? Quiçá quis dizer que todo foi tomado – por completo e ademais tomado emprestado! Esta hemorragia de críticas requeria cirurgia maior, e foi aplicada na edição de 1911 de The Great Controversy (O Grande Conflito). Ainda que se tenha dito uma e outra vez, através dos anos, que a razão pela qual fora necessário trabalhar o livro outra vez era que as placas dos eletrotipos estavam muito desgastadas, Willie White dá outra razão para a mudança esse ano:
Os teólogos Adventistas que tomam a posição de que teve muitos roubos ao escrever o Cânon poderiam desejar tomar nota neste ponto. Se um comparasse os quatro evangelhos com The Great Controversy (O Grande Conflito), assim é como sairia. Combinando as 400 referências de outros autores e os 700 textos bíblicos, e usando as cifras de Willie White, os quatro escritores dos quatro evangelhos (copiando até o grau em que Ellen o fez) haveriam de ter copiado cada um dos versículos que escreveram! O que Dom McAdams gravou em fita a respeito da reunião do Comitê de Glendale concernente a The Great Controversy (O Grande Conflito) de Ellen é outra maneira de dizer o mesmo. McAdams disse que, se cada parágrafo de The Great Controversy (O Grande Conflito) tivesse rodapés de página de acordo com a prática aceita, dando crédito a quem correspondesse, quase cada um dos parágrafos teria que ter anotações ao pé.25 Willie White deu outras razões para a permanência de seis meses de Robinson e Crisler nas bibliotecas de Stanford e Berkeley:
Seria mais bem injusto culpar demasiado a Willie. Ele só estava explicando o que outros estavam averiguando e do que as secretárias se estavam queixando. Requer-se constante trabalho e esforço para seguir mudando acontecimentos e circunstâncias do passado para adaptá-los às atividades correntes de Ellen, as quais constantemente estavam ocupando o lugar de fatos firmes, por cujas inexatidões pudesse ser julgada. Mas o Review de Junho 12 de 1980 ainda teria de pretender que era só The Great Controversy (O Grande Conflito) o que precisava mudança e confissão.27 Ainda que não seja nosso propósito ocupar-nos aqui das inconsistências e mudanças das iluminações noturnas de Ellen, vale a pena notar que o trabalho cosmético levado a cabo nas edições posteriores de seus livros era tão útil que outros notaram a mudança. Linden diz que
Com o que Linden deu é quiçá uma das mais significativas peças de informação de qualquer estudo sobre Ellen e seus escritos. Poucos teólogos do clã Adventista citam os primeiros escritos de Ellen, se é que algum o faz. Desejariam esquecer um pouco deles. Alguns deles são um insulto à inteligência - seu "Solemn Appeal to Mothers" [Apelo Solene às Mães], o fato de copiar de um médico seu "Cause of Exhausted Vitality" [A Causa do Esgotamento da Vitalidade] a respeito da vida sexual de sua geração; sua mudança de guarda quando as coisas que ela "via" ou "predizia" não sucediam. Estas passagens raras vezes se mencionam mesmo nos púlpitos da Igreja Adventista. A maioria das "formosas" citações vem de obras posteriores.29 Naturalmente. Para então, quando Ellen teria cinqüenta anos de prática. Com os numerosos obreiros no exército de ajudantes aos quais podia ir, com a estrutura da Igreja Adventista, seu dinheiro, suas imprensas derramando a propaganda de sua invencibilidade, ela estava livre para incorporar, como se fora "de Deus," qualquer coisa que desejasse pôr em seus escritos. Para princípios de século, se um queria ver a mudança ou as inconsistências entre o material antigo e o novo, tinha que fazer uma eleição extremamente difícil para permanecer na igreja. Um tem que manter com impavidez variadas coisas: Que Deus, não Ellen, era inconsistente. Que Deus, não Ellen, poderia ter mudado de idéia. Que não importasse o que fizesse, correto ou equivocado, ela estava certa porque Deus tinha participado nisso ao ordenar que ela o fizesse. Deus tinha melhorado com a idade e a experiência – através de Ellen e seu contínuo copiado. O que realmente sucedeu na igreja foi que Deus e Ellen vieram parecer um e o mesmo. O que ela fazia, Deus o aprovava. O que a ela não lhe gostava, Deus o condenava. O que ela escrevia, Deus o respaldava. O que ela deixava fora, Deus o evitava como coisa sem importância. Se o Cânon tinha sido o livro de Deus até o tempo dela, agora Ellen era a serva de Deus, sua voz, sua imagem, seu outro eu. Ellen e seus escritos se tinham convertido no Deus Adventista! Se alguma dúvida deste processo, que examine cuidadosamente as instruções que se lhe dão à igreja. Que olhe o número de vezes que ela ou suas obras, sempre sobressaindo com muito por em cima do Cânon, citam-se como autoridade na Review e outras publicações Adventistas. Que vá à história da sessão da Conferência Geral da igreja em 1980, na qual seus escritos (e Ellen mesma) foram elevados ao nível de igualdade com as Escrituras e os escritores bíblicos. Que escute novamente a melodia que se tocou durante a reunião de Glacier View em 1980, na qual se excomungou a Desmond Ford e proibiu-se-lhe ocupar qualquer posição porque seu agudo intelecto e valorosa consciência sustentaram a autoridade das Escrituras por sobre a autoridade de Ellen White.30 Ninguém pode duvidar seriamente de que Ellen Gould Harmon White finalmente tenha obtido o poder do veto sobre Deus na Igreja Adventista. Para parafrasear as convicções expressadas por Earl W. Amundson em Glacier View, não só as luminárias, senão quaisquer luzes que brilham na Igreja Adventista, sem o consentimento e a aprovação de Ellen, foram e serão apagadas.31 Em vista das extensas investigações levadas a cabo em anos recentes (incluindo as de McAdams, Graybill, e outros) e o reconhecimento das mudanças efetuadas e dos autores usados - muito do que se lhes fez presente aos membros da igreja em general - parece desnecessário incluir no Apêndice um grande número de exemplos comparativos para The Great Controversy (O Grande Conflito). No entanto, seria útil tomar nota de uma das moribundas esperanças dos Adventistas. Aos Adventistas lhes gosta crer que os últimos capítulos de The Great Controversy (O Grande Conflito) foram estruturados a seu favor, teologicamente falando, e que se copiou pouco ou não se copiou nada em questões de escatologia. Uma comparação de alguns capítulos no tomo quatro de The Spirit of Prophecy (o precursor de The Great Controversy (O Grande Conflito)) mostra que isto é só ilusão.32 Os capítulos posteriores da edição expandida de Controversy de 1911 mostra padrões similares.33 Por doloroso que seja o dar-se conta disso, a controvérsia de Ford e a controvérsia-comparação-Ellen White fizeram a The Great Controversy (O Grande Conflito) um pouco suspeito. Ademais, outra investigação em progresso em tempos recentes mostra grandes bocados de erros históricos.34 Até os clérigos ambulantes do White Estate admitiram que o livro já não pudesse ser considerado um relato exato dos acontecimentos históricos do século dezenove, mas que deve usar-se evangelisticamente.35 Todos estes fatos somados levam à conclusão de que a tentativa de Ellen de reescrever a história de acordo com sua visão não deu resultado. Assim
que, para os teólogos Adventistas, a situação deveria ser
começar outra vez pelo princípio. Referências e Notas 1 . Romanos 8:28. 2 . Ellen G. White, The Great Controversy (O Grande Conflito) (Mountain View: PPPA, 1888), "The Investigative Judgment," p. 479. 3 . John Milton, Paradise Lost. Publicado duas vezes durante a vida do poeta: 1667, 1674. 4 . Por exemplo, veja-se The Three Messages of Revelation 14:6-12 [As Três Mensagens de Apocalipse 14:6-12], de J. N. Andrews. Outros folhetos e livros publicados pelos primeiros Adventistas também anunciavam as obras de John Milton. Um tratado titulado "The State of the Dead" [O Estado dos Mortos], por John Milton, foi impresso pela SDA Publishing Association em Battle Creek em 1866. 5 . Carta de Arthur L. White, 4 de Abril de 1946. 6 . EGW, The Spirit of Prophecy, 4 tomos. (Battle Creek: Review and Herald, 1858-60-84), suplemento ao tomo 4, p. 536. Veja-se Education (Educação), p. 150. 7 . Veja-se Robert Brinsmead, Judged by the Gospel [Juízos pelo Evangelho], capítulo 12, "The Legend of Ellen G. White´s Literary Dependency" [A Lenda da Dependência Literária de Ellen G. White], p. 145. Em realidade, a controvérsia sobre The Great Controversy (O Grande Conflito) começou virtualmente com sua publicação em 1888, e continuou até a atualidade. 8 . [John Harvey Kellogg], "An Authentic Interview... on October 7th, 1907" [Uma Entrevista Autêntica ... o 7 de Outubro de 1907], p. 32. 9 . Tiago White, Edit., Sketches of the Christian Life and Public Labors of William Miller, Gathered from his Memoirs by the Bate Sylvester Bliss, and From Others [Esboços da Vida Cristã e Atividades Públicas de William Miller, Reunidos de suas Memórias, pelo Defunto Sylvester Bliss, e Outros] (Battle Creek: Steam Press, 1875). 10 . Compare-se o Capítulo 13, "William Miller," em The Spirit of Prophecy, tomo 4, de EGW, com seu contraparte posterior, o capítulo 18, "An American Reformer," em The Great Controversy (O Grande Conflito), p. 317. Tomar material de escritores Adventistas anteriores se converteu no padrão dos volumes "ampliados" de Ellen White. 11 . Uriah Smith, "The Sanctuary and the Twenty-three Hundred Days of Daniel VIII, 14" [O Santuário e os Dois Mil Trezentos Dias de Daniel 8:14] (Battle Creek: Steam Press, 1877). 12 . J. N. Andrews, The Prophecy of Daniel: the Four Kingdoms, the Sanctuary, and the Twenty-three Hundred Days a Profecia de Daniel [Os Quatro Reinos, o Santuário, e os Dois Mil Trezentos Dias] (Battle Creek: Steam Press, 1863). 13 . Arthur L. White, "Rewriting and Amplifying the Controversy Story" [Reescrevendo e Ampliando a História da Controvérsia], pt. 2 de 7 , Review, 19 de Julho de 1979, p. 9. J[ean] H[enri] Merle d'Aubigne, History of the Reformation of the Sixteenth Century [História da Reforma do Século Dezesseis], 5 tomos. (Edinburg: Oliver and Boyd, 1853; New York: Robert Carter, 1846). 14 . A lista de livros que o Ellen G. White Estate identificou como tomados do DF 884 (para incluir os livros nos estantes do estudo de EGW, no escritório, e na abóbada. Uma nova lista preparada por Graybill e Johns em 1981: An Inventory of Ellen G. White´s Private Library, July 29, 1981, Draft [Um Inventário da Biblioteca Privada de Ellen G. White, Julio 29, 1981 , Rascunho] (Washington: EGW Está, 1981). James Aitkin Wylie, History of the Waldenses [História dos Vandenses] (London: Cassell, Petter, Galpin & Co., 1880). 15 .
(Healdsburg) Pastors´ Union, "Is Mrs. E. G. White a Plagiarist?"
[É a Sra. E. G. White Uma Plagiaria?] 16 . Ibid. 17 . Donald R. McAdams, "Shifting Views of Inspiration: Ellen G. White Studies in the 1970s"[Cambiantes Pontos de Vista Sobre Inspiração], Spectrum 10 (Março de 1980):27-41. 18 . Robert W. Olson, "Exhibits Relating to The Desire of Ages" [Quadros Relativos ao ‘Desejado de Todas as Nações], fotocopiado (Washington: EGW Está, 23 de Maio de 1979) (p. 11 dos quadros de Olson, Review and Herald, Novembro 30, 1876). 19 . (Bible Conference). "The Bible Conference of 1919” [A Conferência Bíblica de 1919] Spectrum 10, não. 1 (Maio de 1979):23-57. 20 . Robert W. Olson, "Historical Discrepancies in the Spirit of Prophecy" [Discrepâncias Históricas no Espírito de Profecia], com uma nota no apêndice por Arthur L. White, fotocopiado (Washington: EGW Está, 17 de Julho de 1979). 21 . (John Harvey Kellogg), "An Authentic Interview... on October 7th, 1907" [Uma Entrevista Autêntica ... o 7 de Outubro de 1907], p. 33. 22 . Ibid. 23 . Ibid. 24 . EGW, Selected Messages, 3 lib. (Washington: RHPA, 1958-80), lib. 3, Apêndice A, pp. 434-35. Estas observações a respeito da revisão de The Great Controversy (O Grande Conflito) foram feitas por W. C. White ao Conselho da Conferência Geral o 30 de Outubro de 1911. 25 . [Glendale Committee], "Ellen G. White and Her Sources," fitas da reunião do 28-29 de Janeiro de 1980. 26 . EGW, Selected Messages, lib. 3, Apêndice A, pp. 435-36. 27 . Kenneth H. Wood, "The Children Are New," editorial, Review (12 de Junho de 1980). 28 . Ingemar Linden, The Last Trump, "From Visions to Books," cap. 4, pt. 2, p. 211. 29 . Ibid., pp. 211-12. 30 . Veja-se a edição de Ministry de Outubro de 1980. Esta é o órgão internacional da Associação Ministerial dos Adventistas do Sétimo Dia. Também, veja-se Spectrum 11, não. 2 (Novembro de 1980), o órgão da Associação de Foros Adventistas. 31 . Earl W. Amundson, "Authority and Conflict - Consensus and Unity" [Autoridade e Conflito - Consenso e Unidade], trabalho lido durante a Consulta Teológica, 15-20 de Agosto de 1980, em Glacier View Ranch, Ward, Colorado. 32 . Vejam-se os Quadros Comparativos do Capítulo 8 no Apêndice. 33. Ibid. 34 . Robert W. Olson e Ronald D. Graybill aos historiadores da Pacific Union Conference, no recinto universitário A Serra da Universidade de Loma Linda, sessão de verão de 1980. 35 .
Ibid.
Capítulo 9.
Profetas e Reis - e Várias Coisas O resto da história é pendente abaixo todo o caminho. O último dos cinco grandes na série Conflito dos Séculos, publicado ao ano seguinte depois da morte de Ellen à idade de oitenta e oito anos, continuou o padrão de setenta anos - copiando o que outros tinham escrito sobre o tema. Uma vez que a igreja e o público foram persuadidos de que a leitura de Ellen tinha melhorado enormemente sua capacidade e sua memória, qualquer coisa que levasse seu nome se vendia. Em princípios do século XX, a Igreja Adventista estava vendendo a Ellen por todas as partes. Gradualmente, Deus, o Evangelho, e até o relato bíblico do evangelho, pareciam perder prioridade no púlpito. A ênfase veio a fazer-se principalmente sobre a autoridade de Ellen por meio de seus rápidos olhares para o futuro e seu realinhamento dos eventos da história, sem importar a fonte ou o grau de exatidão Muitos dos clérigos vieram ser menos ministros da luz e da verdade e mais apologistas da Ellenologia Adventista e supervendedores da igreja. Claramente, Deus corria em segundo lugar. No Comentário Adventista, Ellen foi reconhecida como a voz autorizada para as instituições educativas que a igreja opera.1 Os livros devocionais anuais vendidos aos verdadeiros crentes traziam um poderoso provérbio de Deus para cada dia por meio da pluma de Ellen.2 Uma enxurrada de material impresso inundava a igreja através de depoimentos "novos" e "não publicados." Compilações adicionais – solicitadas ou sugeridas por administradores em postos chave que desejavam autoridade para o que estavam fazendo ou o que queriam fazer ou, ainda, o que criam – continuavam aparecendo nas listas de publicações ou folhetos Adventistas,3 e os membros as compravam, sem suspeitar quão substancialmente outros ajudantes diferentes de Deus haviam tornado possível esta abundância.4 Já em princípios da década de 1950, o White Estate tinha escrito que seu propósito era limitar a produção de compilações. Mas as compilações continuaram saindo.5 Se fizeram planos para uma habitação adicional na abóbada do Ellen G. White Estate para dar cabida a todos os pedaços e retalhos de material sobrante que eram incorporados ao material impresso publicado sob o nome de Ellen. Segundo um rumor humorístico que corria, durante as renovações o neto Arthur instalou seu catre perto da porta para proteger o material de Deus e assegurar-se de que a porta fechada dessa abóbada permanecesse fechada. Ao todo, os anos que decorreram desde a morte de Ellen em 1915 até começos da década de 1960 fizeram mais para realçar seus escritos expandidos, sua imagem, e sua posição como "a primeira entre seus iguais" de Deus que todos os anos de esforços enquanto viveu. Em realidade, para muitos, com freqüência parece que se escreveu mais a respeito de ela, a favor dela, e por ela desde sua morte que durante sua vida. Onde terminará todo isto? Num momento de fervor, a gente tende a deixar-se levar pelo entusiasmo. Pode ser que as coisas se voltem um pouquinho livres ou descuidadas – e isso é o que sucedeu com alguns dos bocados que estavam atirados por aí. Por exemplo, uma Review de 1871 continha um parágrafo credenciado como "Selected" - indicando que esse pequeno trecho tinha sido reimpresso de uma fonte que ou era desconhecida ou não era aceitável nomear:
Uma paráfrase deste pensamento "seleto" [que apareceu como mais trinta anos tarde na edição de 1903 do livro de Ellen, Education (Educação)] se converteria numa das grandes gemas Adventistas - memorizada, recitada, e reverenciada por incontáveis milhares de fiéis:
Outros bocados e retalhos começaram a aparecer também nos Testimonies for the Church [Depoimentos para a Igreja], de Ellen.8 Até que se fez esta descoberta, que ocorreu depois de sua morte (até onde o indica a informação atual), os Testimonies sempre tinham sido tidos por não violados. Eram as virgens do gênio dela, o sinal de sua conexão com Deus, sua única e verdadeira declaração a respeito de suas sessões pessoais e não adulteradas com os seres celestiais. Até Uriah Smith tinha traçado uma linha entre o que ele tinha visto e aquilo do que não podia estar seguro nesse tempo.9 Mas já não se podia negar que, se alguém deixava atirado um bocado, Ellen o recolhia e o usava, porque tarde ou temporão aparecia em sua loja de penhores para ser vendido como mercadoria de Deus. Um erudito que conhecemos antes, Dom McAdams, apareceu com um manuscrito revelando que Ellen tinha usado ao historiador Wylie para alguns retalhos de The Great Controversy (O Grande Conflito):
Para mediados da década de 1970, um crescente número de relatórios punham em dúvida os escritos de Ellen e de seus ajudantes.11 Até os membros diretores do White Estate entraram em cena, de uma maneira obtusa. Rum Graybill, naquele tempo assistente nos escritórios do Ellen G. White Estate, completou um estudo de um dos capítulos de The Great Controversy (O Grande Conflito) e descobriu que grande parte dele tinha sido incluída num artigo no Signs of the Times de Outubro de 1883, titulado "Luther in the Wartburg."12 Graybill tinha descoberto que o que Ellen tinha feito em realidade era copiar, não ao historiador Merle d'Aubigné, como se tinha suposto, "senão uma versão popularizada de d'Aubigné, que tinha sido preparada pelo Reverendo Charles Adams para leitores juvenis" – neste caso tinha copiado ao que tinha copiado. Nem sequer a conexão de Graybill com O Ellen G. White Estate pôde aliviar a dor ao escrever:
Como no caso do trabalho de McAdams, o Ellen G. White Estate não quis dar à luz o trabalho de Graybill, seu próprio representante. Precisa-se algo mais do que um agente secreto para obter uma cópia desta peça. Mas se um fora o bastante afortunado para estar entre os poucos escolhidos aos quais se lhes permite ver a preciosa relíquia da qual Graybill sacou sua conclusão, veria que Ellen em realidade tinha copiado com sua própria mão as palavras e os pensamentos de alguém que tinha copiado as palavras e os pensamentos de outro escritor. Se for aqui onde os teólogos Adventistas estão parados quando insistem em que "todo o mundo" o fazia (assim que tem que ser correto), poderiam ter razão. Mas um poderia perguntar-se: – Por que meter a Deus em todo isto e insistir em que Ele o aprovou? Devido a que muito e valioso material fonte do White Estate, não o Ellen G. White Estate facilmente disponível para os pesquisadores, a comunidade intelectual ainda não pôde enfrentar-se com o sério problema que parece existir quanto ao significado de inspiração. Os modernos exploradores William S. Peterson e Ronald L. Numbers tinham feito bem revelando as fontes de alguns dos bocados e retalhos que tinham sido vistos de tanto em tanto na loja de penhores de Ellen. Mas foi sua desventura, por seus esforços, fazer-se não bem-vindo para o emprego institucional Adventista, como lhes tinha sucedido a muitos outros antes que eles. Para continuar sendo funcional no Adventismo, não é necessário ver o que Ellen via, e certamente não é necessário ver em que lugar ela via o que via, mas sempre foi necessário crer que ela via o que via. Este fato é difícil de aceitar por aqueles que, ainda por predeterminação, remexem na loja de penhores onde a mercadoria é representada ante os compradores como mercadoria de Deus. Às vezes, as coisas se punham, não só criativas, senão hilariantes. Em 1977, Harold L. Calkins, anterior presidente da Southern California Conference dos Adventistas do Sétimo Dia, inundou as igrejas locais com esta jóia credenciada a Ellen G. White na Review de Outubro 7, 1865:
Mais tarde, Leslie Hardinge, coordenador de Ellen G. White e secretário da conferência, escreveu ao White Estate pedindo-lhes que verificassem a origem da declaração. A resposta foi como segue:
Não que tivesse nenhuma diferença se se tivesse dito que a citação tinha saído da pluma de Ellen, porque mesmo assim as linhas puderam muito bem ter sido copiadas de algum outro escritor. Mas a pergunta que surge é a seguinte: Quantas desta classe de coisas se fizeram antes, no nome de Ellen e a inspiração, e finalmente no nome de Deus? Os suportes embaixo desta declaração foram derrubados, porque, sem o respaldo de Ellen, carece de autoridade. Para a multidão de verdadeiros crentes adventistas, há pouco de valor sem o selo de aprovação de Ellen. Numa carta escrita em 1921 em resposta a perguntas feitas por seu sobrinho, Vesta J. Farnsworth defendeu lealmente a Ellen e suas atividades. Como sucede com freqüência, uma defesa pode, por sua própria natureza, revelar informação que faz o oposto de defender. Por exemplo, a Sra. Farnsworth escreveu:
Ainda que o gordo das obras principais de Ellen tinha sido publicado para então, depois de que "se lhe apresentou o pensamento" em relação com The Great Controversy (O Grande Conflito), ninguém produziu ainda uma declaração dela no sentido de que estava disposta a dar crédito específico a pessoas específicas cujas obras e idéias foram incorporadas em seus materiais. Uma declaração de uma carta de Willard A. Colcord proporciona o marco para a explicação que Vesta Farnsworth deu a outra pergunta de seu sobrinho:
Para contestar-lhe a seu sobrinho, a Sra. Farnsworth citou o que segue de informação proporcionada por um dos que serviram como secretários de Ellen White por um tempo – Clarence C. Crisler:
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